03 A Língua Latina estudada com a Internet . Uma introdução ao latim moderno recente

A LINGUA LATINA ESTUDADA COM A INTERNET. PROF. DR. DARCY CARVALHO. FEA-USP. SÃO PAULO. BRAZIL. 2019. UMA INTRODUÇÃO AO LATIM MODERNO RECENTE

Learning Latin the easy way. How to study Latin with the Internet.

Whoever is studying or willing to study Latin or another idiom without a teacher  must know that the most precious friends and companions in our study of languages are the Lexilogos multilingual keyboard, found at  https://www.lexilogos.com/keyboard/latin.htm  and the Google Translator. The translator is already excellent as a dictionary for lists of words and  it keeps improving everyday its capacity to translate or retrovert simple Latin texts. Microsoft Windows makes available keyboards for the main languages of the world, that can be used in their virtual face. To access virtual keyboards, just open a text in the desired language, press the windows bottom and write keybord. 

All adults who wish to learn to think, read and write in modern Latin, without the help of a teacher, need first some dictionaries and an elementary Latin grammar, such as those used in secondary schools around the world. The first goal should be to understand the mechanism of declensions of nouns and adjectives and the conjugations of Latin verbs. Numerals and invariant words, prepositions, conjunctions, adverbs, and interjections pose no problem and must be learned immediately. At the same time as they assimilate the elements of Latin morphology, they must already start reading Latin authors published in direct order and translated into a vernacular language. This method of study is old, it was invented by Locke and diffused by Hamilton, but it was not followed, unfortunately, in the Brazilian gymnasia where the teaching of Latin was not intended to teach it as a living language capable of current and general use. Latin texts published in direct order with juxtalinear translations  exist in all languages. As for the contemporary vocabulary, the student must learn to find it in the vernacular languages themselves and in English. Latin words constitute 90 percent or more  of the vocabulary of the Neolatin languages and 65 per cent of the English lexicon. Remember that in Botany, Medicine and Law Latin is studied in an objective and practical way out of  professional necessity. By Utilitarian Latin we will understand this method to quickly learn the modern Latin language. The term was employed by Jean Bayet. Although Latin is no longer a language of everyday use, Latin phrases and sayings abound in all modern languages, serving us as excellent study material.

Todos os adultos que desejam aprender a pensar, ler e escrever em latim moderno, sem auxílio de professor, necessitam primeiramente de alguns dicionários e de uma gramática latina elementar, como as utilizadas nas escolas secundárias de todo o mundo. O objetivo primeiro deve ser entender o mecanismo das declinações dos substantivos e adjetivos  e as conjugações dos verbos latinos. Os numerais  e as palavras invariáveis,  preposições, conjunções, advérbios e interjeições não representam nenhum problema e devem ser aprendidos imediatamente. No mesmo tempo em que assimilam os elementos da morfologia latina, devem já ler autores latinos publicados em ordem direta e traduzidos para uma língua vernácula. Este método de estudo é antigo, foi inventado por Locke e difundido por Hamilton, mas não foi seguido, infelizmente, nos ginásios brasileiros, onde o ensino do latim não tinha por finalidade ensiná-lo como língua viva capaz de uso hodierno e geral. Textos latinos com tradução linear e publicados em ordem direta existem em todas as línguas. Quanto ao vocabulário, o estudante tem de aprender a encontrá-lo nas próprias línguas vernáculas neolatinas e no inglês. Lembrar que em Botânica, Medicina e no Direito o latim é estudado de modo objetivo e prático por necessidade profissional. Por latim utilitário entenderemos este método para aprender rapidamente  latim moderno. Mesmo não sendo mais o latim  um idioma de uso corrente, frases e provérbios latinos  abundam nos idiomas modernos, servindo-nos de excelente material de estudo.

Phrases et proverbia Latina quae supervivunt in linguis modernis

A posteriōri. A priōri. Ab altĕro expectes, altĕri quod fecĕris. Ab ovo usque ad mala. Ab urbe condĭta. Ad hoc. Ad libĭtum. Ad majōrem dei gloriam. Alea jacta est. Alma mater. Alter ego. Amīcus certus in re incertā cernĭtur. Amīcus Plato, sed magis amīca verĭtas. Amōrem canat aetas prima. Aquĭla non captat muscas. Ars longa, vita brevis. Audiātur et altĕra pars. Aurea mediocrĭtas. Auri sacra fames. Aut Caesar, aut nihil. Ave Caesar, <Imperātor,> moritūri te salūtant. Bellum omnium contra omnes. Carpe diem. Cetĕrum censeo Carthagĭnem esse delendam. Cibi, potus, somni, venus omnia moderāta sint. Citius, altius, fortius! Cogĭto, ergo sum. Consuetūdo est altĕra natūra. Credo. Cujusvis homĭnis est errāre; nullīus, sine insipientis, in errōre perseverāre. Curricŭlum vitae. De gustĭbus non est disputandum. De jure. De facto. De mortuis aut bene, aut nihil. Divĭde et impĕra. Docendo discĭmus. Ducunt volentem fata, nolentem trahunt. Dum spiro, spero. Dum vitant stulti vitia, in contraria currunt. Dura lex, sed lex. Epistŭla non erubescit. Errāre humānum est. Eruditio aspĕra optĭma est. Est modus in rebus. Ex libris. Ex ungue leōnem. Exempli gratiā (e.g.). Feci, quod potui, faciant meliōra potentes. Femĭna nihil pestilentius. Festīna lente.(speude bradeōs). Fiat justitia et pereat mundus. Fiat lux. Finis corōnat opus. Gaudeāmus igĭtur juvĕnes dum sumus. Gutta cavat lapidem non vi sed saepe cadendo. Habent sua fata libelli. Hoc est (h.e.). Homo novus. Homo sum: humāni nihil a me aliēnum puto. Honōres mutant mores. Honōris causā. Ignorantia non est argumentum. Malum nullum est sine alĭquo bono. Manus manum lavat. Memento mori. Memento quia pulvis est. Mens sana in corpŏre sano. Multos timēre debet, quem multi timent. Mutātis mutandis. Nam sine doctrinā vita est quasi mortis imāgo. Ne quid nimis! Nomen est omen. Non est discipǔlus super magistrum. Non olet pecunia. Nosce te ipsum. gnōthi seauton. Nota bene! (NB!). Nulla dies sine lineā. O tempŏra! O mores! O, sancta simplicĭtas! Omnia mea mecum porto. Omnia vincit amor et nos cedamus amori. Omnis ars imitatio est natūrae. Optĭmum medicamentum quies est. Panem et circenses. Parturiunt montes, nascētur ridicŭlus mus. Parva leves capiunt animos. Per aspĕra ad astra. Per fas et nefas. Pereant, qui ante nos nostra dixērunt. Pericŭlum in moro. Persōna (non) grata. Post factum. Post scriptum (P.S.). Pro et contra. Prosit! Qualis rex, talis grex. Qui non labōrat, non mandūcet. Quid pro quo. Quia nomĭnor leo. Quidquid agis, prudenter agas et respĭce finem. Quo vadis? Quod erat demonstrandum (q.e.d.). Quod licet Jovi, non licet bovi. Repetitio est mater studiōrum. Salus popŭli — suprēma lex. Salus popŭli suprēma lex. Sapĕre aude. Sapienti sat. Scientia est potentia. Scio me nihil scire. Semper homo bonus tiro est. Sero venientĭbus ossa. Sic transit gloria mundi. Sine irā et studio. Sint ut sunt aut non sint. Sit tibi terra levis (STTL). Sit venia verbo. Solus cum solā non cogitabuntur orāre «Pater noster. Status quo. Sub rosā. Sub specie aeternitātis. Sublatā causā, tollĭtur morbus. Suum cuīque. Temerĭtas est florentis aetātis. Terra incognĭta. Tertium non datur. Trahit sua quemque voluptas. Transeat a me calix iste. Tu vivendo bonos, scribendo sequāre perītos. Ultĭma ratio regum. Ultra posse nemo obligātur. Urbi et orbi. Vade mecum. Vae victis. Veni, vidi, vici. Veto. Vim vi repellĕre licet. Virtūtem primam esse puta compescĕre linguam. Vita sine libertāte nihil. Vivĕre est cogitāre. Vivĕre est militāre. Volens nolens. SOURCE :

http://graecolatini.bsu.by/htm-proverbs/proverbs-latin-class-scholars-ru.htm

 

 

Latim moderno e Latim Hodierno ou Recente

A língua latina, tal como foi escrita do alvorecer da era moderna, ou seja, a partir do ano 1300 até 1800, denominaremos latim moderno, neo-latim ou neolatino, em francês néo-latin, em inglês Neo-Latin, entre os alemães, Neulatein. O latim moderno surgiu como uma tentativa de recuperar o latim clássico pela reintrodução no latim medieval do século XIV, na Itália, a disciplina gramatical, a ortografia e o vocabulário dos grandes autores da época áurea augustana, César, Cícero, os historiadores e os grandes poetas. A dissolução do Império Bizantino, durante o século XV, consolidou o processo com a comunicação do acervo de obras gregas e latinas conservadas em Constantinopla ou continuamente redescobertas nos mosteiros de toda a Europa. O que começara como esforço circunscrito à literatura latina da Renascença teve consequências importantissimas na criação de um latim moderno não-literário, vocabularmente amplo e completamente independente de preocupações beletristas,  capaz de aplicação em todas as áreas do conhecimento humano, na geografia, na astronomia, na economia, e na área das relações internacionais. 

Aprender a ler e escrever neste latim moderno não é aspiração impossível e deveria ser o desiderato de todos os acadêmicos preocupados com a nossa herança intelectual ocidental.   A alegada pobreza vocabular do latim clássico não existe no latim moderno. A possibilidade de criação de neologismos na língua latina sempre existiu e foi intensamente explorada nestes últimos cinco séculos de uso prático e científico do neolatim, como fica demonstrado por Hans Hellander em seu artigo On Neologisms in Neo-Latin , escrito para a Encyclopaedia of the Neo-Latin World da editora holandesa Brill, disponibilizado para download, com adições e extra ênfase em detalhes cruciais. 

Extremamente elucidador, este artigo complementa estudos anteriores pioneiros de IJsewin 1988 II: 382ff ( pp 386 : sobre neologismos) e o dicionário de René Hoven da Universidade de Liège: René Hoven. Lexique de la prose latine de la Renaissance. Dictionary of Renaissance Latin from prose sources. Deuxième édition revue et considérablement augmentée/ Second, revised, and significantly expanded edition. Avec la collaboration de/ Assisted by Laurent Grailet.Traduction anglaise par/English translation by Coen Maas.Revue par/Revised by Karin Renard-Jadoul. Leiden. Brill, que existe on-line.

De Latine dicendi normis quas scriptores recentiores (vel neoterici) servasse videntur. Auctore Terentius Tunberg

      Quamvis imperium Romanum in Europae regionibus ad occidentem spectantibus saeculo post Christum natum quinto exstinctum esset, homines docti, qui eas regiones incolebant, res maioris momenti sermone Latino usque ad saeculum duodevicesimum tractare pergebant.  Tantum igitur per temporis spatium lingua Latina florebat: quae ne nostro quidem saeculo ad interitum adducta est - aliquot enim adhuc homines Latine scribunt loquunturque. At inde a saeculo quinto sextove post Christum natum nullius gentis propria est lingua Latina: nemo latinitatem, ut ita dicamus, una cum lacte materno bibit.  

Nam verae latinitatis fontes, quamvis nullo saeculo non fuerint homines, qui Latine loquebantur et scribebant, inde ab ultimis scriptoribus Romanis usque ad vitam nostram semper in libris et litteris reperiuntur.  Quam ob causam, etsi novis additis vocabulis et veterum vocum sensibus hinc illinc auctis ad res et cogitationes semper accommodabatur novas hominibusque antiquis inauditas, multo tamen minus mutabatur lingua Latina quam linguae vernaculae.  Exeunte autem medio illo aevo, quod vocatur, hoc est saeculo quarto decimo et ineunte quinto decimo, ad singulas artes et disciplinas scholasticas tantopere accommodabatur lingua Latina ut theologorum, dialecticorum, legistarum, modistarum (ea nomina illis saeculis ad tales scholasticos nominandos adhibebantur) sermones a compage et constructione verborum apud veteres auctores conspicua magis magisque declinare coeperint.  

Periculum erat ne sermo Latinus in tot latinitates evaderet, quot tum erant disciplinae scholasticae.  Alii vero, qui studia humanitatis profitebantur eamque ob causam ‘humanistae’ appellabantur, quorum secta et persuasio primum in Italia iisdem illis annis exorta est, hoc periculum luce clarius perspexerunt.  Qui cum hac de causa, tum ob alias causas, suos aequales sedulo et impigre hortabantur ut normae Latine scribendi et dicendi ad veterum auctorum, hoc est classicorum, qui ita nominantur, usum revocarentur. Quorum vestigiis institerunt plerique omnes, qui Latine scribentes saeculis insequentibus inclaruerunt, quamquam voces aliquot et locutiones medio illo aevo exortae numquam penitus sunt sublatae, apud eos praesertim qui ius vel theologiam profitebantur.

Nonnulli autem credere volunt, quos inter numerantur quidam rerum gestarum vel peritissimi,[1] linguam Latinam totum per medium aevum quodammodo ‘vivam’ fuisse: at studiorum humanitatis fautores omnia genera scribendi et loquendi ad exempla veterum Romanorum et praecipue Ciceronis revocantes sermonem Latinum ad interitum redegisse.  

[1] Conspicua est talis sententia in opere quod scripsit H. Rashdall, quod The Universities of Europe in the Middle Ages inscribitur  (tom. III, pp. 343 – 344).  Editionem recentiorem laudamus, quam paraverunt  F. M. Powicke et A.B. Emden  (Oxonii, 1987).

Tantum autem abest ut eam sermonis curam a studiorum humanitatis fautoribus adhibitam litteris Latinis exitio fuisse credamus, ut linguam Latinam propter normas dicendi ab humanitatis studiosis restitutas multo diutius in usu mansisse affirmare audeamus. Cuius rei documenta cum multis e fontibus elucent, tum praecipue in libro inveniuntur optimo, quem his novissimis annis composuit Iosephus IJsewijn, professor Lovaniensis.[2] 

2] In libro qui inscribitur Companion to Neo-Latin Studies, tom. I (Lovanii, 1990), pp. 41- 43.

Paucissimi quidem Ciceroniani, qui tunc vocabantur, et extremarum partium sectatores, omnem sermonem Latinum dictis et locutionibus Ciceronis et eius aequalium circumscribere cupiebant: at plerique scriptores qui aut litterarum renascentium aetate aut saeculis etiam recentioribus floruerunt, ut maximi Ciceronem, maximi Caesarem aestimabant permultaque ex his duobus sibi desumebant, ita tamen verba et locutiones ex aliis Latinitatis auctoribus antiquis, vel ex iis qui Ciceronis aetate floruerant, vel ex iis qui sub imperatoribus vixerant, libenter sunt mutuati.[3] 

[3] T. O. Tunberg, “Ciceronian Latin: Longolius and Others,” in commentariis quibus titulus Humanistica Lovaniensia 46 ( 1997), 13 - 61, et R. Sabbadini, Storia del ciceronianismo e di altre questioni letterarie nell’ età della rinascenza (Augustae Taurinorum, 1885).

Quorum perpauci, si res antiquis hominibus inauditas tractandi necessitas inciderat, a vocibus posterioris latinitatis adhibendis aut novis fingendis prorsus abhorrebant.[4]  

[4] M. Benner et E Tengström, On the Interpretation of Learned Neo-Latin, Studia Graeca et Latina Gothoburgensia 39 (Gothoburgiae, 1977) et L. Olschki, Geschichte der neusprachlichen wissenschaftlichen Literatur, duo tomi (Lipsiae 1922).

Ex hoc linguae Latinae usu communi sunt exorta commoda nonnulla. Omnes enim eloquentiae candidati normas Latini sermonis, utpote quae apud eos auctores, qui a tempore Ciceronis usque ad Quintiliani aetatem floruissent, magnam partem invenirentur,[5] haud magno negotio discere et agnoscere poterant.  

[5] Illis enim saeculis eloquentiam Romanam maxime viguisse opinatus est Laurentius Valla. Qui quidem ut haec eloquentia iterum aetate sua (saec. videlicet XV post Christum natum) floreret, opus illud maximum condidit, quod Elegantiarum linguae Latinae libri sex inscribitur.  Quid de auctoribus antiquis imitandis senserit Valla nemo accuratius ostendit quam A. Casacci, in opusculo, c. n. “Gli ‘Elegantiarum libri’ di Lorenzo Valla,” in ephemeride Atene e Roma, 2 ser., 7 (1926), pp. 187-203.

Exceptis quibusdam altercationibus, quae ineunte aetate litterarum renascentium inter 'Ciceronianos' et 'Apuleianos' et alios extremarum partium sectatores ortae sunt, consensus quidam de dicendi normis inter doctos homines fuisse videtur.[6] 

[6] Benner et Tengström (op. cit. ann. 4); Olschki (op. cit. ann. 4).

 Quocirca, quamvis linguae vernaculae ad artes liberales et ad disciplinas in academiis tractandas magis magisque usurparentur, linguae Latinae usus communis diu perstabat.[7]

[7] Itaque inter eos, qui sermone Latino utebantur, quamvis alius alia gente oriundi essent, communis quaedam res publica Latine scribentium multa saecula exstitisse videtur.  Nam etsi suam quisque quasi formam figuramque dicendi expressit, plerique omnes de compage et constructione verborum, de loquendi normis, de dicendi formulis consentiebant.  Quo consensu quidni adhuc gaudeamus?  Si de Latinitate, hoc est de normis vel legibus incorrupte loquendi observandis consenserint omnes, alii alios Latine loquentes quacumque gente ortos quam facillime intellegent.  Lingua enim Latina si ullius gentis civitatisque tandem propria fuerit, in rem prorsus aliam mutetur sermonis communis utilitatem amissura.

Linguae Latinae usus etsi haud umquam funditus sublatus valde tamen his tribus saeculis novissimis minutus est.  Nam in Italia ipsa – ut terram illam intueamur, ubi studia humanitatis saec. XIV ad vitam, ut ita dicamus, primo sunt revocata – eruditi homines iam ineunte saeculo sexto decimo a consuetudine Latine loquendi et scribendi desciscere coeperunt, linguaque vernacula, praesertim sermo Tuscus, in linguae Latinae locum magis magisque apud eos substituebatur. Aliis in regionibus, velut in Scandinavia, velut in Batavia, multo diutius, hoc est in saeculum duodevicesimum, etiam in undevicesimum usque, Latine loqui et scribere pergebant docti et eruditi homines.[8] 

[8] Companion (ann. 2), ibid.: I. IJsewijn, "Latin Literature in Seventeenth-Century Rome," in commentariis quibus titulus Eranos 93 (1995), 78-99; inspiciatis et alium librum, cui titulus  A History of Nordic Neo-Latin Literature, ed. M. S. Jensen (Odense 1995), in quo tractatur, recensetur, describitur consuetudo Latine scribendi, quae in regionibus septentrionalibus diutissime permansit.

Nos igitur, quicumque aetate nostra Latine loqui scribereve cupimus, si quot et quales in litteris Latinis recentioribus fuerint progressus considerare voluerimus, aliquid utile discere poterimus: ipsos videlicet litterarum renatarum praeceptores et alios, qui eorum vestigiis institerint, specimina nobis sermonis Latini tradidisse, qui non solum ad commercia scholastica, sed etiam ad cottidiana et familiaria accommodari posset. 

Haud sane fieri potest ut omnia verba et omnes locutiones, praesertim familiariter colloquentium et confabulantium, a Cicerone et Caesare solis expetantur – quamquam hos duos tamquam principes constituere volumus, id quod bonarum litterarum praeceptores semper factitaverunt.  Permulti autem, qui soluta oratione scripserunt, iique Romani et antiqui, quales sunt Seneca, Quintus Curtius, Plinius Iunior, Quintilianus, alii multi, etiam poetae,[9] praesertim Horatius et Ovidius, locutiones nobis verbaque apta praebent, quae nec apud Ciceronem nec apud Caesarem leguntur. 

[9] Nam loci e poetis electi colloquiis familiaribus nonnumquam conveniunt.

 At his locutionibus haud facile carebimus (quippe quibus verborum ubertas et volubilitas permultum augeantur), si copiam quandam verborum et locutionum in promptu habere voluerimus quibus quaelibet mentis sensa non solum expedite, sed etiam eleganter exprimamus.  

Non alia praecepta apud eloquentiae praeceptores optimos leguntur, qui inde ab aetate litterarum renatarum floruerunt. Testis advocetur Marcus Antonius Muretus, qui anno 1526 in Gallia stirpeque Gallica natus postea summum locum inter oratores Italos meritus est.  Haec sunt eius verba:

“Adhibebo iudicium, habebo dilectum (sic), et cum ex iis potissimum, qui antiquitatis  ipsi principes visi sunt, Cicerone, Caesare, Terentio, aliis, quam plurima sumpsero, cum orationis meae genus ad eorum exemplar, quam maxime potuero, conformaro, ex aliis quoque bellissimum quodque carpam, et, quo quisque maxime excelluisse videbitur, id imitari atque exprimere conabor: neque in iis modo, quos paulo ante nominavi, sed in Tertulliano, Arnobio, Hieronymo, Augustino, Ambrosio, et, quod magis mireris, Appuleio, Cassiodoro, Martiano etiam et Sidonio Apollinari multa reperiam, quibus suo loco positis oratio uberior et ornatior fiat.”  Et alibi, sed eodem in opusculo haec leguntur verba: “Diu et ipse in eo errore versatus sum, ut nisi qui aut Ciceronis aetate aut paulo ante vixissent aut certe illi aetati suppares fuissent non satis dignos esse arbitrarer, quorum exemplo, qui Latine aut scribere aut loqui vellent, niterentur. Sed postea, re tota mecum accuratius considerata, visus ipsi mihi sum nimio plus mihi sumere, qui de Seneca, Livio, Valerio, Celso, Quinctiliano, Columella, utroque Plinio, Tacito, Suetonio, Velleio, Q. Curtio, Lactantio aliisque eiusmodi scriptoribus ... temere pronuntiare auderem … Etiamsi hoc demus, novata esse multa ab iis, qui post Ciceronem fuerunt, quid caussae est cur ea reiicere debeamus? ... Equidem existimo Ciceronem, si ad Quinctiliani et Plinii et Taciti tempora vitam producere potuisset, et Romanam linguam multis vocibus eleganter conformatis eorum studio auctam ac locupletatam vidisset, magnam eis gratiam habiturum atque illis vocibus cupide usurum fuisse.”[10] 

10] In libro XV Variarum lectionum, et in Tom. III librorum seriei, qui inscribuntur M. Antonii Mureti opera omnia, ed. C. H. Frotscher, Tom. I, Tom. II, Tom. III (Lipsiae, 1834-1841), pp. 328, 332.  Ut unum aliud exemplum afferamus, legantur dicta Ioannis Sturmii, grammatici praeclari et lyceorum conditoris, quo vix quisquam studia humanitatis inter Germanos vehementius saec. XVI propagavit. “Primus labor,” inquit Sturmius, “Ciceroni tribuatur, et quod huic deest, id conquire aliunde.”  Et paulo postea eodem in libello haec verba addit Sturmius: “Quod vero deest, id ab aliis non accipere… dementia est” ( Ioannis Sturmii ad Werteros fratres nobilitas literata [Argentorati, per Wendelinum Rihelium, 1549]. f. 35r – 36r. ).

Inveniebantur quidem initia ac fundamenta omnis eloquentiae, qua florebant recentiores, in constructione verborum, in locutionibus, in vocibus, quae apud Ciceronem, Caesarem, Livium, Plinium, alios auctores probatos sunt conspicuae: at diligenter quoque sunt legenda opera ipsorum neotericorum, qui veterum auctorum linguam ad res et ad cogitata nova bene accommodaverint. Audiantur verba Ioannis Georgii Walchii grammatici litterarumque Latinarum periti, qui ineunte saec. XVIII floruit.

“…recentiores cum veteribus coniungendos esse existimo, partim ut cognoscamus quomodo illi veteres sint imitati et facilius percipiamus ea adplicare et ad usum quendam adferre, quae in ipsa Latinitate profecimus; partim, quia recentiores auctores maiori (sic) suavitate voluptateque leguntur, quam vetustiores, quoniam argumenta illorum tempori atque ingenio nostro magis sunt adcommodata….”[11]

[11] In opere cui index Io. Georgii Walchii Historia critica Latinae linguae (Lipsiae, sumptu Io. Friderici Gleditschii et filii, 1716), p. 268.

Quamvis igitur compages et constructio verborum atque dicendi formulae eaedem apud nos permaneant, quae apud veteres auctores, et apud recentiores, qui quidem antiquos imitati sint, crebro reperiantur, vocabula tamen nobis vel recentissima nonnumquam usurpanda vel prorsus nova (etsi perraro) sunt fingenda.  Quod nisi per occasionem fecerimus, lingua Latina ad lusum quendam redigetur, vel ad exercitia quaedam, quae tantum in conclavibus scholasticis sint utilia, ubi pueri puellaeque Romanos sese antiquos esse fingere possint, nec ullum argumentum huius vitae proprium tractare. Nequaquam negamus Latine dicendi, declamandi, colloquendi exercitationem in scholis utilem esse; quae utinam saepius ad docendum adhibeatur!  Sed Latine loquendi usum paulo latius patere et ad plures pertinere posse credimus, quippe cuius ope commercia iucunda cum aliis, praesertim cum alienigenis, qui quidem et ipsi Latine sciant, frequentare queamus. Exemplum ad imitandum ab ipso Cicerone sumatur, utpote a quo vocabula linguae Latinae sint addita nonnulla![12]  

[12] Scitu in primis sunt digna, quae Cicero ipse hac de re dicit (in opere quod De finibus inscribitur: 3.3 et 3.10).

Quando conveniunt vocabula recentia et nova?  Res scilicet multiplex et involuta, quae haud semper legibus praeceptisque finiatur, cuius sensus et intellectus ex sermonibus nostris, e lectione assidua nobis quodammodo innascatur oporteat. Attamen haec praecepta, eaque generalia, fortasse ab omnibus accipientur.

Si quid nobis fuerit verbis exprimendum non solum hominibus Romanis inauditum, sed etiam cuius simile nihil apud auctores Romanos aut recentiores describatur, ad voces aetate recentissima fictas aut prorsus novas confugere debemus. Nolumus in circumitionibus verborum ultra modum versari, id quod quidam Latine scribentes faciunt, qui prorsus omnia vel recentissima et antiquis temporibus absona Ciceronis tantum vocibus describere cupiant: qualem dicendi rationem vitare volumus, ne impediamur quominus expedite dicamus et ab auditoribus intellegamur.

At quibus vocabulis novis utemur?  Idonea nonnumquam sunt in promptu.  Etenim nova vocabula Latina sunt hisce centum annis excogitata permulta. Fit autem interdum ut sua quisque Latine loquendi studiosus nova proponat vocabula, propositaque tueatur vel pertinacissime.  Saepiuscule igitur accidit ut multa et inter se valde discrepantia vocabula exstent, quibus eadem res significetur. Synonymia (ut Martiani Capellae vocabulo utamur) non est mala neque funesta, dummodo ne verborum copia in confusionem quandam exeat et discordiam.  Itaque caute nonnumquam eligendum est (et sperandum fore ut consensus aliquando exstet maior).  Exstant lexica quibus talium vocabulorum (id est recentium et novissimorum) magna continetur copia.[13]  

[13]  Haec lexica a nonnullis hominibus hoc tempore adhibentur: S. Albert, Imaginum vocabularium Latinum (Saraviponti, 2009); F. Deraedt et G. Licoppe, Calepinus novus (Bruxellis, 2002);  Lexicon recentis Latinitatis, curante opere fundato cui nomen “Latinitas” (in urbe Vaticana, 1992, 1998); C. Helfer, Lexicon Auxiliare (Saraviponti, 1991).

Denique, si nihil idoneum his lexicis traditum est, aliquando, id quod supra diximus, vocabula nostra fingamus oportet -- qualia scilicet a quam plurimis intellegantur.

Ad horas unius cuiusque diei computandas, nominandas, noscendas necesse nobis est vocibus aliquando uti recentioribus.  Nos enim omnino aliter atque veteres Romani solemus tempora computare.  Non iam noctes nostras in vigilias dividimus.  Non iam solariis nitimur.  Carebant horologiis mechanicis Romani antiqui - ne quid dicamus de electronicis.  Nesciebant horas suas in minutas et secundas dispertire.[14] 

[14] J. Würschmidt, "Beitrag zu einem deutsch-lateinischen Wörterbuch physikalisch-mathematischer Fachausdrücke," Societas latina (1941), p 72

Menses nostros Nonis et Idibus non iam metimur.  Si tali modo aetate nostra semper loqui conati simus, necesse nonnumquam sit audientibus cunctari, cogitare, computare, ut tempus more Romano descriptum etiam secundum rationem nostram intellegant -- ne quid dicamus de eo quod annus Romanus paucioribus continebatur diebus quam annus noster! Nolumus enim quodam antiquitatis imitandae studio id tantum efficere ut sermo noster impediatur nostraeque voces a vita absonae esse videantur.[15]  

[15] De variis menses annosque computandi rationibus, quibus post veterum Romanorum aetatem usi sunt Latine scribentes, plurima disci possunt e libris quales sunt:  A.  Cappelli, Cronologia, cronografia, e calendario perpetuo (ed. altera, Mediolani 1930); H. Grotefend, Taschenbuch der Zeitrechnung des deutschen Mittelalters und der Neuzeit, ed T. Ulrich (ed. decima, Hannoverae 1960). Ut exemplum ante oculos habeant lectores, ecce praefationis clausula, quae in Ratione studiorum societatis Iesu invenitur: “Datum Romae 8. ianuarii 1599.” ( Inspiciatur libellus, cui titulus Ratio studiorum: Plan  raisonné et institution des études dans la Compagnie de Jésus, quem paraverunt A. Demoustier et D. Julia, interpretationem Gallicam addiderunt L. Albrieux et D. Pralon-Julia, annotationes scripsit M.-M. Compère [Lutetiae Parisiorum 1997], p. 73)

Haud abs re erit quaedam de notis numeralibus, id est de rationibus numeros scribendi, hoc loco memorare.  Homines Latine scribentes notas numerales ratione Arabica iam medio illo, quod appellatur, aevo conformare coeperunt: quam scribendi rationem ad fere omnem rerum magnitudinem describendam multo commodiorem esse quam Romanam compererunt. Litterulas supra scriptas nonnumquam addebant, quibus casus significaretur. Ut duo exempla ante oculos habeamus; notis numeralibus, quae sunt 1201°, idem significatur quod verbis, quae sunt "millesimo ducentesimo primo"; notae numerales, quae sunt 1201m, idem sibi volunt quod verba, quae sunt "millesimum ducentesimum primum."  Quamquam quidam grammatici, qui aetate litterarum renascentium floruerunt, notas Romanas in usum communem revocare conati sunt, res haud omnino ex eorum sententia evenit.  Nam inde a saeculo sexto decimo post Christum natum mos apud Latine scribentes est ut notae numerales Romanae cum in librorum et capitulorum indicibus, tum etiam in monumentis lapideis et in titulis incisis usurpentur—hoc est, ornatus causa—ceteroquin notae numerales in libris et scriptis Latinis more Arabico describantur.[16] 

16] Ad notas numerales spectant non paucae eruditorum commentationes, velut: M.-Th. d'Alverny, "Un nouveau manuel de paléographie médiévale,' Le moyen âge 81 ( 1975), pp. 507-14; G. F. Hill, The Development of Arabic Numerals in Europe Exhibited in Sixty-four Tables (Oxonii, 1915); B. Bischoff, "Die sogennanten '‘griechischen' und 'chaldäischen' Zahlzeichen des abendländischen Mittelalters," Scritti di paleografia e diplomatica in onore di Vincenzo Federici (Florentiae, 1944), pp. 327-34.

Restat ut paucula de pronuntiatu dicamus.  Multis in regionibus—praesertim quas incolunt Anglice loquentes—pronuntiatus 'restitutus' (qui vocatur) iam est institutus et usu receptus.  Non pauci linguae Latinae praeceptores, qui nunc in Europa docent, semper efflagitant ut omnes hoc pronuntiatu restituto utantur.[17]  

[17] Pronuntiatus ille ‘restitutus’ exponitur a S. Allen, professore clarissimo, in libro, qui inscribitur Vox Latina: A Guide to the Pronunciation of Classical Latin,  ed. altera (Cantabrigiae, reimpr., 1989).

Et fortasse sperandum est omnes eodem pronuntiatu tandem aliquando usuros esse.  Attamen nationes aliae aliter adhuc voces Latinas enuntiare solent.  Viget etiam nunc apud multos homines pronuntiatus Italicus – qui est in ecclesia Romana et catholica usitatus.  Pronuntiatus ille, quem ‘restitutum’ nunc appellare homines consueverunt, a philologis confictus est ex indiciis sonorum, quibus homines nobiles, qui Romae Caesaris et Ciceronis aetate habitaverunt, verba enuntiasse putantur.  Vix autem credere possumus eodem hoc modo (quem ‘restitutum’ nuncupavimus) homines doctos, qui in Italia sed extra urbem, vel in Hispania vel in Gallia vel in aliis regionibus ad imperium Romanum pertinentibus habitaverint, solitos esse verba Latina ex ore mittere. Exploratum enim est enuntiandi modos varios atque inter se discrepantes vel saeculo primo ante Christum natum intra Romani imperii fines ex­stitisse: ne in Italia quidem unam verba Latina enuntiandi rationem umquam valuisse.[18] 

18]  De variis Latine loquentium sonis, qui etiam imperio Romano florente audiebantur, plurima discere possumus ex opere amplissimo, quod auctore Adams nuper est editum, c. t. The Regional Diversification of Latin 200 BC – AD 600 (Cantabrigiae, 2007).

 Pro certo praeterea habemus omnibus fere temporibus et aetatibus, quibus linguae Latinae usus longe lateque sit diffusus, modos enuntiandi valde dissimiles esse servatos.

Auctores igitur sumus ut quaedam enuntiandi varietates tolerentur.  Quis enim umquam ab Anglice loquentibus exegit ut omnes more Britannico, vel ut omnes more Americano (ut alios verba Anglica enuntiandi modos praetermittamus) semper ex ore effunderent.  Qui igitur verba Latina secundum rationem Italicam (quae etiam ‘ecclesiastica’ vocatur) enuntiare maluerit, quidni suo in more perseveret?  Fit scilicet interdum ut advenam ratione quadam nobis plane inusitata voces Latinas enuntiantem aegre primo intellegamus: at haec novitas ferme (id experti confirmare audemus) post horas tres quattuorve summum aut minuitur aut evanescit.  Haec tamen, sententia quidem nostra, de pronuntiatu praecipienda sunt seduloque observanda - primum ut, qui suum enuntiandi morem elegerit, in eo perseveret, neve veluti vacillans voces Latinas aliter alio tempore ex ore mittat; deinde ut, quocumque modo litteras consonantes enuntiare soliti simus, syllabarum tamen mensuras et accentus quam exactissime servare semper conemur.

Sufficiant ergo haec paucissima quae iam tractavimus ad rem nostram confirmandam, hoc est ad indicandum qualis sermo Latinus vitae nostrae aptus esse videatur.  Ut finem tandem faciamus, legantur Laurentii Vallae, viri doctissimi, qui saeculo floruit quinto decimo post Christum natum, haec verba:

       "Illud (i.e. imperium Romanum) iam pridem, tanquam ingratum onus, gentes nationesque abiecerunt; hunc (i.e. sermonem Latinum) omni nectare suaviorem, omni serico splendidiorem, omni auro gemmaque pretiosiorem putaverunt et quasi deum quendam e celo demissum apud se retinuerunt. Magnum igitur Latini sermonis sacramentum est! Magnum profecto numen! qui apud peregrinos, apud barbaros, apud hostes sancte ac religiose per tot secula custoditur...."[19]

[19] ‘Laurentii Vallensis de elegantia linguae latinae proemium primum' in opere a Mariangela Regoliosi composito, quod inscribitur Nel Cantiere del Valla. Elaborazione e montaggio delle 'Elegantie’ (Romae 1993), p. 1.


BIBLIOGRAFIA. A GENERAL BRAZILIAN BIBLIOGRAPHY FOR THE STUDY OF THE LATIN LANGUAGE

Esta bibliografia disponibiliza para downloads dicionários e as principais obras didáticas utilizadas no Brasil, para o ensino do Latim, em português e noutros idiomas europeus. Dictionaries and textbooks used in Brazil for teaching Latin.

http://archive.org/search.php?query=creator%3A%22DARCY%20CARVALHO%22&sort=-downloads


IMERSÃO IMEDIATA E TOTAL NA LÍNGUA LATINA PELA INTERNET. SITES, TEXTOS, TRADUÇÕES, OBRAS COMPLETAS EM LATIM ESTÃO DISPONÍVEIS  NA INTERNET PARA ESTUDO  OU  PESQUISAS SOBRE A LÍNGUA LATINA

Poucas línguas existem hoje no mundo que possam ser comparadas à língua latina em termos de importância cultural , científica e acadêmica. Isto fica evidente,, mais claro que a luz,  clarius luce, se considerarmos a surpreendente e inacreditável quantidade de material didático e científico, escrito em Latim, que está sendo recuperado do sono e do esquecimento dos séculos e liberalmente disponibilizado, na internet, pelo Google, pelo Archives.Org , pelas principais bibliotecas do mundo, pelas maiores universidades dos cinco continentes,

Este material precioso e sua imediata acessíbilidade para leitura ou download, sem custo algum para os usuários, é que nos fortalece na crença de que poucas línguas cultas do mundo igualem atualmente o idioma latino em importância cultural, acadêmica, histórica e científica.

Este reconhecimento nos obriga também a seriamente repensar o conteúdo e os métodos de ensino dos cursos remanescentes de Latim, que,  juntamente com os de Grego clássico, vem sendo sistematicamente suprimidos em todos os países, graças à inércia de um movimento retrógrado iniciado muitos anos antes de existir a internet, com sua revolução cultural e pedagógica.

A supressão dos cursos de Latim e Grego são agora injustificáveis, contudo vem sendo tolerada, sem reação moral nem atitudes práticas, até pelas comunidades acadêmicas que deveriam reagir para sustá-la.

Neste espaço,  gostaria de expor algumas idéias acerca da língua latina, e sobre formas alternativas de abordar o seu estudo, na convicção de que o Latim é um instrumento acessível e poderoso de cultura, que não pode ficar restrito ao âmbito e objetivos especiais dos cursos de letras, por mais legítimos que sejam. O Latim que neles se ensina é o clássico, para fins filológicos e com o objetivo teórico de capacitar os alunos à leitura dos autores, escritores e poetas, do século de Augusto. Como os objetivos dos cursos oficiais de Latim são estes, estudar exclusivamente autores clássicos do primeiro e segundo séculos da Era Cristã,  tudo que vem antes é acoimado de arcaico e o que vem depois, de vulgar, bíblico, decadente, medieval, eclesiástico, baixo e bárbaro

Por coincidência o século do Imperador Augusto também viu o inicio do Cristianismo, que se propagou pelo império, junto com outras religiões e cultos orientais, então, em grande voga. No intuito de propagar a nova religião entre as massas romanas iletradas, fazem-se traduções dos textos hebraicos e gregos para a língua latina do povo. Estes textos ainda entre nós comprovam a artificialidade da língua latina clássica, praticada pela elite culta do império.

Possivelmente o Latim clássico não era entendido pelo povo, se o fosse teria sido utilizado desde o início da igreja cristã, e não só posteriormente quando a igreja cooptou também as classes superiores do império. Primeira conclusão de ordem prática: o Latim clássico, objeto exclusivo dos chamados cursos de Latim entre nós, é um dialeto especial do Latim para uso das classes superiores romanas, que eram bilíngues em grego e vernáculo.

Esta forma literária extinguiu-se por volta do ano 200 D. C . Mas o Latim normal, popular, coloquial, sobreviveu por mais 1800 anos, chegando até nós na forma de línguas neolatinas. O Latim escrito com características clássicas continuou a ser usado normalmente por séculos depois do ano 500, época da compilação, em Bizâncio, do Codex Juris Civilis, que coincide com o fim do Império Romano do Ocidente e o início da Idade Média.

Com o sisma católico, o grego passa a ser a lingua exclusiva do Oriente e o Latim a língua única escrita do Ocidente, corrompendo-se, ou melhor, modificando-se progressivamente até cerca de 1300, quando se reativam e intensificam-se os contatos culturais com o Império Romano do Orienta, por via dos Cruzados, e de Veneza, centelha que deflagra a Renascença, como consequência da redescoberta e reestudo dos clássicos romanos.

Neste ponto longínquo, a despeito de forte reação contrária e violenta de muitos, como Poggio Bracciolini, nasce com Lorenzo Valla o culto e a religião do Latim clássico, que pervade nossas faculdades de letras até hoje.

A tentativa de ensinar Latim clássico nos cursos introdutórios fracassa por ser irracional e antipedagógica, ao se propor objetivos inalcansáveis. A solução seria ensinar Latim como língua moderna, como instrumento útil para a comunicação e utilização imediata na área acadêmica: Latim clássico, morfologicamente, conservando intactas suas declinações e conjugações, inclusive os verbos deponentes, mas sintaticamente semelhante aos idiomas neolatinos, isto é escrito in ordine recta vel soluta, com um vocabulário amplo adequado ás contingências e circunstâncias do mundo moderno atual.

Dominada em dois meses esta forma operacional de escrever em Latim, poder-se-ia ter acesso a toda a produção escrita em língua latina nos últimos 2500 anos , cultivando-se o clássico como especialização superior, mas não como paradigma absoluto do escrever em Latim. Neste procedimento de aprendizagem, a gramática latina clássica permanece a mesma, porque não há outra, e foi honrada por todos os escritores, nestes dois últimos milênios. O objetivo da aprendizagem, porém , não será o de ler somente o Latim dos clássicos. Queremos começar a ler imediatamente o Latim posclássico, o Latim medieval, o neoLatim, o Latim eclesiástico e o Latim moderno, e principalmente, desde o início, escrever em Latim.

Dizia um celebrado retórico antigo que uma coisa é escrever gramaticalmente, obedecendo a gramática, e outra escrever latinamente, isto é, em elevado estilo , retórico, poético e artístico. È possível escrever Latim gramaticamente em pouquissimo tempo, e desta forma aprender a ler Latim, qualquer Latim. Escrever latinamente, isto é, em puro estilo clássico, só pode ser conseguido depois de muitos anos ou nunca.

Apliquei este metodo novo de aprendizagem a mim mesmo e aprendi sozinho, sem professor, a escrever Latim, gramaticalmente, e sem dicionários, conforme nos aconselham os pesquisadores medievalistas, e encontro facilidade cada vez maior em ler e escrever sem uso constante ou quase sem utilizar dicionários.

Nesta empreitada de recuperar o uso do Latim como instrumento auxiliar de pesquisa acadêmica temos quatro problemas a considerar:

1. O problema da leitura e das pronúncias do Latim, a eclesiástica, a restaurada e a tradicional;

2. o problema do vocabulário, uma vez que nenhum dos dicionários latinos disponíveis, nem os escolares, nem os maiores, contém os vocábulos de que necessitamos para tratar de assuntos contemporâneos , em qualquer área;

3. o problema da aprendizagem da gramática latina , que neste método se resume basicamente a conhecer a morfologia da língua latina clássica, dispensando-se porém a sua sintaxe, pela adoção do modo românico moderno de escrever, escrevendo-se o Latim com a mesma sintaxe dos grandes idiomas europeus;

4. o acesso às fontes de textos do nosso interesse, filosóficos, jurídicos, econômicos, históricos , filológicos, literários e cientificos. Este problema do acesso a textos já está solucionado pela internet, como veremos a seguir:

A internet , milagre tecnológico recente, nos permite renovar o estudo de todas as linguas estrangeiras e não só o do Latim. E o idioma latino tem sido estudado na internet nas principais linguas do mundo. Já dispomos também de uma enciclopedia em Latim a Vicipaedia, da qual podemos usufruir e com a qual eventualmente podemos colaborar, escrevendo ou fazendo upload de textos.

No estudo do Latim cada área escolherá os seus autores e sobre eles desenvolverá os seus esforços. Filósofos como Descartes, Bacon, Spinoza são autores que podemos ler ou obter por download no site The Latin Library [Neo-Latin] , site que está dividido em duas partes, uma para autores clássicos , outra para os modernos. Vide: http://www.thelatinlibrary.com/ , que contém os autores clássicos mais utilizados nos cursos tradicionais de Latim e http://www.thelatinlibrary.com/neo.html , que contem só autores modernos nunca mencionados nesses cursos..

Mais de 40000 textos latinos de alto interesse, renascentistas e pós-renascentistas, podem ser facilmente localizados, consultando-se a bibliografia on-line ´An analytic bibliography of on-line Neo-Latin texts, by DANA F. SUTTON, Professora na University of California, Irvine, disponível no site http://www.philological.bham.ac.uk/bibliography/

Escreve Sutton: `The enormous profusion of literary texts posted on the World Wide Web will no doubt strike future historians as remarkable and important. But this profusion brings with it an urgent need for many specialized on-line bibliographies. The present one is an analytic bibliography of Latin texts written during the Renaissance and later that are freely available to the general public on the Web. This page was first posted January 1, 1999 and most recently updated on July 15, 2012 . The reader may be interested to know that it currently contains 42,485 records`.

Tradução: A enorme profusão de textos literários postados na World Wide Web impressionará sem dúvida os futuros historiadores, como um evento notável e importante. Todavia, esta mesma profusão cria a necessidade urgente de muitas bibliografias on-line especializadas. Esta é uma bibliografia analítica de textos latinos que foram escritos durante a Renascença, e também em data posterior , que podem ser utilizados livremente pelo público em geral na Web. Esta página foi postada pela primeira vez em 1 de janeiro de 1999 e recentemente atualizada, em 15 de julho de 2012. Talvez ao leitor interesse saber que ela contém atualmente 42 485 registros. [ fim da tradução] .

Todos os grandes filôsofos estão traduzidos para todas as línguas e suas traduções estão também na internet. Os filósofos gregos foram traduzidos para o Latim há mais de 400 anos e muito bem reeditados nas duas línguas, grego e Latim, pelos editores Firmin Didot, pai e filho, na França, no século XIX . Aristoteles, Platão, Plutarco, graece et latine, bem como as obras completas de Descartes e Spinoza estão na Gallica, biblioteca digital da Biblioteca Nacional da França. Vide: http://gallica.bnf.fr/?lang=PT

Ao estudar o Latim destes autores não devemos dispensar a consulta simultânea das traduções mais recomendadas nem deixar de ler suas anotações aos textos. Quanto aos textos, enquanto simples objetos de nosso estudo gramatical, temos liberdade de utilizá-los como acharmos melhor.

Na Alemanha, para citar outro grande projeto bibliográfico, temos o site CAMENA - Latin Texts of Early Modern Europe. Corpus Automatum Multiplex Electorum Neolatinitatis Auctorum. German Department of Heidelberg University Chair of German Literature (Modern Period) Prof. Dr. Wilhelm Kühlmann. A Camena contém textos europeus em Latim do início da idade moderna. Vide:

http://www.uni-mannheim.de/mateo/camenahtdocs/camena_e.html

Este site apresenta facsimiles de manuscritos e a sua transcrição e edição vem sendo feitas pelo latinista moderno Niehl Ruediger, trabalho ingente da maior valia.

A internet será o nosso meio e instrumento de estudo, por constituir uma fonte acessível e inesgotável não só de textos , mas também de dicionários e obras didáticas em português, espanhol, francês, inglês, alemão e russo, para o estudo do Latim.

Podemos acessar milhares de textos, desde listas de provérbios ou adágios, em Latim com traduções vernáculas , até obras completas, bilingues, em muitos volumes, com milhares de páginas. E tudo isto se encontra simplesmente com a digitação de algumas palavras latinas na janela de pesquisa do Google ou do Microsoft internet explorer, ou em outro qualquer buscador.

Podemos iniciar utilizando um grupo de palavras frequentissimo em qualquer texto latino, as quais o estudante não terá problema em memorizar, de preferencia em algum contexto interessante, o das palavras latinas invariáveis, preposições, conjunções, advérbios e interjeições.

Assim , no Google,por exemplo, pesquisando algumas destas palavras latinas, aleatoriamente escolhidas, [nunc sic etiam plus], encontramos 2.870.000 resultados, em 0,12 segundos, entre eles um texto  compilado pelo Professor JOSÉ PEREIRA DA SILVA, com versão portuguesa antes do texto latino, intitulado ALGUNS PROVÉRBIOS, MÁXIMAS E FRASES FEITAS DE ORIGEM LATINA QUE SÃO BASTANTE COMUNS ENTRE NÓS, publicado na Academia Edu. Uma técnica bem simples de aprender Latim é memorizar provérbios e máximas latinas com sua tradução portuguesa e buscar o Latim que se encontra no português e o português que aflora no Latim. Por acaso, na última das 12 páginas, geradas pelas palavras [nunc sic etiam plus] , encontramos um texto latino denominado De Vulgari Eloquentia, Sobre a Eloquência Vulgar, escrito em Latim pré-renascentista por Dante Alighieri, o celebrado autor da Divina Comédia, uma das obras máximas da literatura italiana. 

https://warburg.sas.ac.uk/pdf/enh156b2446780.pdf

https://www.researchgate.net/publication/305731316_De_vulgari_eloquentia

O texto de Dante Alighieri, De Vulgari Eloquentia, exemplifica o modo como como um grande erudito e poeta italiano escrevia naturalmente em Latim, por volta do ano 1300 da nossa era. Podemos dizer que a Renascença se estende da troica italiana Dante, Petrarca e Bocaccio até Melanchton, Lutero , Thomas Morus e Erasmus de Rotterdam . 

Deste último, a obra mais interessante e extensa são os seus 4151 adágios, ADAGIA, compilados e comentados ao longo de 36 anos de assídua leitura dos clássicos gregos e latinos. Foram publicados e traduzidos na França, em 2010, sob a responsbilidade de Laurent Thirouin. As obras de Erasmo quase desapareceram, e são dificilmente encontradas, ainda hoje, até mesmo nas melhores bibliotecas da Europa, por terem sido incluídas pela Igreja Católica no Index Librorum Prohibitorum , no índice dos livros que os católicos estavam proibidos de ler e as bibliotecas de conservar.

Os Adagia, dificílimos de ler, encontram-se na internet, para download, em cinco tomos , pelo GROUPE RENAISSANCE ET AGE CLASSIQUE , UMR 5037, LYON 2 : Tome I (adages 1-1000) : Tome II (adages 1001-2000) : Tome III (adages 2001-3000) : Tome IV (adages 3001-4151) : Tomo V. Tables des Adages. O texto integral pode obter-se também num unico pdf. Erasmo exemplifica o Latim clássico 1500 anos depois de Cicero. Uma versão impressa está à venda, trazendo também uma tradução para o francês.

https://archive.org/details/ErasmusAdages0-985Tome1BellesLettresEtLeGracJ-cSaladinEditeur

OS ADAGIOS DE ERASMO. Os 4151 Adágios de Erasmo (1467-1536) são as suas notas de leitura. Ele registra não apenas o que é interessante, mas especialmente o que é bem dito. Não se trata de delirar sobre a beleza dos autores, mas de aprender a reutilizar suas fórmulas. O modelo clássico não deve esterilizar o leitor ou deixá-lo bater, mas sim fortalecer sua própria capacidade de se expressar. Erasmo manifestou ostensivamente seu gosto pela literatura pagã. Ele disse que queria colocar o latim nas mãos de toda a população. 

O que foi esse latim de Erasmus? Foi a princípio uma linguagem simples e elegante, simples mas não pobre. Ele nunca deixou de lutar contra a indigência do latim de seu tempo e especialmente contra o latim escolástico e litúrgico da igreja. E isso o leva a ser inscrito no índice do librorum prohibitorum. Erasmus é o autor mais famoso do Renascimento é provavelmente um dos menos lidos hoje em dia. Seu nome, certamente, está em toda boca e soa como um slogan. Ele patrocina intercâmbios entre universidades européias. E, no entanto, para dar apenas este exemplo, se todo mundo gosta de citar o Louvor da Loucura, muito poucos o leram. 

Erasmus, no entanto, fez a fortuna de seus impressores, especialmente aqueles que publicaram seus Adágios. Mas quem ainda tem um de seus livros nas prateleiras de sua biblioteca? Na França, certamente poucas pessoas, além de acadêmicos e acadêmicos. Além disso, ele só escreveu em latim, e apenas uma parte de suas obras foi traduzida para línguas modernas:  o Elogio à Loucura, o Tratado da Civilidade Infantil, a Advocacia pela Paz, os Colóquios, sua volumosa correspondência, alguns outros panfletos. Mas os Adágios, não, embora fossem sua obra-prima e um de seus maiores sucessos editoriais. Sua primeira versão foi publicada em 1500, no impressor de Paris Jean Philippe, sob o título Adagia Collectanea. O livro foi tão bem-sucedido que os impressores se esforçaram para colocá-lo em suas coleções. Apareceram cerca de trinta edições da vida do autor, críticas e reforçadas por ele dez vezes, incluindo Aldo Manucio em Veneza e Jean Froben em Basiléia . Erasmus transformou sua modesta coleção de oitocentos e vinte adágios, publicados em 1500, em um fólio bonito, contendo quatro mil cento e cinquenta e um adágios, em 1536. Esta fortuna editorial não sobrevive à Contra-Reforma. O humanista holandês teve de fato honras de "primeira classe" no Index Librorum Prohibitorum do Consílio de Trento, em 1559. 

O LATIM DE ERASMUS. O que foi esse latim? Foi no início uma linguagem simples e elegante. Era a linguagem das Conversas Familiares, ou Colóquios, a linguagem da sua volumosa  correspondência, a linguagem dos Adágios. Mas não confundamos simplicidade com pobreza. Após Petrarca, Bruni, Valla e outros, Erasmus sempre lutou contra a pobreza do latim escolástico: escravo de uma lógica formalista e um glossário tido  como unívoco. Esta linguagem "bárbara" dominava as universidades desde o supressão dos ensinamentos literários do trivium, isto é, durante três séculos. Pelo contrário, o latim promovido por Erasmo e pelos humanistas é rico em várias formas, e especialmente em imagens. Em uma palavra, é uma linguagem poética. De onde vem essa riqueza? Da freqüentação assídua de centenas de obras antigas, desaparecidas por um milênio, que os humanistas exumaram no século anterior. Recordemos a emoção de Poggio Bracciolini ao descobrir uma cópia completa das Instituições de Oratória de Quintiliano, no mosteiro de St. Gall, em 1416, ou as lágrimas de Petrarca diante do manuscrito grego de Homero, que trouxera de Constantinopla mas não podia decifrar. 

https://archive.org/stream/ErasmusAdages0-985Tome1BellesLettresEtLeGracJ-cSaladinEditeur/ErasmeLesAdages-tomus-1_djvu.txt

Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 10:08
Ċ
Darcy Carvalho,
20 de jul de 2019 18:26
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 10:54
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 10:58
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 10:55
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 12:11
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jul de 2019 08:55
Ċ
Darcy Carvalho,
3 de jul de 2019 17:45
Ċ
Darcy Carvalho,
3 de jul de 2019 18:47
Ċ
Darcy Carvalho,
3 de jul de 2019 18:04
Ċ
Darcy Carvalho,
5 de jul de 2019 09:00
Ċ
Darcy Carvalho,
29 de jul de 2014 16:06
Ċ
Darcy Carvalho,
9 de jul de 2019 17:04
Ċ
Darcy Carvalho,
3 de jul de 2019 18:50
Ċ
Darcy Carvalho,
1 de jul de 2019 03:17
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 11:52
Ċ
Darcy Carvalho,
1 de jul de 2019 16:22
Ċ
Darcy Carvalho,
2 de jul de 2019 17:10
Ċ
Darcy Carvalho,
4 de jul de 2019 08:03
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 11:35
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 10:04
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 10:01
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 16:41
Ċ
Darcy Carvalho,
2 de jul de 2019 05:52
Ċ
Darcy Carvalho,
3 de jul de 2019 17:27
Ċ
Darcy Carvalho,
3 de jul de 2019 18:44
Ċ
Darcy Carvalho,
30 de jun de 2019 13:41
Ċ
Darcy Carvalho,
1 de jul de 2019 04:22
Comments