03 Portugal e Espanha História Econômica Social e Política. History of Portugal and Spain

PORTUGAL AND SPAIN ECONOMIC, SOCIAL AND POLITICAL HISTORY. PORTUGAL E ESPANHA: ESTUDOS DE HISTÓRIA ECONÔMICA SOCIAL E POLÍTICA . PROF. DR. DARCY CARVALHO, SÃO PAULO, SP, BRASIL

Contents: 01, 02, 03

01=     TEXTOS LEGAIS PORTUGUESES.   Seleção Documental. Período inicial (1050-1126) 

     https://sites.google.com/site/foraisportugueses/

[1055-1065] – Foral de S. João da Pesqueira

É o mais antigo foral respeitante a território português. Outorgado por Fernando II de Leão, no contexto das campanhas de reconquista [1057-1058] que o levaram até Coimbra, foi posteriormente estendido a outras localidades, porventura resultantes de um processo de autonomização, consequente ao crescimento e ao desmembramento da comunidade inicial. No preâmbulo das confirmações posteriores, concedidas a essas localidades, simultânea ou isoladamente, referemse como destinatários ora isoladamente S. João da Pesqueira, neste caso, sem descrever o respectivo termo, ora, em conjunto, outras povoações, mais ou menos próximas, de um e outro lado do Douro, mencionando em primeiro lugar S. João da Pesqueira, seguido de Penela, Paredes, Linhares e Ansiães, embora a confirmação se destine apenas a uma delas, cujo termo se descreve, como sucede com Ansiães, com Penela e com Paredes. Só num dos casos se inclui nesse conjunto a de Souto, a que a confirmação se destina. Por outro lado não se conhece qualquer versão específica destinada a Linhares.

ISTUD VERO FORUM FIRMAVIT REX DOMNUS FERNANDUS:

1055-1065] – Foral de S. João da Pesqueira

É o mais antigo foral respeitante a território português. Outorgado por Fernando II de Leão, no contexto das campanhas de reconquista [1057-1058] que o levaram até Coimbra, foi posteriormente estendido a outras localidades, porventura resultantes de um processo de autonomização, consequente ao crescimento e ao desmembramento da comunidade inicial. No preâmbulo das confirmações posteriores, concedidas a essas localidades, simultânea ou isoladamente, referemse como destinatários ora isoladamente S. João da Pesqueira, neste caso, sem descrever o respectivo termo, ora, em conjunto, outras povoações, mais ou menos próximas, de um e outro lado do Douro, mencionando em primeiro lugar S. João da Pesqueira, seguido de Penela, Paredes, Linhares e Ansiães, embora a confirmação se destine apenas a uma delas, cujo termo se descreve, como sucede com Ansiães, com Penela e com Paredes. Só num dos casos se inclui nesse conjunto a de Souto, a que a confirmação se destina. Por outro lado não se conhece qualquer versão específica destinada a Linhares.

ISTUD VERO FORUM FIRMAVIT REX DOMNUS FERNANDUS:

 Ut in unoquoque anno dedissent illi vel vicario suo talem paratam ut unusquisque homo qui habuerit uxorem et casam et hereditatem de uno anno in antea det in parata regis duos panes, unum de tritico et alium de centeno et unum almude de vino et alium de cevada.   Et cum ipso rege vel cum vicario suo una vice in anno currere ad montem et quantumcumque invenerit sive carnes sive pelles totum erit de rege aut de suo vicario. Et in ipso die quando currerit ad montem ipse rex vel vicarius eius debet una vice in die conductare illos homines qui cum eo currerint ad montem.

 Et si aliquis homo fecerit rausum vel homicidium pectet L solidos ad palacium quomodo de vicino ad vicinum sive de maiordomo sive de vicino. Et si alicui homini imposuerint homicidium vel rausum et ipse se non cognoverit det fideiussorem in V solidos et salvet se cum quinque hominibus et se sexto.  Et si homo per peccatum furtum fecerit et per inquisicionem comprobatus fuerit pectet pro uno novem et de illis novem duas partes ad donum de ganado et VII partes ad palacium. Et si se non cognoverit salvet se cum iuramento. Et si aliquis homo vel homines fecerint raubam aut furtum aut predam in terra aliena super mauros aut super christianos det quintam ad palacium.

 Et si habuerit pignora sabuda contra christianos integret se et de hoc quod remanserit det quintam ad palacium.Et si aliquis homo contra vicinum suum aliquid malum fecerit et intra se emendaverit ad palacium nulla calumpnia detur.Et si inter vicinos noluerint emendare et calumpniam ad palacium duxerit pro uno pugno chouso pectet I solido et pro manu aperta V et pro manibus in capillos V. Et pro homine incluso in casa cum armis XXX. solidos. Et si sacaverit illum de sua casa per forciam XXX. solidos. Et pro una bastonada aut pedrada unde sanguis non exierit pectet I solido, si autem sanguis exierit pectet V solidos.Et si aliquis homo saccaverit lanceam aut spatam et non derit cum illis nulla calumpniam erit. Et si iactaverit ut feriat et non ferir perdat ipsa armaque iactaverit. Et si ferierit cum lancea et non passaverit ad aliam partem pectet V solidos et si passaverit X.

 Et si homo per forciam alium miserit sub aqua per malam voluntatem pectet X solidos. Et si per malam voluntatem dederit cum merda in vultu hominis pectet XXX. solidos.  Et si homo fecerit multas calumpnis in aliquo homine in una hora non pectet nisi unam calumpniam.  Et si duo homines vel tres vel plures alium hominem feriverint et interram iactaverint et eum disiudicaverint pectent XXX. solidos.

 Et pro nulla calumpnia non det fideiussorem nisi ad suum intentorem.   Et si aliqua mulier vidua acceperit virum meliorem qui fuerit in villa dabit ei pro osas V solidos et si minor fuerit minus dabit.  Et si homo aut mulier dixerit ad suum vicinum vel ad suam vicinam zegulo de foam aut zegoonia cum foam et non potuerit outorgar cum inquisitione pectet XXX solidos ad palacium et exeat homiziam et in alio denosto nulla calumpnia sit.  Et levar inter nos de uno castello ad alium hominem presum vel cartam et non magis, et si noluerit levare pectet I ceram. Et ire in apelido de mouros quantum potuerimus et contra christianos tantum ut in ipso die tornemus ad nostra casa nisi fuerimus cum rege.

 Et si aliquis clericus vel laicus mortuus vel captivus fuerit internos et parentes habuerit non respondeat ad manariam neque ad lutuosam. Et si nullos parentes habuerit de sua re det duas partes ad palacium et terciam pro anima sua. Et si mactaverit cervum cum canibus aut in madeiro det unum lumbum ad palacium. Et de porco nichil. Et de urso duas manus. Et si homo intraverit in casam alienam per forciam quantum inde saccaverit tantum duplet, et si nullam causam sacaverit pectet V solidos ad palacium.

Et de ipsa pescaria det mediam partem ad palacium et de aliis antiquis quarta ubi lavor nichil. Et si homo fuerit de una villa ad aliam vel ad alias terras extraneas faciat de sua hereditate quicquid placuerit et non det quartam neque aliam rem. Et si placuerit illi habere suam hereditatem det paratam sicut sui vicini.  Et si homo demiserit uxorem suam et cum ea non partiverit rem suam et postea nichil det, et si partiverit et postea acceperit det osas.  Et suas ecclesias iudicet concilium cum suo episcopo sine seniore.  Et si homo prestaverit ad vicinum suum rem suam et vicinus pro re volta noluerit dare et cum saione se integraverit det medium tantum ad palacium.

Et si vicinus saccaverit fiaduriam cum saione capud integrum aut intentorem et medium duplet et alium medium ad palacium. Et si homo truncaverit pedes aut manus vel occulos pectet L. solidos, si autem unum occulum vel manum aut pedem det medium homicidium et ibi non currat iudicium nisi exquisitione directa, et si non invenerit exquisitionem salvet se cum iuramento et lide per voluntatem de ambos. 

02= PORTUGAL  NA  ÉPOCA  MERCANTILISTA

O  CONTEXTO  HISTÓRICO  PORTUGUÊS DA RESTAURAÇÃO DO REINO (1640)  AO REINADO DE  D.  JOSÉ l  (1750)

Prof. Dr. Darcy Carvalho ( São Paulo,  1985, Anexos)

Portugal  conheceu  três  orientações  de  Política  Econômica:  a mercantilista,  que  subsistiu  até  o  século  XIX,  a  fisiocratica  fomentada  pelo Ministro  da  Marinha  e Ultramar, Martinho de Melo  e Castro,  no  governo de D.  Maria  I,  sob  a  influência  dos  ensinamentos  da  Academia  Real  das Ciências  de  Lisboa;  e,finalmente,  a  liberal,  introduzida  atropeladamente por D.  João VI,  sob  a  inspiração,  entre  outros,  de  José  da  Silva  Lisboa,  a partir da  data crucial  de  1808.

O nascimento  de  Cairu  ocorre  quando  governava a  Capitania  da Bahia,  D.  Marcos  Noronha,  sexto  conde  dos  Arcos  e  sétimo  vice-rei  do Brasil.

Nesse  tempo  reinava  em  Portugal  D.  José I. por graça de Deus,  rei de  Portugal  e  dos  Algarves,  d'aquém  e  d'além  mar,  em África  Senhor da Guiné,  e  da  conquista,  navegação,  comércio  da  Etiópia, Arábia,  Pérsia e da , índia;  etc.

Os longos títulos de D. José, que aparecem .incansavelmente  repetidos  em  sua  legislação,  servem  para  dar  a  medida  da  decadência  do  vasto império  português,  na  época  em  que  José  da  Silva.  Lisboa  vem  ao  mundo: Do  império  esfacelado  durante  o  domínio'  castelhano· por ingleses, franceses  e  holandeses,    contam  efetivamente  acostada Africa e Brasil; que vai  merecer  toda  a  atenção de  el·rei.

D.  José  (1714-1777).  filho  e  sucessor  de  D.  João V  11689,1750), sobe  ao  trono  de  Portugal  cento e dez  anos depois do movimento  de 1640, que  pôs  fim  ao  domínio  dos  Felipes de  Espanha,  1580-1640, e  restaurou  a monarquia  em  Portugal,  na  pessoa  do  duque de Bragança e  rei, D.  João IV (  1604·1656).

Dos  cento  e  dez  anos  que  precedem  a  elevação  de  D. José  I  ao trono,  quarenta e  quatro  correspondem  ao  reinado  de  seu pai  D. João V e trinta  e  nove  ao  de  seu  avô D.  Pedro"  (1648·17061,  vigéssimo  terceiro  rei de  Portugal e  terceiro da nova dinastia de  Bragança.

D.  Pedro  II,  avô  de  D.  José,  assumiu  o  governo  por  um  golpe  de estado  em  1667  contra .seu  irmão  e  o  grupo de  fidalgos  liderados  por  D. Luis  de  Vasconcelos e Sousa  (1636·1720).  3º conde de  Castelo  Melhor, escrivão  da  puridade, do  jovem  rei  D.  Afonso  VI  (1643·1683)  imediato sucessor de  seu  pai  D.  João  IV.

Declarado  herdeiro do  trono  pelas  Cortes  em  1668,  D.  Pedro  II governou  como  principe  regente  até  1683.  Seu  governo  alcança  o  ano  de 1706.  Seu  reinado  é  extremamente  importante  para  a  compreensão  das “vicissitudes dos  monarcas  seguintes.  Vejamos, portanto,  alguns  dos  eventos do  reinado de D.  Pedro II,  pai  de D.  João V:

1º) Término da Guerra da Restauração  (1640-1668),  assinado·se a  paz  com  a  Espanha  em  13 de  fevereiro  de  1668, concordando Felipe  IV (1605·1665). Habsburg,  em  reconhecer  a  independência  portuguesa. O  evento  deu  azo  a  uma  tal  explosão de  alegria  do povo,  tanto em  Portugal  como na  Espanha,  que  causou  espanto  aos  contemporâneos.  O.  Luís  de  Meneses (1632-1690).  3.0  conde  de  Ericeira,  na  sua  História de  Portugal  Restaurado (1679 e 1698).  considerou·a uma  "inexplicável  alegria  dos povos"...

2º)  D.  Pedro  11  manda fundar em  1679 a Colônia de  Sacramento, na  margem  esquerda do  rio da Prata,  em  frente  a Buenos Aires.

3º)  Os  paulistas,  Fernão  Dias  Pais  Leme  (1608·1681)  e  seu  genro Manuel  Borba  Gato  (?  -1718),  realizam  as  bandeiras  de  1673·1681  e 1674·1700,  respectivamente,  e  em  conseqüência  são  descobertas  importantes  jazidas  de  ouro  aluvional  na  região  do  rio das Velhas,  em Minas  Gerais, onde depois se  fundou  a povoação de  Vila  Rica.

Os  efeitos  da  descoberta  das  minas    se  farão  sentir  com  intensidade  nos  reinados  seguintes  de  D.  João.  V.  de  1706  a  1750;  D.  José  I,  de 1750  a  1777; D.  Maria  I,  de  1777  a  1792; e D.  João VI,  de  1792  a  1826.

A  produção  do  ouro  atingirá  o  nível  máximo  entre  1735  e  1766, para então decrescer em decorrência do esgotamento dos  aluviões.

4º)  Uma crise econômica assola o Reino, motivada pela concorrência do açúcar das Antilhas  (1670). O diplomata, historiador e poeta Duarte Ribeiro  de  Macedo  (1618-16801.  na  França,  em  pleno  reinado  de  Luís  XIV (1638-1715)  e  na  administração  do  controlleur  général  Jean-Baptiste  Colebert  (1619-16831.  meditando  e  discutindo  essa  conjuntura  econômica  portuguesa,  escreveu  duas  memórias,  que  lhe  asseguram  um  lugar  de  prol  na História  do  pensamento  econômico  luso-brasileiro:  - O  Discurso  sobre  a introdução  das  artes em Portugal  e  a Observação sobre  a  transplantação dos frutos da  rndia  ao Brasil,  escritos  ambos em Paris  no  início de  1675,

5º)  Dom  Luis  de  Meneses,  3º Conde  de  Ericeira,  promove estabelecimento de algumas  fábricas  de  panos  em Portugal.

Deixemos  falar  O  economista  Alexandre  de Gusmão  (1695·1753)

"D.  Luís  de  Meneses,  terceiro  conde  de Ericeira, correspondendo-se  com  Luis de Vasconcelos e  Sousa,  terceiro conde de  Castelo-MeIhor,  pelos  anos  de  1680,  que  então  se  achava: em  Inglaterra, tratou  com  ele  os  meios  de  promover  o  estabelecimento algumas  fábricas  de  panos  dentro  do  nosso  Reino;  e  para  e  fim convieram  que  viessem  os mestres e  ofícios fabricantes de  panos, e mais  tecidos  de  lã,  de  Inglaterra,  a  título  de criados da Rainha da Grã-Bretanha.  a  senhora  Dona  Catarina, que  então  recolhia  para o Reino.

Vieram  os  mestres  e  oficiais  no  dito  ano  de  1680: estabeleceu  o conde  alguns  teares  de  tecer panos nas  vilas de Covilhã, Redondo e Portalegre,  os  quais  protegeu  e  fez  aumentar  de  modo  que  no espaço.  de  dez  anos  se  achavam  as  fãbricasem  grande  aumento com  muitos  teares  estabelecidos,  fabricando  muitos  excelentes  panos,  de  modo que  igualmente em bondade  os  de  Inglaterra.

Procuravam  os  ingleses  e  faziam  todas  as  diligências  possíveis  para arruinar  as  fábricas  que  ainda  se  achavam  naqueles  princípios nascentes;  mas  Ericeira,  que  as  protegia.  as  ampara.  de  modo  que não  as  podiam destruir,  nem  ainda  ofender  apesar  dos esforços que faziam  para esse  fim.

Tanto  trabalhou  Ericeira  para  aumentar  as  fábricas,  que  conseguiu do  rei  uma  pragmática  no  ano  de  1684.  em  que proibiu  expressamente  os  panos estrangeiros, negando-lhes despacho  nas  alfândegas; cuja  lei  suntuária  foi  ditada  pelo  mesmo  conde:  mas  por  desgraça faleceu  este  grande  patriota  no  ano  de  1690"  (Cf.  J.  Cortesão - Alexandre  de  Gusmão  e  o  Tratado  de  Madrid,  parte  II,  tomo  I, pág"  1861.

A  direção  destas  fábricas  estava  em  grande  parte  nas  uniãos  de cristãos-novos.  Ericeira  defenestrou-se  em  meio  a  uma  crise  de  melancolia.

J.  Borges  de  Macedo  (1963)  observa  que  a  ação  de  D.  Luís  de Meneses  não  se  deve  por  em  termos,  de  "criação"  de  uma  indústria,  mas sim  em  termos  de  "organização"  de  uma  parte  dela  dentro  de  um  regime de  manufatura,  de  maneira  a  facilitar  a  sua  concorrência  com  a  indústria estrangeira.

6º)  O  último  ato  diplomático  do  reinado  de  D.  Pedro  11  foi  a assinatura  do Tratado  de  Methuen  de  1703,  que  marca  um  ponto  alto  no desenvolvimento  do  mercantilismo  europeu.  Foi  celebrado  como  a obra­prima da política comercial  da Grã-Bretanha.

"Os mercadores  ingleses,  explica Adam Smith, não  andavam  muito bem  humorados  para. com  a  coroa  de  Portugal.  Alguns  privilégios de  que  desfrutavam,  não  por  qualquer  tratado,  mas  por  simples benevolência  daquele  monarca,  certamente  atendendo  a  suas  solicitações·e  em  troca  de  favores  muito maiores,  como a defesa  e  a proteção da  coro da Grã-Bretanha,  tinham,  sido  ou  infringidos  ou revogados.

O  Tratado  de  Methuen  veio  assim  devolver-lhes  o  bom  humor restabelecendo  a  velha  ordem,  que  Ericeira  tentara  eliminar  com  sua  pragmática.

O economista  o- Luís  da  Cunha  (1662-17491  que  se  opusera  ao tratado,  escrevendo  entre  1747  e  1749,  portanto  no  final  do  reinado seguinte,  assevera  ao  futuro  rei  D. José  I que  se  este quisesse dar  uma  volta aos  seus  domínios achar:ia  certas  boas  povoações  quase  desertas,  como por exemplo  na  Beira  Alta  os  grandes  lugares  da  Covilhã,  Fundão,  Guarda  e Lamego;  em Trás-dos-montes  a  cidade  de  Bragança,  e encontraria destruídas as  suas manufaturas.

Uma  causa  disto  segundo  D.  Luís  da  Cunha  vinha  a  ser  que  a Inquisição  "prendendo  uns  por  crime  de  judaismo  e  fazendo  fugir  outros para  fora  do  Reino  Com  os  seus  cabedais,  por temerem que  lhos  confiscassem,  se  fossem  presos,  foi  preciso  que  tais  manufaturas caissem,  porque  os chamados  cristãos-novos  as  sustentavam  e  os  seus obreiros, que  nelas  trabalhavam,  e  eram  em  grande  número,  foi  necessário  que  se  espalhassem  e fossem  viver  em  outras  partes  e  tomassem  outros ofícios  para  ganharem  o seu  pão,  porque  ninguém  se quis deixar morrer de  fome".

"Uma  segunda  parte  da  causa,  que não é  irreparável,  como em  seu lugar direi",

escreve D.  Luís da Cunha,

"foi  a  permissão que  S.  Majestade  deu  aos  ingleses  para  meterem em  Portugal  os  seus  lanifícios,  principalmente  os  panos,  havendo doze  anos  que  o  dito  senhor  os  tinha  proibido,  de  que  resultava que  as  nossas manufaturas se  iam  aperfeiçoando de  tal  maneira que eu  mesmo  vim  à  França  e  passei  à  Inglaterra  vestido  de  pano. fabricado  na Covilhã ou em  o  Fundão. Para esta desgraça  concorreram  três  coisas,  a primeira querer o  senhor  rei  D.  Pedro comprazer a  rainha  de  Inglaterra,  com  a  qual  acabava de  fazer  um  tratado de perpétua  aliança  defensiva  e  lhe  pedia que  levantasse  a pragmática; a  segunda  ser  D.  João  Methuen,  seu  embaixador,  irmão  de  um grande mercador  de  panos e  assim  trabalhou  em causa própria,  sem embargo de  que  sempre  lhe  fui  contrário;  e  a  terceira,  que  pôs  a foice à  raiz, foi  que  o  dito  embaixador  fez  conceber  acertos senhores, cujas fazendas pela maior  parte consistem  em  vinhos,  que estes  teriam  melhor consumo  em  Lisboa  pela  grande, quantidade que  deles  sairia  para  fora,  se  por  equivalente  desta  permissão, Inglaterra  se  obrigasse  a  que  o.s  vinhos  de  Portugal  pagassem  de direitos  a  terça  parte  menos  que  os  de  França;  e  isto  bastou  para que' o  tratado  se  concluísse. e  para  que  as  nossas  fábricas,  como acima digo,  totalmente  se  perdessem.

Não    dúvida  que  a  extração  dos nossos vinhos cresceu  incomparavelmente (    ).

Contudo  esta  grande  exportação  de  vinhos  não  é  utilíssima  como se  imagina,  porque  os  particulares  converteram em vinhas as  terras de  pão,  tirando  assim  delas  maior  lucro,  mas  em  disconto  a generalidade  padece  maior  falta  de.  trigo.  de  centeio  e  cevada,  de sorte  que  se  o  vinho  sai  de  Portugal,    necessário  que  de  fora  lhe venha maior quantidade de  pão".

O  economista  D.  Rodrigo  de  Sousa  Coutinho  no  seu  "Discurso sobre  a  verdadeira  influência  nas  minas  dos  metais  preciosos  na  indústria das  naçõe5que  as  possuem,  e  especialmente  da  portuguesa",  publicado em 1789,  no  Tomo  I,  das Memórias  Econômicas da  Academia Beal  das  Ciências  de  Lisboa,  assim  resume  a  história  econômica  de  Portugal  desde  a passagem do Cabo da Boa Esperança  até  o  reinado de  D.  Maria  I.

"Antes  da  passagem  do Cabo  da  Boa  Esperança,  a nossa  indústria, e  o  nosso  comércio  estavam  ainda  no  berço:  aquela  feliz  resolução mudou  a  face  da  Europa:  transferiu  o  mercado  das  especiarias  e manufaturas  orientais  de  Veneza  para  Lisboa;  anos  felizes  anos que  possuímos  sem  concorrência  este  comércio d'economia,  a nossa  povoação  e  a nossa  riqueza  tiveram  um  rápido aumento.  Infelizmente,  todos  conhecem  a breve  duração que  teve.  Os  últimos  anos do  reinado  do  Senhor  D.  João  111  foram  o  princípio  da  nossa decadência,  que  o  seu  sucessor  precipitou  animado do entusiasmo, recebido  na  educação que  fez  inúteis  os  talentos de  que  a natureza o dotou,  fazendo-o  susceptível  de  grandes virtudes.

Seguiram-se  os  sessenta  anos,  em  que  prevalecendo  a  força  ao direito,  não  vimos  representar  mais  que  tristes  cenas:  o nosso  rico comércio,  as  nossas  colônias  por  uma  mal  entendida  política  se abandonaram  aos  inimigos  do  Estado,  unindo  estas calamidades às outras  que  sofreram  ao  mesmo  tempo  todos  os vassalos espanhóis. Na  grande  e  feliz  época  de  1640.  o  grande  rei  que então subiu  ao trono,  apesar  da  terrível  guerra  que sustentava,' procurou  todos  os meios  poss(Veis,  de  restabelecer  a  antiga  glória  da  nação;  e  ainda hoje  nas  lU. saudáveis  determinações  que  a  História  conservou, brilha um  espírito  solido  e  inteligente nos  seus  verdadeiros  interesses.  A  felicidade  do,  breve  reinado  do  seu  sucessor  (D. Afonso VI).

nos  faz  saudosa a sua  memória,  e digna de  lástima  a sua catástrofe. O reinado  do senhor rei  D.  Pedro,  época é que  se  descobriram as grandes  minas  do Brasil,  foi  também  a  do Tratado de  Methuen, o qual  destruindo  todas as  manufaturas do  reino,  e  fazendo cair  todo o  nosso  comércio  nas  mãos de  uma  nação aliada  e. poderosa.  fixou contra  nós  a  balança  do  comércio  em  tal  maneira.  que  o  imenso produto das minas  foi  limitado para  o  soldar.

As  minas  retardaram  por  algum  tempo  sentir-se  os  efeitos  daquele  desigual  tratado  e  foram  contudo  culpadas.  quando  principiou  a conhecer-se  a  ruína  da  indústria nacional. No  reinado do  senhor D. João V  produziram  aquela  aparente  riqueza.  que  não sendo fundada  na  indústria  e  diminuindo  continuadamente  por  uma  balança, muito  ruinosa.  veio  enfim a  desvanecer-se.

A  pouca  justiça  com  que  se  criminaram as minas  foi  bem conhecida  no  reinado  do  senhor  rei  D.  José  I.  de  saudosa  memória.  que procurou  remediar  todos  os  abusos,  que  se  tinham  introduzido  à sombra  do  Tratado  de  Methuen  tanto  em  dano da  nação,  e  que eram o  verdadeiro motivo da nossa  decadência.

Vimos  em  nosso  tempo  a  aurora  do  mais  ditoso  dia,  e  a  justa posteridade  lerá  com  admiração  as  ações  dum  soberano,  que  fez florescer  dentre  as  cinzas  a  mais  florescente  cidade,  criando  o crédito  público.  e  desterrando  o  prejuízo. que  nos  sujeitava  a  uma nação  perita  nos  seus  interesses,  que  com  o  aparente  e  especioso véu  de  proteção,  nos  tinha  quase  reduzido  a  ser  colonos  duma

estranha  metrópole.  Vemos  a  feliz  continuação  deste dia  no  reinado de  nossa  augusta  soberana,  e  as  mais  lisonjeiras  esperanças  nos fazem  ver  na  sua  régia  sucessão  perpetuado  o  bem-público,  e elevado  o  esplendor  da  nação  tanto  além  da  glória  dos  nossos maiores,  quanto  as  luzes  do  século décimo  oitavo excedem.  as  do décimo quinto, e  décimo  sexto".

A  grande  figura  que  ilumina  todo  o  período  que  se  estende  da Restauração  ao  in(cio  do  reinado  de  O.  João  V  é  a  de  Antonio  Vieira. jesuíta, clássico  da  língua  portuguesa,  estadista  e  economista,  que  viveu  de 1608  a 1691.

Suas  idéias  econômicas  afloram  a  cada  passo  em  suas  cartas, sermões  e  outros  papéis.  Cairu  talvez  tenha  sido  o  primeiro  a  reconhecer nele  o  grande  economista. Vieira  inspirou-se em Hugo Grotius  (1584-1645), holandês  cujas  obras  constituem  Iibelos  contra o   monopólio  português  do comércio do Oriente  e  uma  tentativa  de  justificar moral  e  juridicamente  a guerra sem quartel que  a  Holanda  lhe movia.

O  final  do  reinado  de O.João V,  filho  e  sucessor de O.  Pedro II  é o  ponto em que  se  constitui  a  família Silva  Lisboa.

 

Para  exaltar  a  obra  pombalina  no  governo  de  D. José  I,  muitos autores  se  esmeraram  em  denegrir  o  reinado  de  D.  João  V,  que  teve  a condicioná-lo  o  Tratado  de  Methuen  de  1703  e  o  ciclo  do  ouro no Brasil.

Não  parece  contudo  inexato  afirmar  que  o  seu  reinado,  pelo menos  no  tempo  em  que  o  rei  esteve  ativo,  constitui  um  ponto  alto  na história da  administração  portuguesa.

Escreve Vilhena Barbosa, num estudo de  1868, denominado  "Luxo e  magnificência  da  corte de Dom João V",  publicado no Archivo Pitoresco, vol.  XI,  págs.  6  e segs:

"As  imensas  riquezas  que  nessa  época  nos  vieram  do  Brasil,  não foram  consumidas  improdutivamente.  Não  foram  transformadas somente,  como  em  geral  se  apregoa,  nas  obras de Mafra,  nas  bulas de  ereção  da  Patriarcal,  em  donativos e  infinito número de igrejas, e  em  cercar  o  trono  real  de  esplendores cada vez  mais  deslumbram· teso  Serviram  também  para  grandes  empresas de  abertura de  canais em  que  figuram,  entre outros, à  chamada vala  de Azambuja,  que  ia até  Rio  Maior,  e  o  Tejo  Novo,  e  mais  grandiosa  obra  hidráulica que  tem  sido  empreendida  em  Portugal.  Serviram  para  a  construção  de  inúmeras  pontes e  das principais estradas do  'Reino,  reconstruídas  ou  reparadas  nos  dois  reinados  seguintes,  e  que  afinal  por nosso  desleixo,  vieram  a  cair  em  completa  ruína.  Serviram  para  a criação  de  importantes  estabelecimentos  fabris  e  para  a  introdução de  indústrias  novas;  para  a  restauração  da  marinha de  guerra, para a  fundação  e  manutenção de  academias  e  de  várias  escolas.  Serviram  enfim  para  estas  muitas  coisas  úteis,  umas  que  ao  diante  se anularam  ou  perderam,  por  efeito da  decadência  e  desordem  que se  introduziram  em  todos  os  ramos  da  administração  do  Estado nos  últimos  nove  anos  do  reinado  de  Dom João V,  em  que  este soberano  esteve  paralítico,  outras,  em  razão  das  reformas  com que se  estreou  o  governo  del·rei  D. José  I,  vieram,  no decurso  do tempo,  a  ser  atribuídas  à  patriótica  iniciativa  do  marquês  de Pombal"  (Citado  por Teixeira Soares,  1961).

Um estudo  recente  de  Jorge  Borges  de  Macedo  publicado  na Revista  da  FaIculdade  de  Letras  de  Lisboa,  III  série  nº 4,  1960,  com  o título  "O  pensamento Econômico  do  Cardeal  Mota. Contribuição  para  o estudo".  vem  corroorar as  asserções de  ViIhena  Barbosa.

O  estudo  de  J.  B.  Macedo  traz  anexo  um  precioso  documento denominado:

"Parecer  do  Cardeal  Mota  sobre  a  instalação  em  Lisboa  de  uma manufatura de  sedas", datado  de  Lisboa  Oriental  9  de  fevereiro  de  1134:  No  preâmbulo  do  documento  o  economista,  Cardeal  João  da Mota  e  Silva,  dos  ministros  de D.  João V   um dos mais  importantes,  revela-se  familiarizado  com  as  práticas mercantilistas francesas  e  inglesas.

"A  utilidade  que  resulta  às  monarquias  do  estabelecimento  de fábricas. é  tão  evidente.  e  notória  que  não  necessita  de  persuadir-se.  Basta    refletir  que  este  é  um dos  principais cuidados em que sempre  se  empregaram  as  maiores  potências  e  que  todos  aqueles estados  que  conseguiram  a  fortuna  de  pôr  em  prática semelhantes estabelecimentos  abundam  em  riquezas  com  que  igualmente  se utilizam os príncipes e os vassalos:  e  pelo contrário os que carecem de.  fábricas,  além  de  uma  sujeição  pouco  decorosa  em  que  se constituem  . pela  dependência  das  outras  nações,  vivem  pobres· e reduz.idas  a  uma  extrema  decadência.  A  razão  desta  diferença  é bem  palpável  porque  os  primeiros  não    conservam  em  si  os cabedais  próprios  mas  atraem  os  alheios,  pelas  manufaturas  que vendem  e  os  segundos  para  as  comprarem  e  se  proverem  do  que necessitam  são  constrangidos a  privar-se dos seus  tesouros.

É  este  o  motivo  porque  os  reis  de  França,  principalmente desde  o tempo  de  Henrique  IV se  aplicaram  tanto a estabelecer e  aumentar as  suas grandes  fábricas  que  hoje  vemos,  enriquecendo-as de  privilégios,  animando  os  fabricantes  com  largos  donativos  e  pensões vitalícias  e  promulgando  repetidas  leis  para  regular  o  seu  bom governo,  e  as  suas  vantagens.  O  mesmo  praticaram  os  ingleses  e o exemplo  destas  duas  nações  tem  causado  uma  tal  emulação  nas mais  da  Europa,  que  nenhuma  deixa  de  ter  suas  fábricas  com quer procuram  .ou  arruinar  as  dos  vizinhos  ou  ao  menos  fazer-se  independentes deles.

  entre  nós  parece  ser  mais  do  que  mero descuido  e  negligência . máxima  assentada  o  não  haver  no  Reino  fábricas;  porque  sobre não  tratarmos  de  estabelecê-las,  até algumas que  tivemos deixamos destruir  impunemente  pelas  nações  estrangeiras. Os  nossos mesmos gêneros lhes·estamos  entregando  nas  mãos  para  depois  de  beneficiados  nas  suas  fábricas  nos  tornarem  a  introduzir  para  o  nosso uso; de que resulta perdermos não só o  lucro que havíamos tirado da venda.  mas  as  imensas  riquezas que Deus nos deu,  o  Brasil.  Não há menos  de  30 anos  que  as  suas  minas  se  estão desentranhando  em ouro e os que  o  avaliam  em  menos  dioa cada  ano mil  até  mil  e duzentas  arrobas:  se· procurarmos  averiguar  que  é  feito  destes incomparáveis  tesouros  acharemos  que  a  reserva  de  urna  mínima parte  que  ficou no  Reino,  tudo  o  mais  passou  para os  estranhos, porque deles nos vem  tudo o  de que necessitamos.

Esta única reflexão  bastaria para  convencer  quanto  serão  úteis  ao Reino  as  fábricas  de  estofas  e  mais manufaturas de  seda de  toda  a qualidade  que  pretendem  estabelecer Monsr.  Sibert  e  Godem.  Porém  ainda    outras  razões  que  pretendem  ser não só  conveniente mas preciso este estabelecimento".

O  surto  industrial  do  governo  de  D.  João  V,  entre  1720 e  1740, ao  qual  se  relaciona  o mencionado documento das dificuldades econômicas gerais,  que  o  governo  procura  enfrentar  desse  modo.  Com  efeito nesse período  agrava-se  a  situação  brasileira  com  o  aumento  do  contrabando  do ouro  e  os  perigos  de  guerra  com  a  Espanha.  Ao  mesmo  tempo  surgem novas  dificuldades  no  domínio  português  do Oriente  (1736-1740).  A  estas dificuldades  econômicas  acrescentam-se  dificuldades  sociais:  insubordinação de  nobres  (1728);  indisciplina  nos  conVentos  (1731-1740);  conflitos  de trabalho  (greve  de  pedreiros  em  Mafra,  1731;  campanha  a  favor  da  sesta, em  Usboa,  1740);  intensificação  da  luta  anti-judaica  (1730-1735)  (Cf.  D. João V,  ,Diciomrio de  História de Portugal,  v.  2).

Todas estas  dificuldades  materiais,  sociais  e políticas  se  agravaram consideravelmente  desde  que  o  rei  adoeceu,  em  1740,  antes  de  poder .continuar as  medidas  que  entre  1730 e 1740, havia  tomado  no sentido de melhorar  o  equipamento  administrativo  e  as  condições  diretivas  de  absolutismo:  reforma  das  Secretarias  de  Estado  (1737);  reforma  de  capitação (1735);  repressão da  insubordinação monacal  (1736-1739).

Nos  últimos  anos  do  reinado  de  D.  João  V, as  deficiências  do Estado  vieram  à  superfície.  sobretudo  depois  da morte  do Cardeal  da Mota (1747),  que  era  a  personalidade  em  que  o  rei  depositava  toda a confiança. Culturalmente,  o  reinado  de  D.  João V  reveste-se  de  aspectos  de  extremo interesse,  quer  no  plano  das  belas-artes,  quer  no  da  história  da  cultura portuguesa.  Esta,  incapaz  de  se  formular  em  termos de  abstração  e  de pensamento  teórico,  aplica-se  em  estudos práticos por vezes corn base dentro fica,  como a  cartografia;  ou  em  estudos  técnicos,  como a engenhar,ia;  ou  em estudos  humanísticos de  aplicação direta,  como o  direito.

No  capítulo  das  instituições  de  cultura  merece  referência  especial a  Real  Academia  Portuguesa  da  História,  fundada  em  1722, devendo igualmente mendonarso a introdução da ópera  italiana, em 1731.

Não  podemos  deixar  este  ponto  sem  mencionar  o  nome  de  um outro  ministro de D.  João  V,  o  economista Alexandre  de  Gusmão,  cujas obras  foram publicadas  pelo  Instituto  Rio-Branco do Ministério  das  Relações  Exteriores,  sob  os  cuidados  do  eminente  Prot.  Jaime Cortesão.  Do  ponto  de  vista  econômico  estas  obras  ainda  não  foram estudadas.  Dele  podemos  citar  os  seguintes  escritos nas Obras Várias  (Parte II,  Tomo  I)  da  edição  Jaime  Cortesão:  "Projeto  da  capitação  e  maneio, proposto  a  D.  João  V  por  Alexandre  de  Gusmão,  1733";  "Apontamentos Políticos,  Históricos  e  Cronológicos,  copiados  das  Memórias  Secretas  de Gusmão.  Sobre  as  fábricas  do  Reino";  "Apontamentos diferem  sobre·  o dever  impedir-se  a  extração  da  nossa  moeda  para  fora e  reinos estrangeiros por  causa  da  ruína  que  dar .se  segue:  a  cujo  papel  vulgarmente  chamam o Calculo  de  Gusmão,  exposto  ao  fidelíssimo  rei  o  senhor  D.  João  V,  pelo dito  autor  Alexandre  de  Gusmão  (princípios  de  1749). A Gusmão  também se  deve  o  texto da Pragmática de 1749, a última.

Assim  como  os  Tratados  de  Methuen  foram  os  atos  diplomáticos mais  importantes  no  crepúsculo  do  reinado  de  D.  Pedro  II,  o  Tratado  de Madrid  (1750),  obra  de  Alexandre  de  Gusmão  marca  o  ponto  alto  da diplomacia  de  D.  João  V,  seu  sucessor.  Jaime  Cortesão  assim  se  refere  a I  Alexandre  de  Gusmão:

"Reformador  e  estadista,  devem-se-Ihe  não  56  os  seus  excelentes ensaios econômicos,  sociais  e  religioso.,  mas  algumas  leis  ou  sistemas  de  leis de  tendência democrática,  como o  sistema de  capitação . para  as  minas  do  Brasil  e  a  pragmática  de  1749,  que  procurava acabar com  os excessos do  luxo e  da  ostentação e  as diferenciações de  classe  em Portugal  e Brasil.

Mas  a  sua  obra  capital,  que  o  ergue  às  alturas  dum  dos  grandes fundadores  da  nacionalidade  brasileira,  é  o  Tratado  de  Limites.  À distância  de  dois  séculos,  ele  propôs  solução  ou  resolveu  os maiores  problemas  de  formação  territorial,  viabilidade  e  segurança  do Estado  do  Brasil.  Malgrado  a  execução  do  Tratado  de  Madri  se haver  malogrado,  Alexandre  de  Gusmão  legou  para  sempre  aos brasileiros  a  consciência  e  os  fundamentos  jurídicos  do  espaço próprio e  dos seus  limites  legítimos e  inalienáveis.  (    ).

Precursor  da  geopolítica  americana;  definidor  de  novos  princípios jurídicos;  mestre  inexcedível  da  ciência  e  da  arte  diplomática, Alexandre  de  Gusmão  tem  direito  a  figurar  na  história,  como  um construtor  genial  da  nação  brasileira,  pela  clarividência  e  firmeza duma  política  de  unidade  geográfica  e  defesa  da  soberania,  que antecipam,  preparam  e  igualam  a  do  Barão  do  Rio  Branco".

(Alexandre  de. Gusmão  e  o  Tratado  de  Madrid,  Parte  I,  Tomo  II .(1735-1753), pág.446-447.

 03= PORTUGAL NA ERA RENASCENTISTA

http://arquivohistoricomadeira.blogspot.com.br/2009/04/portugal-and-renaissance-europe-john_02.html

IMPERIAL PORTUGAL AND EUROPEAN PRINTING: PROPAGANDA, EPICS, AND THE WRITING OF HISTORY

Portuguese historiography throughout the sixteenth century—royal and personal chronicles, as well as epic works—was very much shaped by the imperial atmosphere of the kingdom. Some of those authors and books achieved a considerable European following; João de Barros, Fernão Lopes de Castanheda, and André de Resende are telling examples, not to mention the celebrated Luís de Camões, author of Os Lusíadas (1572).  But many decades before the publication of Camões’s long epic poem on the voyage of Vasco da Gama (1497-1499) and the destiny of Portugal, European monarchs and other decision-makers had already understood the political uses of the Discoveries. Selected news and propaganda about Portuguese explorations were published in diverse languages (primarily Latin) and cities (chiefly Rome, the diplomatic center of Christianity), greatly enhancing the image of Portugal and its rulers at the dawn of the sixteenth century. João II (r. 1481-1495) and Manuel I (r. 1495-1521) were skillful creators of a strategy that consisted of a powerful combination of propaganda and ethnography, oratory and spectacle, and word and image.

ALMEIDA

37.  Dom Fernando de, Ad Alexandrum vi Pont. Max. Ferd: de Almeida electi Ecclesiae Septiñ: & Sereniss: Io. II. Regis portugallie oratoris oratio, Rome, 1493.

Alexander VI succeeded Innocent VII as Pope in 1492, and the text of Lucena's oration of obedience was reprinted in Rome for the occasion. King João II decided to send Dom Fernando de Almeida to Rome in order to deliver a Latin oration to the newly elected Pope as well. It was a tense moment, however.  Columbus had just returned from his first voyage, the newly elected Pope, Alexander VI, was Spanish, and the papal bull Inter caetera (1493) recognized the Catholic king's extensive claims to New World territory. The text presented in Rome by Almeida in 1493, shown here, is regarded as a political response to this difficult situation and a prelude to the Treaty of Tordesillas, signed between Portugal and Spain in 1494. JF

LUCENA

38.  Vasco Fernandes de Lucena, Valasci Ferdinandi vtriusque iuris consulti illustrissimi regis Portugallie oratoris ad Innocentium octauum pontificem maximum de obedientia oratio, Rome, 1485.

King João II (r. 1481-1495) viewed the election of a new Pope in 1485 as the perfect opportunity to inform Europe about Portuguese overseas achievements. As a result, the Andalucian Vasco Fernandes de Lucena was chosen to travel to Rome and deliver a Latin oration of obedience to Innocent VIII. This oration, which was also intended to impress the cardinals of the Consistory as well as the ambassadors of different European monarchs, was printed that same year in Rome. Lucena's oration recalled the Crown’s services to Christianity against Islam, but the most interesting section of the text relates to the Portuguese exploration of West Africa. Here, the King of Portugal, now titled “Lord of Guinea,” announces that navigation between the Atlantic Ocean and the Indian Ocean was possible and that the Portuguese were very close to entering the “Arabic Gulf.” JF

DON MANUEL

39.  Dom Manuel I, Serenissimi Emanuelis Portugallie Regis ad Julium II, Rome, 1508.

King Manuel I (r. 1495-1521) followed and enhanced his predecessor’s strategy of informing Europe, via the Pope and Rome, about Portuguese overseas achievements. In the Epistola serenissimi (September 25, 1507), Dom Manuel had announced to the world the “conquest” of the mythical Tapobrane (Ceylon) from the “Saracens.” Pope Julius II was impressed and thought of bestowing a title on the Portuguese king in the manner of the Spanish, “Catholic,” and the French, “Most Christian,” monarchs. The lettershown here is another example of Manueline propaganda. It focuses upon East Africa (where Muslim rulers were becoming Portuguese tributaries), the Red Sea (especially the island of Soqotra, which was populated by thousands of Christians), and the important Persian Gulf port of Hormuz. JF

DON MANUEL

40.  Dom Manuel I, Epistola potentissimi ac inuictissimi Emanuelis Regis Portugalie, Rome, 1513.

In this letter dated June 1513, King Manuel informs the newly elected Pope Leo X about the conquest of Malacca (identified with the legendary Aurea Chersonesum) by Governor Afonso de Albuquerque in July, 1511. The original letter was written in Portuguese, but it was not long before it was translated into Latin and became a “best-seller.” Twenty-four Latin editions were published in six different European cities during the sixteenth century, along with versions in Italian, German, Dutch, and French. In the letter, Malacca is presented as a heavily populated, extraordinarily rich city, a cosmopolitan gateway linked to the main trading centers of Asia and home to affluent merchants from far and wide. JF

 VESPUCCI

41. Europeans meet American Amazons in Amérigo Vespucci, Von der new gefunnde[n] Region die wol ein Welt genennt mag werden, durch den cristenlichen Künig von Portugall, wunnderbarlich erfunden, Basel, 1505.

In his Mundus Novus, Amérigo Vespucci first announced in print that the newly discovered lands formed a previously unknown continent.  Addressed to Lorenzo di Pier Francesco de Medici, Vespucci's report on the New World, namely Brazil, provided both novelty and entertainment for contemporary readers, as the fifty editions of this letter prove. The German title communicates the most important message—About the new region that might be called a New World, marvellously discovered by the Christian King of Portugal.  The cavalier shown in this Basel edition of 1505 can easily be identified with Dom Manuel I, King of Portugal. Dressed in armour and holding a heraldic shield, the king personifies not only the ideals of chivalry, but also leadership of the European Christian community and organizer of overseas discoveries. MSL  

DON MANUEL

42.  Dom Manuel I, Gesta Proxime per Portugalenses in India, Nuremberg, 1507.

The news about the discovery of a sea-route to India was received with great enthusiasm in Europe. Among the numerous contemporary pamphlets published on the subject, the letters written by King Manuel, especially this letter addressed to the influential Cardinal Dom Jorge da Costa, were widely disseminated across Europe. The Portuguese king describes Calicut as the main trading point in India for spices, amber, musk, pearls, rubies, and many other rarities. He also announced the discovery of Taprobane: "The isle of Taprobana that is called Ceylon, is situated at about more or less 150 miles from Calecute and it takes three days by ship to reach it from the mainland." This news heralded an important change in European patterns of trade, and the Portuguese overseas enterprise would soon exercise a strong influence as it was realized that the sea-route to India opened new areas of commerce that could not be neglected. There was a great deal of interest in the Portuguese discoveries in several German cities, as this pamphlet published in Nüremberg in 1507 demonstrates. MSL

 SPRINGER

43.  Balthasar Springer, Die reyse van Lissebone om te vare[n]na obsem eyelandt Naguarir in groot Indien gheleghen voor bi Callicuten, Antwerp, 1508.

Balthasar Springer, a commercial agent for the German trading houses of Welser and Fugger, held a special contract with the Portuguese Crown.  He sailed with the India fleet commanded by Dom Francisco de Almeida in 1505 and wrote a diary of the voyage that first circulated in manuscript and was later printed. In the first edition of 1508 his text was accompanied by splendid illustrations, most of them by Hans Burgkmair. Some of the images in this edition—such as the famous representation of Portuguese ships—had appeared earlier in other publications, namely on the title page of an edition of Vespucci's account of the "New World."  For this reason Springer's text about the East was often confused with Vespucci’s text about the West.  Although Asia, Africa, and America were geographically distant from one another, they were connected by their novelty and exotism. Unsurprisingly, the very same engraving could be used in the early sixteenth century to illustrate the New World as described by Vespucci as well as the unknown lands visited by Springer on his voyage to India. MSL

 RESENDE

44.  André de Resende, Epitome rerum gestarum in India a Lusitanis, Louvain, 1531.

André de Resende was born in Évora around 1493. After studying at the Spanish universities of Alcala de Henares and Salamanca, he traveled throughout Europe and established contacts with many renowned humanists. He settled at Louvain from 1528 to 1531, where he published his Epitome, the first work in Latin dedicated to Portuguese overseas expansion. Since 1529, when Suleyman II laid siege to Vienna, the Ottoman Turks had been seen throughout Europe as a strong menace to Christianity. Nuno da Cunha, governor of the Portuguese Estado da Índia, had recently sent an expedition to the Red Sea against this threat and André de Resende was asked to write an account of this military operation.  Resende somehow acquired a copy of news reports sent from India to Lisbon, and from Lisbon to the Portuguese factory in Antwerp, and translated them into cultivated Latin.  This Louvain edition circulated widely and another edition was published that same year in Cologne, Germany.  RML

 45.  António de Castilho, Comentario do cerco de Goa e Chaul no anno de M.D.LXX. visorey dom Luis de Ataide, Lisbon, 1573.

This work is an interesting example of the so-called “siege literature” of the Portuguese empire, exemplified by Diogo de Teive’s earlier Commentarius de Rebus in India apud Dium, (Coimbra, 1548). The author of the Comentario shown here is the jurist António de Castilho (d. 1596?), who focused on the Portuguese military deeds and ultimate victory in the simultaneous sieges in 1570 of Goa and Chaul, planned by the sultans of Bijapur and Ahmadnagar. Perhaps referring to Castilho’s Comentario, King Sebastian (r. 1557-1578, in a letter addressed to the city of Goa dated March 1573, states that he has ordered the history of the sieges to be written, “so that it could be printed and publicized all over the world.” JF

 RESENDE

46.  Garcia de Resende, Chronica dos valerosos e insignes feitos del rey Dom João II, Lisbon, 1622.

In his Chronicle of João II, the” Perfect Prince,” the courtier, poet, and chronicler, Garcia de Resende presents the first literary and psychological portrait of a Portuguese king. Instead of writing a traditional history of the reign, Resende, a writer of enormous literary skill, offers an admiring, intimate description of the man and the monarch. The Chronicle is especially valuable as a microhistory of court society observed and criticized from the inside. As a close, personal, life-long friend of João II, Resende endeavored to celebrate and honor the memory of the king while also investigating the themes of the changing values, mentalities, and material culture in Portugal initiated by exploration and expansion. This edition was heavily edited by censors sensitive to the author's numerous derogatory statements about Spain. Those passages were typically rewritten to provide a positive reading completely at odds with the Resende’s original purpose and meaning. MP

 MARIZ SOUSA SARMENTO

47. Sebastião I, king of Portugal, in Pédro de Mariz de Sousa Sarmento, Dialogos de varia historia..., Coimbra, 1594.

Mariz dedicated his life to books. He gained early experience in typography by working with his father, António de Mariz, who was publisher to the prestigious University of Coimbra. Pedro de Mariz received his degree from there as well, and secured a prominent post at the university’s outstanding library. He developed an interest in poetry and history but was particularly fascinated by personal narratives and biography. His colorful, biographical conception of history was expressed to magnificent effect in his major work, appropriately titled, Diálogos de vária história, published by his father. It is the first book in Portugal to include engraved copperplate portraits to accompany the lives of rulers. MP

 GOIS

48.  Damião de Góis, Chronica do felicissimo rei Dom Manuel, Lisbon, 1566-1567.

 

Raised at the court of Manuel I, Góis spent over twenty years in northern Europe and Italy in service to the crown. He returned to Portugal to direct the national archives, a position that gave him privileged access to documents he needed to write his chronicle of the reign of Manuel I. Although Góis preferred to use official papers, eye-witness testimony, or his own first-hand observation, he relied extensively on the chronicles of Barros and Castanheda for information on events in Africa and Asia. Indeed, this is the first chronicle of a Portuguese king that explicitly constructs the history of a reign around the dominant themes of overseas expansion and conquest. The author's strict adherence to chronology means that the narrative sometimes lacks focus and moves confusingly back and forth across vast geographical areas, addressing events rather than the specific achievements or careers of individuals. Thus, the figure of the king becomes secondary to the glorious and honorable feats realized by others during his reign. Góis was criticized for his wholly secular conception and elaboration of history and for his rigorous standards of distributing praise and blame based on merit alone, a practice that won him powerful enemies who felt the chronicle should have been a vehicle for flattery and adulation. MP

 ALBUQUERQUE

 49. Brás de Albuquerque, Commentarios do Grande Afonso de Albuquerque, Lisbon, 1576.

Brás de Albuquerque, the son of Afonso de Albuquerque, set out to glorify his father’s career as governor of India (1509-15), hoping to restore his reputation as a great Portuguese hero responsible for the creation of the Estado da Índia through the construction of key fortresses, the conquest of strategic ports, and his inspired, high-level diplomacy. The son felt that his father’s brilliance had not been adequately emphasized in the chronicles of Barros, Castanheda, and Góis, and his response was the Commentarios, a lengthy, coherent narrative based on his father’s correspondence with King Manuel I.  It is the earliest use of letters as a historical source in Portuguese historiography and Brás radically transformed this mass of material into a heroic biography, providing both a detailed record and an interpretation of Afonso’s career. Brás modeled the form and content of his work on accounts of Julius Caesar's reign. As a leader, general, strategist, and writer, Afonso was portrayed as a "Christian Caesar" or as the "Caesar of the East." The Commentaries were first published in 1557. This second edition of 1576 represents a complete rewriting of the text with Bras's single-minded focus on establishing his father’s greatness, best indicated by the change in title that adds the simple epithet, “do grande,” implying that his heroic stature was innate. MP

 FREIRE DE ANDRADA

50. Seige of Diu [Dio], formerly part of Portuguese India, in Jacinto Freire de Andrada, The life of Dom John de Castro, the fourth vice-roy of India, London, 1664.

Dom João de Castro (1500-1548), governor and fourth viceroy of India, was celebrated as the great military leader of Portugal who led the Estado da Índia to the apex of its power. His improbable victory over monsoon winds and Muslim forces at the second siege of Diu (1546) was championed by the crown in numerous official publications in Latin, Italian, and French. Contributing to this infectious, enduring cult of personality, Jacinto Freire de Andrada (1597-1657) published a biography in 1651. This was translated into English in 1664 by Peter Wyche, a testimony to the international fascination surrounding this remarkable figure. MP

 LOPES DE CASTANHEDA

 51. Naval battle off Khambhat, India, in Fernão Lopes de Castanheda, Historia do Descobrimento & conquista da India pelos Portugueses, book 1, Coimbra, 1551.

52.  Fernão Lopes de Castanheda, Histoire de Portugal, contenant les entreprises, nauigations, & gestes memorables des Portugallois, tant en la conqueste des Indes Orientales par eux descouuertes, Paris, 1581.

Fernão Lopes de Castanheda’s History of the Portuguese Discovery and Conquest of India ranks among the most important chronicles of early Portuguese expansion in Asia. The author (d. 1559) left his country as a young man in 1528 to serve as a scribe in Goa. After returning to Portugal in 1538, he became an administrative officer at the University of Coimbra, where he remained until his death. Making use of his rich personal experience and of knowledge gathered from documents and eye-witness accounts from Goa, Castanheda set out to write a chronicle of the Portuguese deeds in Asia beginning with the voyage of Vasco da Gama. His work, divided into ten books covering roughly five years each, is less marked by humanistic conventions than other works of the day, although Castanheda does cite classical authors, and his ethno-geographical descriptions are generally more vivid, though less polished, than those in Barros’ Asia. The first book of the Historia, dealing with events from 1497 to 1504, was printed in Coimbra in 1551. Only a few copies of this edition survive, and a corrected version was issued in 1554. Castanheda’s Historia was among the most widely circulated and translated Portuguese chronicles. The French adaptation shown here, prepared by Simon Goulart and printed in Paris in 1581, includes a translation of Jerónimo Osorio’s De Rebus Emmanuelis Gestis (1571). There were also Castilian, German, and English translations of Castanheda in the sixteenth century. ZB

 BARROS

53.  Portrait of João de Barros, in Manoel Severim de Faria, Discvrsos varios politicos ... , Evora, 1624.

BARROS

54.  João de Barros, L’Asia, Venice, 1561.

João de Barros (c.1496-1570), court Humanist and chief administrator of the Casa da Índia at Lisbon, wrote a number of successful works including a chivalric romance, Clarimundo, and several treatises on Portuguese grammar, morals, and related subjects. His magnum opus, Da Ásia, is generally referred to as Décadas da Ásia, because it follows the structure of Livy’s Decades of the Roman Empire. Barros was one of the first Europeans to develop an interest in Asian history and geography, and in his writing he made use of a wide array of sources he had gathered together in his office, as he never traveled abroad. These included books purchased in the East by agents of the Portuguese crown—Arabic and Persian chronicles, Chinese geographical works, and Indian palm leaf manuscripts. Although Barros's annotated copy of Ptolemy's Geografia has been lost, a number of his elaborate ethno-geographic descriptions survive in  Ásia.  In contrast with Castanheda, Barros styled himself as a "cabinet author" who based his knowledge on a critical appreciation of the sources, rather than on personal experience. The first two Decades, dealing with the Portuguese expansion up to 1515, were printed in Lisbon in 1552-1553, shortly after Lopes de Castanheda started publishing his rival History. The third Decade came out in 1563, and a fourth, posthumous, volume saw the light in Madrid in 1615. The first two Decades were translated into Italian by Alonso de Ulloa and printed in Venice in 1562. To this day, there is still no English translation of Barros’s work. ZB

 55.  LUÍS DE CAMÕES, OS LUSÍADAS, LISBON, 1572.

The Lusiads is one of the great books of Western literature and the most famous literary work in the Portuguese language. This epic poem in ten cantos combines history, current events, mythology, and imagination. The story, written while Camões was serving in Portuguese India as a soldier from 1553-1570, recalls Vasco da Gama’s 1497-1499 voyage to India with flashbacks, narrative, a long speech recounting the history of Portugal, interventions of classical gods, dreams, prophesies, and erotic visions. Approximately forty copies of the first edition exist today and the copy shown here is one of the first to be printed, having the pelican at the top of the page facing the reader’s right.  (For lovers of bibliography, this is the so-called "E" edition, similar to copies at the Hispanic Society of America and Yale University.  However, it is unlike the “E” copies at Harvard and University of Texas at Austin, which have the corrected “CANTO SEGUNDO” on folio 23. The copies with the uncorrected “CANTO PRIMEIRO,” such as this JCB copy, are now thought to be among the first copies printed.) KDJ

 CAMOES

56.  Portrait of Camões in Luís de Camões, The Lusiad, or Portugals historicall poem, London, 1655.

Camões lost an eye to a splinter during the period from 1546 to 1549 when he fought in the campaign in Africa.

 The first English translation of “Lewis Camoen's” Lusiad was done by Richard Fanshaw (1608-1666) who was educated at Cambridge and appointed English ambassador to Portugal and then Spain. Another English translation would not be done for more than a century. Fanshaw was a Latinist who also translated Giovanni Battista Guarini’s Il Pastor Fido (1590)—The Faithful Shepherd, (1647)—and selected Latin poetry and epitaphs. His translation of Camões uses a six-line stanza followed by a final couplet, rhymed ABABABCC. KDJ

 SOURCE     JOHN CARTER BROWN LIBRARY  .  Copyright

Exhibition prepared by Henrique Leitão [HL], Kenneth David Jackson [KDJ], Marília dos Santos Lopes [MSL], Mario Pereira [MP], Rui Manuel Loureiro [RML], Timothy Walker [TW], and Zoltán Biedermann [ZB], under the direction of Jorge Flores, Department of Portuguese and Brazilian Studies, Brown University.

   http://www.brown.edu/Facilities/John_Carter_Brown_Library/Portugal/Imperial.html 


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Darcy Carvalho,
24 de fev de 2014 12:20
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Darcy Carvalho,
24 de fev de 2014 12:55
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24 de fev de 2014 08:39
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24 de fev de 2014 12:04
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Darcy Carvalho,
26 de jul de 2014 06:22
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Darcy Carvalho,
24 de fev de 2014 12:11
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Darcy Carvalho,
8 de ago de 2014 13:52
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Darcy Carvalho,
16 de set de 2014 10:05
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Darcy Carvalho,
30 de ago de 2014 09:19
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