13.1 Sintaxe dos Casos. Nominativo e Vocativo

SINTAXE DOS CASOS. PROF. DR. DARCY CARVALHO. SÃO .SP.  BRASIL
Contents: 01, 02, 03, 04

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NOTA SOBRE A IMPORTÂNCIA DE ESTUDAR A  SINTAXE DOS CASOS  LATINOS
Bibliografia.  Gramática de Mendes de Aguiar e Gomes Ribeiro (3a ed., 1925)

 

233. Ampliando o que já  dissemos dos casos, em noções preliminares, exporemos a sintaxe dos elementos da proposição, visto como na flexão casual se radicam as funções várias que um nome pode exercer no discurso. Os casos conservam, no latim clássico, quase toda a força que tinham nas primitivas línguas indo-européias. Os próprios advérbios, que se destinavam a exprimir certas cambiantes do pensamento e relações mais definidas, receberam um valor transitivo e tornaram-se preposições que, por sua vez, exigiram casos. Na exposição metódica dos casos, teremos, pois, a explicação das várias ordens de dependência que entre si guardam os elementos que compõem uma cláusula oracional. Às conjunções caberá o papel de informar-nos qual a interdependência observada de oração a oração.

Há funções gramaticais que podem ser expressas por mais de um caso. No momento oportuno chamaremos a atenção para este fato. Na exposição desta matéria, obedeceremos à ordem seguinte:

nominativo, acusativo, dativo, genitivo, ablativo, locativo, vocativo. Procedendo assim, começará o nosso estudo pelos elementos essenciais da proposição, passando depois aos secundários e acidentais.

 

 

CAPÍTULO II.  SINTAXE DO CASO NOMINATIVO
Bibliografia.  Gramática de Mendes de Aguiar e Gomes Ribeiro (3a ed., 1925)

 

234. O nominativo é o caso pelo qual se designam os nomes, sem implicar a idéia de qualquer construção. V.g. :

 

Quid est ei homini nomen? - Leno Ballio ; que nome tem este homem? - Balião o alcoviteiro.

 

235. O sujeito de uma oração do modo finito, quer seja substantivo, pronome, ou adjetivo substantivado, coloca-se no nominativo. V.g.:

 

Deus est; existe um Deus. Sapiens nunquam mentitur; o sábio não mente nunca.

 

Veremos em seu lugar que as proposições infinitivas se afastam dessa regra, pelo menos aparentemente.

 

236. O nominativo é ainda o caso do predicativo que acompanha o verbo sum. V.g.:

 

Gloria est consentiens laus bonorum, glória é o louvor unânime dos bons.

Capti praeda militum fuerunt ; os cativos foram a presa dos soldados.

 

Note-se por este último exemplo que o substantivo, com função de predicativo, pode discordar do sujeito em gênero e número.

 

237. Além do verbo sum, tem frequentemente o predicativo no mesmo caso do sujeito os verbos de ação imanente, como: existo, evado, fio, eo, appareo, maneo, morior, nascor, intereo, e os passivos

dicor, nominor, habeor, videor, creor e outros que na voz ativa pedem no acusativo o predicativo do objeto direto. V.g.:

 

Vestra vero quae vita dicitur mors est ; O que se diz ser vossa vida é morte.

Videris mihi bonus, pareces-me bom.

 

238. Aposto a um pronome oculto, o nominativo equivale às vezes a uma circunstância de tempo. V.g.:

 

Puer haec feci, fiz isto, quando menino. 

Non eadem volo senex quae puer volui ; não quero, quando velho, o mesmo que quis, quando menino.

 

239. Às vezes serve de aposto a uma frase inteira. V.g.:

 

 Diadema attuleras domo, meditatum et cognitatum scelus; tinhas trazido de casa um diadema, crime preparado e meditado.

 

240. Se o substantivo que serve de aposição é acompanhado do verbo dico, pode colocar-se no acusativo como objeto de dico, ou no mesmo caso do nome a que serve de aposto. V.g.:

 

Superiores, Crassum dico et Antonium ; os predecessores, digo Crasso e Antonio.

Hesternus dies nobis, consularibus dico, turpis illuxit ; o dia de ontem surgiu lúgubre para nós, quero dizer, para os consulares.

 

OBSERVAÇÕES. O nominativo, enquanto nominativo puro, substitui por vezes o vocativo; não raro figuram um ao lado do outro.  Hajam vista os seguintes exemplos de Plauto:

 

Meus ocellus... mi anime. Mi Libane, ocellus aureus.

 

Na verdade podemos considerar o vocativo como um uso especial do nominativo, ou seja, os dois casos são na verdade um só, com a única exceção dos nomes masculinos da segunda declinação terminados em us no nominativo, que mudam o us em e , no vocativo.  Os exemplos acima mostram que mesmo esta regra pode ser violada. V.g: Deus, Deus meus , quia me non adjuvas?

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CAPÍTULO VIII. SINTAXE DO CASO VOCATIVO

 371. Os nomes das pessoas a quem se fala, das pessoas e das coisas que se interpelam, colocam-se no vocativo, caso que, na forma e na significação, é muito semelhante ao nominativo. O vocativo emprega-se só, ou com uma interjeição. O adjetivo só, no vocativo, encontra-se nos poetas. V.g.:

Quo tu, turpissime? ; para onde vais tu, feiarrão?

 372. Também o pronome pessoal se emprega frequentemente no vocativo, confundindo-se por vezes com o próprio nominativo, sobrtudo quando se lhe segue o imperativo. Em todo o caso, parece mais lógico dizer-se que o pronome supõe oculta a segunda pessoa, a qual seria o verdadeiro vocativo. V.g.:

Vos quae responderit Alphesiboeus, dicite, Pierides; vós, ó Musas, dizei o que terá respondido Alfesibeu.

 373. Entre os cômicos, e mesmo em Vergílio, é freqüente o uso do pronome indefinido com o imperativo.   V.g.:

Aperite aliquis ; abra alguém.

Exoriare aliquis nostris ex ossibus ultor; surja dos nossos restos algum vingador.

 374. A interjeição o, freqüente nos poetas, somente se usa em prosa nas exclamações. V.g.:

O tenebrae, o lutum, o sordes, o paterni generis oblite; ó trevas, ó lodo, ó imundície, ó esquecido da ascendência paterna.

375. Entre os poetas, o nominativo faz não raro as vezes deMvocativo. V.g.:

Almae filius Maiae! ; ó filho de Maia criadora!

Adsis laetitiae Bacchus dator et bona Juno; acode ó Baco, portador da alegria, e tu, ó boa Juno.

Vos, o Pompilius sanguis ; vós, ó descendência de Pompílio.

376. É freqüente, no nominativo, um nome aposto ao vocativo. V.g.:

Nutritus duro, Romule, lacte lupae (prop.); ó Rômulo, nutrido com o forte leite de uma loba.

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