2. Galego The Galician Language

LINGUAE NEOLATINAE MAIORES. MAJOR NEO-LATIN LANGUAGES. LÍNGUAS NEOLATINAS MAIORES. PROF. DR. DARCY CARVALHO, SÃO PAULO, BRASIL. 2015

GALEGO.  GALICIAN. 

O IDIOMA GALEGO [ Extractos do trabalho Galician for Brazilians , em andamento]

Conteudo: Abstract. Prólogo. Introdução. Por que e como estudar galego? Parte I. Observações ortográficas do galego comparado com o português. Parte II Extratos de textos científicos e literários em galego. Parte III. Sumários gramáticais para consulta rápida. Bibliografia Digital

ABSTRACT. Any person knowing Spanish or Portuguese can learn Galician very easily. There is no other major language in the world so close to Portuguese as Galician. Both in vocabulary and in syntax. Thesis: Galician is fundamentally Portuguese and Portuguese is fundamentally mere differentiated Galician. Therefore, students of secondary schools and colleges or any adult who can read Portuguese will certainly understand Galician texts without difficulty. To demonstrate this thesis we need just to examine excerpts of scientific and litterary texts in Galician. The syntax of the Galician language is the same as that of any Western Romance language. Thanks to that we can compose Galician thinking in Portuguese or Spanish and produce or edit texts with the help of translators and correctors, just after grasping the basics of the Galician orthography.

PRÓLOGO: Este brevíssimo sumário de gramática galega não é um curso de língua galega para iniciantes em geral. Ele se destina apenas a brasileiros e a todos no mundo que já sabem e são capazes de ler e escrever português. Todos os que estejam nessas condições podem facilmente adquirir a capacidade de ler e escrever em galego de nível universitário, para o que basta conhecer a ortografia galega, aprender os rudimentos da gramática e assimilar um vocábulario adicional, não muito extenso, que será adquirido paulatinamente pela leitura de publicações em áreas de seu interesse. O léxico galego culto ademais é bastante curioso para um brasileiro, não só pela quantidade enorme de palavras portuguesas medievais e arcaicas que o compõem, como também por conter vocábulos lusitanos que no Brasil são tidos por vulgares, errôneos ou nunca adequados para emprego em textos acadêmicos.

Dos textos que inserimos neste documento, o leitor ou estudante poderá entender a especial posição do galego no conjunto das línguas românicas. Apesar de ter suas origens enraizadas longe na história da conquista romana da Península Ibérica, por tristes circunstâncias políticas, só a partir de 1981 tornou-se uma língua nacional plena e de uso oficial na Galícia. Desde então, tem sido feito um esforço colossal para colocar o idioma galego no mesmo nível das principais línguas da Europa. Os progressos alcançados já são imensos, apesar das penosas dificuldades de percurso já vencidas e outras ainda por vencer.

Um polímata espanhol, JUAN CARAMUEL Y LOBKOWITZ, no ano de 1663, publicou em Roma um opúsculo a que denominou Primus Calamus ou Prodromus Metametricus, para ensinar latim em um mês, a quem já soubesse italiano ou espanhol. No tratactus proemialis escreveu: “In prima parte praemittae sunt succintae, institutiones linguae hispanae et linguae italicae. In secunda auctor maxima brevitate elucidat grammaticam latinam.

Nula est omnino língua cui non sint partes orationes octo: Nomen, Pronomen, Verbum, Participium, Praepositio, Adverbium , Interjectio et Conjunctio. Articulum non nova pars orationis sed species pronominis specialis. Qui unam scit grammaticam, potest aliam quamcumque facilimo negotio addiscere.

Docendus igitur primo puer est línguam maternam, ut sciat singulas orationis partes internoscere, distinguereque. Docebitur etiam declinare, adjetctiva substantivis adnectere: Verba variare per modos, tempora, et personas: quia omnia haec omnibus linguis totius mundi communia. Qui Latium septem potuisti idioma doceri vix annis, iam illud discere mense potes. Língua graeca hoc modo tres menses discitur”.

Este método de Caramuelis para aprender línguas é o que aplicaremos no estudo rápido do idioma galego.

Cf. https://ia902500.us.archive.org/34/items/PrimusCalamus.ProdromusMetametricus.IoannisCaramuelis.tratactus/IoannisCaramuelis.PrimusCalamus.prodromusMetametricus.pdf

INTRODUCTION: WHY AND HOW TO STUDY GALICIAN? INTRODUÇÃO. POR QUE E COMO ESTUDAR GALEGO?

“O galego é um idioma neolatino. Como tal está aparentado com as demais línguas românicas, entre as quais se contam algumas das mais faladas da Europa, o português, o castelhano, o francês, o romeno, o italiano e o catalão. Com o português e o castelhano as relações são mui estreitas: com o primeiro, pela gênese comum na Idade Media, com o segundo, pela estreita convivência durante as idades Moderna e Contemporânea. No século XIX, coincidindo com o desenvolvimento da historiografía romântica que reivindicava a preponderância do elemento céltico na configuração da Galícia como unidade étnica, também se pôs em voga sublinhar um suposto componente céltico do idioma, ideia que calou fundo entre os eruditos galegos de começos do século XX.”

Cf.: http://consellodacultura.gal/cdsg/loia/historia.php?idioma=1&id=45

Para um brasileiro, assim como para os outros lusófonos e para os estrangeiros que já sabem português há vários motivos para estudar galego. O principal é o fato de ser esta língua o idioma mais próximo do lusitano, tanto no vocabulário como na sintaxe. A semelhança entre os dois idiomas é tanta que podemos considerá-los como meras versões de uma mesma língua, distintas apenas pela ortografia. As causas históricas dessa extraordinária similitude poderão ser estudadas detalhadamente nos textos em galego sobre a história da língua galega, contidos na Parte II deste trabalho.

Na Parte I, explicaremos as discrepâncias ortográficas destes dois idiomas, o que permitirá a leitura imediata de documentos em galego sobre aspectos básicos de gramática, contidos na Parte III, que deve constituir uma pequena gramática para consulta fácil e rápida, nos momentos de leitura ou escrita. O ideal para isso seria dispor de uma gramática galega em formato de dicionário, que ainda não existe, com conteúdo disposto em ordem alfabética, conforme os modelos que encontramos no Dicionário Gramatical da Editora Globo.

Contudo, o problema não é grave, pois, como já nos advertiu Lobokowitz : “Nula est omnino língua cui non sint partes orationes octo: Nomen, Pronomen, Verbum, Participium, Praepositio, Adverbium , Interjectio et Conjunctio. Articulum non nova pars orationis sed species pronominis specialis. Qui unam scit grammaticam, potest aliam quamcumque facilimo negotio addiscere.”

Não existe língua alguma cujas partes das orações não sejam as oito : nomes (ou seja, substantivos e adjetivos), pronomes, verbos, advérbios, preposições, conjunções, interjeições, particípios, que são parte do verbo, e artigos,  que são uma espécie especial de pronome. Conhecendo a gramática de uma língua, podemos aprender a de qualquer outra facilmente. No caso dos brasileiros, já sabemos no mínimo a gramática portuguesa de modo que a partir dela podemos sem dificuldade entender a estrutura da língua galega e incorporá-la aos nossos outros instrumentos de trabalho e pesquisa.

Um estudo sumário das características galegas dos artigos, dos substantivos e adjetivos, verbos e das palavras invariáveis serão objeto da Parte III deste trabalho. Na bibliografia indicaremos obras, links e instituições que poderão facilitar a aprendizagem do galego. Nosso passo inicial é aprender a ortografia do galego.

PARTE I. ORTOGRAFIA DO GALEGO OBSERVAÇÕES ORTOGRÁFICAS DO GALEGO COMPARADO COM O PORTUGUÊS. O ALFABETO GALEGO

O alfabeto galego consta das seguintes letras e dígrafos:

A B C CH (Ç) D E F G GU H I (J) (K) L LL.M N Ñ O P Q QU R RR S T U V (W) X Y Z. Os dígrafos são seis CH, GU, LL, NH. QU e RR.  As letras Ç, J, K, W, Y são usadas eventualmente em palavras estrangeiras. Os dígrafos CH, LL, a letra Ñ e a letra S pronunciam-se como em espanhol. A letra Z pronuncia-se como o Ç português. O dígrafo SS, bem como a letra J e os sons do GE e GI do português não existem em galego. O J e o G nestes casos substituem-se por X com o valor do dígrafo SH inglês ou do CH português. As letras B e V pronunciam-se ambas como o B do português.. O galego conserva as consoantes mudas que as reformas ortográficas da língua portuguesa eliminaram ou tratam como optativas.

Para iniciar imediatamente a leitura de textos originais da Galícia, detalharemos aqui as principais diferenças ortográficas entre o galego e o português, outras são apresentadas nos sumários gramaticais da Parte III. Superadas estas primeiras dificuldades ortográficas, quem já souber português poderá iniciar seu estudo da língua galega, utilizando com pleno entendimento materiais escritos nesse idioma. Basicamente, o galego é português, escrito com ortografia castelhana. Além desta constatação imediata, um brasileiro ao ler um texto galego tem a impressão de estar lendo ótimo português moderno, entremeado porém de termos medievais e palavras arcaicas, ao lado de formas “erradas” do português popular, ou do coloquial brasileiro.

Comparando as ortografias dos dois idiomas nos textos da Parte II observamos imediatamente que:

1) O NH do português é substituido pelo Ñ castelhano, que se obtem teclando ~ e depois N: Ex. coñecemos, descoñecemos, coñecidos. Mas o dígrafo NH também ocorre no galego, em algumas palavras, nunca porém com o som de Ñ. A letra H nestes casos é muda, servindo apenas para preservar o som nasal da vogal que precede o N. Tecnicamente: o dígrafo NH usa-se para representar a consoante nasal velar em posição interior antevocálica. Ex. unha, algunhas, cunha, dunha, ningunha

2) O LH português substitui-se pelo duplo L do castelhano: Ex. mulleres, darlles.

3) O duplo S do português substitui-se por um único S com pronúncia de Ç, como em castelhano: Ex. ese, dese, esa, nesa.

4) O M final de palavras portuguesas é substituido por N ou pode ser suprimido. Assim, AM, EM, IM, OM UM do português passam a ÁN, EN, IN, ON, UM em galego: Ex. coñecen, asi, vén, home.

5) As sílabas que em português pronunciamos e escrevemos como JA, JE, JI, JO. JU, GE GI, aparecem em galego como XA, XE, XI, XO, XU e a terminação GEM é substituida por XE. Assim a letra X pode representar dois fonemas em galego: o som prepalatal fricativo surdo, ou seja os sons portugueses de CHA, CHE, CHI, CHO, CHU, como nas palavras hoxe, orixe, xa e o som latino do X, pronunciado ksi, em palavras cultas:Ex. saxo. Galáxia, texto.

6) A terminação portuguesa ÃO pode substituir-se por ÁN, ON, ÓN, IÓN: Ex. son, non, reflexión, sacristán

7) Neste sistema ortográfico, galego, não se emprega o Ç português, que é substituido por CI ou Z: Ex. forza. As letras C,QU e Z, distribuem-se da seguinte maneira: CA QUE, QUI, CO, CU, e ZA, CE, CI, ZO,ZU, correspondentes a CA QUE, QUI, CO, CU e ÇA, CE, CI, ÇO, ÇU do português

8) Um QU etimológico pode eventualmente aparecer substituido por C antes de A, O, U: Ex. cando, cantos, calquer.

9) A letra H não representa em galego nenhum som, mantendo-se na escrita das palavras que etimologicamente a tinham e não naquelas que não a tinham: Ex. haber, home, horta, herba, harmonia, Excetuam-se palavras como España e Xoán que perderam o H na época medieval e não volveram a recuperá-lo.

O idioma galego, no fundo, é português, e o português, no fundo, é um mero galego diferenciado. Portanto, estudantes de nível médio ou superior e adultos alfabetizados, que leiam português, entenderão sem problemas textos em galego. Cada um pode comprovar imediatamente esta afirmação pela leitura de trechos de textos científicos, depois de aprendida a ortografia da língua. Para completar esta introdução à língua galega escrita, tal como se utiliza no âmbito universitário, anexamos na Parte III deste estudo uma seleção de extratos de artigos sobre diferentes assuntos acadêmicos.

10) Os galegos utilizam apenas o acento agudo, a que chamam de TIL, desconhecendo o acento grave e o circunflexo utilizados em português. Os pronomes enclíticos unem-se diretamente aos verbos.

Bibliografia Digital

http://sli.uvigo.es/RILG/

http://consellodacultura.gal/

http://consellodacultura.gal/publicacions-dixitais/acta.php?libro=1

http://sli.uvigo.es/corrector/


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ARQUIVOS ADICIONADOS. Visitar também as subpáginas: (1) Elementos de Gramática Galega
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16 de jun de 2015 17:00
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