Teoria do Comércio Internacional. Trade and Geopolítics

TEORIA DO COMÉRCIO INTERNACIONAL. TRADE AND GEOPOLITICS. PROF. DR. DARCY CARVALHO. 2015

Em nível introdutório, apresentaremos aqui conceitos básicos da teoria do comércio internacional, aplicada ao Brasil.

Globalização ou mundialização do mercado internacional hodierno

O fenômeno básico atual da economia internacional dos nossos dias é o fenômeno da globalização ou mundialização  que, teórica e idealmente, consistiria em transformar o mundo todo  num único mercado,  com livre movimento de pessoas,  fatores de produção e produtos, tanto dentro de cada país,  como entre os países. Históricamente, no lado ocidental, podemos assinalar tentativas globalizantes anteriores,  como o Império de Alexandre o Grande, depois da conquista da Pérsia, que unificou e expandiu o mundo grego por 500 anos; o Império Romano, que durou 2000 anos, e que chegou até 1492;  os respectivos Impérios de Portugal, Espanha, França e Grã- Bretanha, e também a URSS,  que se dissolveram definitivamente no século XX e são os responsáveis pelo desenho geopolítico do mundo atual. Como forma de contrarrestar e controlar a extrema liberalização dos mercados e  compensar a insignificância territorial e populacional dos países,  surgem as uniões econômicas, hoje já meio desacreditadas, cujo exemplo principal é a União Européia. Cito: 

"Globalization and International Trade. "Globalization" refers to the growing interdependence of countries resulting from the increasing integration of trade, finance, people, and ideas in one global marketplace. International trade and cross-border investment flows are the main elements of this integration. Globalization started after World War II but has accelerated considerably since the mid-1980s, driven by two main factors. One involves technological advances that have lowered the costs of transportation, communication, and computation to the extent that it is often economically feasible for a firm to locate different phases of production in different countries. The other factor has to do with the increasing liberalization of trade and capital markets: more and more governments are refusing to protect their economies from foreign competition or influence through import tariffs and nontariff barriers such as import quotas, export restraints, and legal prohibitions. A number of international institutions established in the wake of World War II- including the World Bank, International Monetary Fund (IMF), and General Agreement on Tariffs and Trade (GATT), succeeded in 1995 by the World Trade Organization (WTO)- have played an important role in promoting free trade in place of protectionism. Empirical evidence suggests that globalization has significantly boosted economic growth in East Asian economies such as Hong Kong (China), the Republic of Korea, and Singapore. But not all developing countries are equally engaged in globalization or in a position to benefit from it. In fact, except for most countries in East Asia and some in Latin America, developing countries have been rather slow to integrate with the world economy. The share of Sub-Saharan Africa in world trade has declined continuously since the late 1960s, and the share of major oil exporters fell sharply with the drop in oil prices in the early 1980s. Moreover, for countries that are actively engaged in globalization, the benefits come with new risks and challenges. The balance of globalization's costs and benefits for different groups of countries and the world economy is one of the hottest topics in development debates.World Bank. Beyond Growth. Glossary"

A Expansão Ultramarina de Portugal e Espanha a partir do Século XVI

As grandes navegações de Portugal e Espanha, iniciadas no século XV, que levaram à circum-navegação do mundo e à criação dos impérios português e espanhol estão na base da história contemporânea, e explicam a evolução ulterior da história e do comércio mundial. Cf. infra o arquivo A Expansão Quatrocentista Portuguesa, onde as causas intelectuais desta expansão estão explicitadas. 

O Mercantilismo. 

O mercantilismo foi uma linha de política econômica que tinha por finalidade o fortalecimento do poder econômico nacional, através de regras estritas sobre a condução do comércio exterior. Foi praticado, sem contestação,  durante os 250 anos que se seguiram ao descobrimento do Brasil, até o surgimento do liberalismo econômico, preconizado pelos economistas fisiocratas franceses ( laissez faire, laissez passer) e pelo filósofo e  funcionário britânico alfandegário Adam Smith, que subverteu as percepções econômicas de sua época, com seu inquérito sobre a natureza e causas da riqueza das nações. O fisiocrata François Quesnay, autor do Tableau Économique e o escocês Adam Smith, deram origem a uma nova ciência a Economia Política, anti-mercantilista e liberal. Cf. o arquivo Austria Over All, um resumo do livro do economista cameralista austríaco Philipp Wilhelm von Hörnigk, 1640-1714, Österreich über alles, wann es nur will, 1684, disponível em Google books, em alemão,  que desenvolve extensamente as linhas de uma política de desenvolvimento mercantilista. O mercantilismo,  hoje denominado protecionismo econômico, sobreviveu nas medidas ocasionais de política comercial  (embargos,  quotas, tarifas, restrições não- tarifárias e controle cambial) ou como  instrumento sistemático de desenvolvimento econômico, dentro do qual podemos incluir a política de substituição de importações, largamente praticada no Brasil, e recentemente adotada pela Federação Russa, para contornar os prejuizos econômicos determinados por embargos internacionais. Num contexto de hostilidade comercial as regras cameralistas de von Hörnigk tornam-se particularmente úteis e inevitáveis. Cf.


O Brasil sob o mercantilismo.

De 1500 a 1822, i.e, do péríodo colonial à independência, o Brasil foi uma economia mercantilista, e como tal caracterizou-se por intervenção do estado, monopolismo e protecionismo, fatores de unificação territorial e monetária e de imobilidade econômica. As políticas e o comportamento econômicos brasileiros explicar-se-iam assim por seu passado mercantilista


O liberalismo e sua justificação teórica pelos economistas clássicos

ADAM SMITH. An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations


O liberalismo no sentido econômico costuma-se associar aos nomes de Quesnay e Adam Smith. Entretanto podemos recuar as suas origens ao opúsculo  Mare Liberum, publicado em latim, língua internacional da época,  pelo holandês Hugo Grotius (1583-1645), em  que demonstra a ilegalidade  do monopólio de navegação no Oceano Índico, imposto à força d'armas  pelos portugueses. Grotius prega que o livre-comércio é um direito natural dos povos. Cf. arquivo Grotius- Mare Liberum- Conteúdo.


Hugo Grotius, The Freedom of the Seas (Latin and English version, Magoffin trans.) [1608]

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ARQUIVOS ADICIONADOS

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7 de mar de 2015 03:42
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