ECONOMICS. PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO NO SÉCULO XX. Cfr. Subpáginas.

THE BRAZILIAN ECONOMIC THOUGHT IN THE XXTH CENTURY. O Pensamento Econômico Brasileiro no Século XX.

01 PROJETO DE PESQUISA EM ANDAMENTO
 
Projeto de Pesquisa apresentado à FEAUSP, no ano de 
2013, na condição de Professor Senior.  

Título da Pesquisa: História do Pensamento Econômico Brasileiro no Século XX. Subtítulo: As estratégias e políticas do desenvolvimento econômico do Brasil, da proclamação da República aos dias de hoje. Subsídios para uma História do Pensamento Econômico Brasileiro depois da Independência de Portugal.

A
ndamento do projeto:
a consecução da pesquisa ainda depende da coleta adicional de material bibliográfico em revistas de economia e em sites sobre pensamento econômico. O projeto continuará pelos próximos dois anos, com redação parcial do conteúdo (04/12/2015).

Objetivos do Projeto

Serão objetivos precípuos do trabalho registrar  os nomes   e reavivar as obras  dos economistas,  eventualmente as obras e os nomes  de outros cientistas sociais,  que atuaram na área econômica , no Brasil, no século XX .

Metodologia.

Este trabalho, que se ocupará de  pessoas e fatos concretos da evolução econômica brasileira,  adotará  metodologia teórica,  histórica , biográfica e bibliográfica;  destacará a contribuição  dos economistas brasileiros ou não, acadêmicos ou não, sem discriminação ideológica, ao processo de desenvolvimento da economia  do Brasil no seculo XX ; e  assinalará o embate das duas linhas de pensamento econômico que  persistiram  neste país  ao longo de todo o século XX,  uma característica  da  política  econômica brasileira.

Justificativa.

1.Na história econômica brasileira, o século XX caracteriza-se como sendo aquele  em que o Brasil  deixou de ser uma economia sub-desenvolvida  para tornar-se uma das maiores economias do mundo.   Nesta transformação participaram várias dezenas de economistas, brasileiros e estrangeiros,    quer com seus escritos,  quer  através de sua  ativa participação no governo, seja como formuladores,  seja   como críticos ferozes da  política econômica adotada.

2. Desde o inicio do século XIX, apareceram  em nosso país numerosas  publicações de caráter econômico,  em que escreveram importantes economistas brasileiros e estrangeiros. No século XX surgiram as grandes revistas econômicas ligadas a think tanks ou a instituições governamentais, tais como Cultura Política, Digesto Econômico, Conjuntura Econômica, Revista Brasileira de Economia, bem como publicações internacionais, das NAÇÕES UNIDAS, do FMI, da CEPAL, da OECD, da OIT,  que tiveram a participação de brasileiros ou o Brasil como objeto de análise.

3. São numerosos os livros de economistas que propuseram programas de desenvolvimento para o país, sendo o caso brasileiro um caso típico de desenvolvimento com ativa participação estatal.

4. O crescimento mundial no mesmo século, com sua rápida transformação, via expansão do comercio, e revolução tecnológica acelerada, fornece excelente oportunidade de comparação do pensamento econômico brasileiro com as  duas diretrizes econômicas distintas que pautaram o crescimento mundial até 1989. Tivemos representantes importantes de ambas no Brasil.

5. Apesar de  diversos estudos de caráter historiográfico  terem proposto   diferentes   periodizações  para o estudo desta  fase  da historia econômica brasileira, tomando como referência pessoas ou  eventos puramente políticos, nosso trabalho procurará enfocar principalmente, mas não apenas, o panorama interno e internacional   da ciência econômica,  e suas aplicações  na formulação das políticas econômicas  do Brasil , ao longo do seculo XX, nosso  primeiro século republicano e desenvolvimentista.

Tópicos constitutivos do trabalho

Em cada tópico procurar-se-á  identificar  fatos , economistas e obras:

1.  Os primeiros  agitados trinta anos  do seculo XX de acomodação republicana: caracterização da situação econômica e social do país.  A atuação dos últimos economistas do Império. A transformação da economia agrária,  a imigração intensa e o início do crescimento urbano;

2.  Da revolução dos anos trinta até a segunda guerra mundial:  primeira formulação do projeto brasileiro de industrialização;

3. Economistas e política econômica  do Brasil no pós-guerra, 1945- 1960: o desenvolvimento como meta explícita de governo;

4 . A revolução  militar e seu programa  econômico, 1960- 1985: consolidação do industrialismo e a  internacionalização econômica do país;

5. Os economistas e os problemas econômicos do fim do século XX: o colapso dos grandes modelos, a globalização  e a grande  crise das economias mundiais.

6. Algumas considerações sobre a clivagem ideológica dos economistas brasileiros e suas consequências.

Conclusões.

02 BIBLIOGRAFIA E FONTES DE CONSULTA

O levantamento de  uma  bibliografia  que permita fundamentar  uma  história do pensamento econômico brasileiro  é parte integrante  do trabalho.Prof. Dr. Darcy Carvalho. Faculdade de Economia Administração e Contabilidade. Departamento de Economia. Universidade de São Paulo, em 29/04/2013.

PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO NO SÉCULO XX: Fontes de Consulta na Internet

Anotaremos links de entidades que disponibilizem material de interesse para a pesquisa. Durante o século XX generalizou-se a prática da publicação de artigos em revistas especializadas. Isto acarretou uma grande dispersão do material acadêmico relevante e aumento da dificuldade de acessá-lo. Felizmente nestes primeiros dez anos  do século XXI, concretizam-se os augúrios de Roberto Campos acerca da revolução digital.

'A sociedade do próximo milénio será uma sociedade globalizada e digitalizada. Ignorar essas coisas seria auto-mutilação. Nossa linguagem girará em termos de bits, muito mais que de "átomos". Na era digital, até os "literatos" terão de virar "digeratos". - A revolução da internet, que eliminará vários constrangimentos de tempo e espaço; 'Full text of "ROBERTO DE OLIVEIRA CAMPOS ( 1917- 2001). ECONOMISTA, DIPLOMATA, PROFESSOR. DISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS"

1. http://biblat.unam.mx/pt/revista/revista-brasileira-de-economia/5    ;    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=0034-7140&lng=en&nrm=iso

03 SUBSIDIA FOR THE HISTORY OF BRAZILIAN ECONOMIC THOUGHT IN BRAZILIAN PUBLICATIONS

REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA . A large sample of articles from the Revista Brasileira de Economia ( FGV), in Portuguese,  on Economics and on the Brazilian economy and its development  process ,  written by Brazilian and foreign authors, can be downloaded from Biblat  (  'un portal especializado em revistas científicas y acadêmicas publicadas en la  América Latina y en el Caribe').   The  Fundação  Getúlio Vargas was crucial in the  spreading  of   economic knowledge in Brazil, in the second half of the twentieth century . Among the most important  editorial initatives of FGV , two  publications  deserve special attention of students : the Revista Brasileira de Economia ( Brazilian Economic Review) and  the  Conjuntura  Econômica.  The RBE contains technical articles while the Conjuntura , especially in the seventies, was crucial for the development of economic  policy awareness  in Brazil. [...]  20/06/2014

http://biblat.unam.mx/pt/revista/revista-brasileira-de-economia/

Source: Biblat.  http://biblat.unam.mx/pt/sobre-biblat

04 PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO NO SÉCULO XX. PERIODIZAÇÃO PRELIMINAR DO PROJETO.

Prof. Dr. Darcy Carvalho. Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil [01/06/2013]

Para facilitar a coleta de dados, de documentos, biografias , bibliografias, e de obras básicas , o estudo do pensamento econômico Brasileiro no seculo xx será dividido em   períodos históricos, balizados pela atuação e/ou obra de um grande economista, entendido como grande economista aquele que tiver deixado obra, ou tenha atuado no governo , ou tenha  trabalhado e escrito  á testa de algum thinktank importante no encaminhamento das questões econômicas do período estudado.

Nossa definição nada tem de gratuita nem de depreciativa, visto que desde a grande fase mercantilista e fisiocrática da história europeia, a economia tem sido uma ciência aplicada, social e politicamente,  marcada  sempre pela atuação de algumas grandes figuras acadêmicas ou de governo.

 A intensa eclosão de teoria econômica, simples  resultado do desenvolvimento dos métodos matematicos, estatisticos, e econometricos, desde Walras e Pareto, mas principalmente depois dos anos trinta,  não encontra ao longo do século xx, no Brasil, nenhum  autor que tenha deixado obra perene ou relevante a nivel internacional,  ou teórico, a não  ser Alde Sampaio, economista matematico, e o economista Celso Furtado que,  com alto desempenho e destreza literaria, conseguiu ampla difusão mundial para sua obra, ao  traçar e impor, com visão pessoal,  um panorama amplo dos processos e meandros do desenvolvimento econômico brasileiro, sul-americano e mundial, mediante a aplicação de uma tecnica expositiva sui-generis, que combina leve tintura de metodos econômico- matematicos  com   muita historia e  moderada ideologia  marxista.

É preciso lembrar também  que todos os  nossos economistas, que atuaram na area econômica do governo,  ate a criação das faculdades de economia, por volta de 1940, eram também juristas, porque as faculdades de direito é que tinham o monopolio pedagogico do ensino da economia politica, desde a criação dos cursos juridicos no Brasil por d. Pedro I.

Adotado este criterio de periodização poderemos dividir provisoriamente  o nosso espaço temporal de pesquisa em periodos como os seguintes : I. 1889- 1920 de Rui Barbosa a Amaro Cavalcanti. II. I920-1930, de Amaro Cavalcanti a Roberto Simonsen. III. I930-1954, economistas da Era Vargas. V. 1954- 1964. Celso Furtado,  VI.  1964-1985. De Roberto Campos a Delfim Neto. VII. 1985- 2010. Economistas contemporaneos ainda atuantes.

Nessa divisão influem  certamente os diferentes periodos presidenciais, que desde a decada de trinta desenharam o modelo Brasileiro de desenvolvimento. Tema subjascente á pesquisa toda.

Cada periodo presidencial  caracterizou-se  por diferentes preocupações econômicas, politicas e sociais, nunca imunes a pressões internacionais e aos  solavancos da economia mundial.

Preliminarmente faz-se necessário coletar e ler o muito que vem sendo escrito sobre o pensamento econômico brasileiro, neste país e fora, criando pequenas listas tematicas de leitura, que permitirão  melhor precisar a nossa futura distribuição da materia e dos autores.

Esta  proposta de pesquisa,  que  apenas esboçamos, na area do pensamento econômico brasileiro, integra-se  no quadro amplo da cultura nacional, permitindo amplo leque de estudos interdisciplinares em que entram a historia e a geopolitica Brasileiras como interfaces privilegiadas, a primeira como contexto inseparavel e determinante , a segunda como  balizadora do esforço nacional de autodeterminação e de desenvolvimento econômico e social.

O pensamento econômico brasileiro,  esforço intelectual de brasileiros e estrangeiros, não deve ser entendido como mero comentario sobre a construção de modelos matematico-econômicos por academicos, ao longo do século,  mas  como estudo das politicas econômicas adotadas pelo Brasil,  no período  mais importante da sua historia, naquele em que, contra todos os prognósticos pessimistas, quintuplicou sua população e urbanizou 80% dela, transformando-se , por esforço proprio e algum auxilio externo,  de país subdesenvolvido em economia emergente em ascensão:  pensamento econômico brasileiro como  estudo das politicas brasileiras desenvolvimentistas, parte crucial  do nosso  esforço comum para a construção nacional e  projeção internacional do país.  Ver no site abaixo obras relevantes para  este projeto, disponíveis para download. Este site brasileiro tem o melhor formato possível, mea sententia.

 Http://www.funag.gov.br/biblioteca/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=42.

cfr. THE POLITICAL ECONOMY OF BRAZILIAN FOREIGN POLICY NUCLEAR ENERGY, TRADE AND ITAIPU

05 HISTORIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO NO SECULO XX. BIBLIOGRAFIA ALEATÓRIA PRELIMINAR  

PROF. DR. DARCY CARVALHO, FEAUSP .

1.  [07/O6/2013]. LUCAS LOPES. MEMORIAS DO DESENVOLVIMENTO [entrevista], 346 páginas  Capitulo VII. Monetaristas e desenvolvimentistas, EUGENIO GUDIN. Ministro da Fazenda. 25 julho 1958. http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/6807/1129.pdf?sequence=1 

06 O PENSAMENTO ECONÔMICO DO BRASIL NO SÉCULO XX COINCIDE COM A HISTÓRIA DO PRIMEIRO SÉCULO DA ERA REPUBLICANA

A questão econômica e social básica enfrentada pelos economistas e planejadores brasileiros na fase inicial da Republica foi a de encontrar formas de substituir rapidamente a estrutura escravocrata da força de trabalho por mão-de-obra livre. A economia era ainda essencialmente agrícola e extrativista, com muitos centros populacionais incipientes e isolados, basicamente auto-suficientes e em níveis profundamente diferentes de possibilidades econômicas e densidades demográficas. O problema da abolição da mão-de-obra escrava e a sua substituição por uma força de trabalho livre tinha sido tema perene e polêmico de discussão e grave preocupação pública, por todo o século XIX, da chegada da Corte Portuguesa em 1808 à proclamação do regime republicano em 1889. A questão e crise do café e os esforços pela industrialização do país ocorrem balizados por duas grandes guerras mundiais (1914-18/1939-45), que alterariam definitivamente o panorama geopolítico, econômico  e demográfico do mundo, determinando novas linhas condicionantes  para o desenvolvimento econômico do Brasil, nos cinquenta anos seguintes. A industrialização, a acentuada urbanização e a transformação étnica, ocorridas no país, nos últimos cem anos,  estão indissoluvelmente ligadas à forte entrada de imigrantes europeus e asiáticos e ás intensas correntes migratórias internas que, partindo do Nordeste se dirigiram à Amazônia, ao Sudeste e ao Centro-Oeste, depois de meados do século, impulsionadas em parte pela transferência da Capital Federal. A partir dos anos 70, a economia do Brasil conhece forte processo de modernização, caracterizado pela diversificação industrial, construção e consolidação de extensa infraestrutura viária e energética, integração educacional e melhoria da qualidade de vida que atingiu níveis comparáveis ao dos países medianamente desenvolvidos. Todas estas transformações se fizeram sob o comando de governos na maior parte do tempo ditatoriais. A fase recente de economia liberal e consolidação democrática coincide com a intensificação de um processo mundial de intensa liberalização dos fluxos externos e movimentos de capital que impedem a aplicação  eficiente das  políticas econômicas  keynesianas, que caracterizaram a intervenção governamental no setor econômico até os anos noventa. O Brasil foi o último país do mundo a abolir o uso de mão de obra escrava e o fizemos há pouco mais de um século. Em cem anos, passamos de uma população diminuta, analfabeta, dispersa e essencialmente agrícola a um conglomerado humano de quase 200 milhões de pessoas. Todas estas transformações não ocorreram ao acaso, o Brasil desde as suas mais remotas raízes portuguesas foi sempre um país planejado. Uma história do pensamento econômico e social do Brasil deve necessariamente identificar os personagens  atuantes e as obras determinantes e relevantes que balizaram nossa evolução econômica nos primeiros 500 anos da nossa existência como entidade geopolítica.

07 O PENSAMENTO ECONÔMICO DO SÉCULO XIX, E O DOS SÉCULOS ANTERIORES, SÃO REFERÊNCIAS NECESSÁRIAS PARA O ESTUDO DO PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO DO SÉCULO XX, PERÍODO HISTÓRICO RECENTE, CARACTERIZADO POR POLÍTICAS ECONÔMICAS KEYNESIANAS E NEO-MERCANTILISTAS, QUE PROPORCIONARAM AO BRASIL UM SALTO ECONÔMICO ESPETACULAR NO PROCESSO AINDA EM ANDAMENTO DE EQUIPARAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL (CATCHING-UP) COM OS PAÍSES MAIS DESENVOLVIDOS DO MUNDO.
Cf. 
08 The Need to Rethink Development Economics Thandika MKANDAWIRE. United Nations Research Institute for Social Development 

"Up until the 1970s, problems of welfare and unemployment in the developed countries, and those of poverty and underdevelopment in the developing ones, were interpreted through the lenses of the corpus of knowledge recognized as Keynesian economics and “development economics” respectively. But the oil crisis, “stagflation” and subsequent indebtedness of the developing countries severely put to test the models and the theories that had underpinned their welfare and development policies.

Although there was little in common between the actual analytical content of Keynesian doctrine and that of Development Economics, the two approaches shared critical views of neoclassical economic theory, and the related acceptance of state intervention. They also had in common the understanding that the economy described by neoclassical economists was a special case”, and there were many other economies that could be “stylized” by entirely different models because they were characterized by different structural features. Furthermore, they shared the view that the state could play an important role in addressing these structural features, which often resulted in “market failures”. Both were induced by the need to solve policy problems and were not merely formal theoretical disciplines whose modelling was based on “real economies” trapped in a particular equilibrium (unemployment or underdevelopment) from which they had to be extricated. These positions opened them to attack from neoliberalism.