O Pensamento Econômico Brasileiro nos Séculos XIX e XX

Pensamento Econômico Brasileiro- Séculos XIX e XX. Brazilian Economic Thought in the Nineteenth and Twentieth Centuries.

01 O PENSAMENTO ECONÔMICO DO BRASIL NO SÉCULO XX COINCIDE COM A HISTÓRIA DO PRIMEIRO SÉCULO DA ERA REPUBLICANA

A questão econômica e social básica enfrentada pelos economistas e planejadores brasileiros na fase inicial da Republica foi a de encontrar formas de substituir rapidamente a estrutura escravocrata da força de trabalho por mão-de-obra livre. A economia era ainda essencialmente agrícola e extrativista, com muitos centros populacionais incipientes e isolados, basicamente auto-suficientes e em níveis profundamente diferentes de possibilidades econômicas e densidades demográficas. O problema da abolição da mão-de-obra escrava e a sua substituição por uma força de trabalho livre tinha sido tema perene e polêmico de discussão e grave preocupação pública, por todo o século XIX, da chegada da Corte Portuguesa em 1808 à proclamação do regime republicano em 1889. A questão e crise do café e os esforços pela industrialização do país ocorrem balizados por duas grandes guerras mundiais (1914-18/1939-45), que alterariam definitivamente o panorama geopolítico, econômico  e demográfico do mundo, determinando novas linhas condicionantes  para o desenvolvimento econômico do Brasil, nos cinquenta anos seguintes. A industrialização, a acentuada urbanização e a transformação étnica, ocorridas no país, nos últimos cem anos,  estão indissoluvelmente ligadas à forte entrada de imigrantes europeus e asiáticos e ás intensas correntes migratórias internas que, partindo do Nordeste se dirigiram à Amazônia, ao Sudeste e ao Centro-Oeste, depois de meados do século, impulsionadas em parte pela transferência da Capital Federal. A partir dos anos 70, a economia do Brasil conhece forte processo de modernização, caracterizado pela diversificação industrial, construção e consolidação de extensa infraestrutura viária e energética, integração educacional e melhoria da qualidade de vida que atingiu níveis comparáveis ao dos países medianamente desenvolvidos. Todas estas transformações se fizeram sob o comando de governos na maior parte do tempo ditatoriais. A fase recente de economia liberal e consolidação democrática coincide com a intensificação de um processo mundial de intensa liberalização dos fluxos externos e movimentos de capital que impedem a aplicação  eficiente das  políticas econômicas  keynesianas, que caracterizaram a intervenção governamental no setor econômico até os anos noventa. O Brasil foi o último país do mundo a abolir o uso de mão de obra escrava e o fizemos há pouco mais de um século. Em cem anos, passamos de uma população diminuta, analfabeta, dispersa e essencialmente agrícola a um conglomerado humano de quase 200 milhões de pessoas. Todas estas transformações não ocorreram ao acaso, o Brasil desde as suas mais remotas raízes portuguesas foi sempre um país planejado. Uma história do pensamento econômico e social do Brasil deve necessariamente identificar os personagens  atuantes e as obras determinantes e relevantes que balizaram nossa evolução econômica nos primeiros 500 anos da nossa existência como entidade geopolítica.

02 O PENSAMENTO ECONÔMICO DO SÉCULO XIX COMO REFERÊNCIA PARA O ESTUDO DO PENSAMENTO ECONÔMICO DO SÉCULO XX

O PENSAMENTO ECONÔMICO DO SÉCULO XIX, E O DOS SÉCULOS ANTERIORES, SÃO REFERÊNCIAS NECESSÁRIAS PARA O ESTUDO DO PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO DO SÉCULO XX, PERÍODO HISTÓRICO RECENTE, CARACTERIZADO POR POLÍTICAS ECONÔMICAS KEYNESIANAS E NEO-MERCANTILISTAS, QUE PROPORCIONARAM AO BRASIL UM SALTO ECONÔMICO ESPETACULAR NO PROCESSO AINDA EM ANDAMENTO DE EQUIPARAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL (CATCHING-UP) COM OS PAÍSES MAIS DESENVOLVIDOS DO MUNDO.

Ver o Relatório do Projeto Pensamento Econômico Brasileiro no Século XIX, publicado em 


03 EUGÈNIO GUDIN EM 'NOTAS SOBRE A ECONOMIA BRASILEIRA' RELACIONA OS PRINCIPAIS ECONOMISTAS BRASILEIROS DO PERÍODO REPUBLICANO, CONSTITUINDO UM EXCELENTE ESBOÇO PARA A ESCRITA DO PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO NO SÉCULO XX.

04 DÊNIO NOGUEIRA E CARLOS MANUEL PELAEZ NOS 'ENSAIOS SOBRE A ECONOMIA BRASILEIRA', FORNECEM EXCELENTES SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DO  PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO  DE 1822 A 1972, COM EXTENSA BIBLIOGRAFIA. 

05 ORDEM E PROGRESSO. O PAPEL DO PENSAMENTO POSITIVISTA NO BRASIL. 

 Source: http://bndigital.bn.br/francebr/positivismo.htm

“O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”. “O progresso é o desenvolvimento da ordem”. Duas das máximas mais importantes de Augusto Comte, filósofo francês, nascido no ano de 1798, demonstram claramente algumas das idéias básicas da doutrina positivista, e sua influência na construção do Brasil Republicano.

O positivismo, linha teórica sociológica criada por Comte, surgiu no século XIX como contraponto ao racionalismo abstrato do liberalismo, e atuou como pensamento dominante a partir da segunda metade dessa centúria. Buscava explicar questões práticas da humanidade, dando ênfase à experiência, e procurava aprimorar o bem-estar intelectual, material e moral do homem, através da utilização de novos métodos para o exame científico dos problemas da sociedade.

Característica fundamental dessa forma de pensamento, o conceito de evolução funciona como lei basilar dos fenômenos empíricos, agindo como diretriz para todos os fatos humanos, e estabelecendo uma seleção natural, que eliminaria as imperfeições. Nesse sentido, então, o progresso surge como eixo central do positivismo.

A ordem, também lema estruturante, se explica na medida em que a corrente positivista mostra-se avessa a qualquer tipo de violência para alcançar a transformação social. As ações deveriam ser baseadas na persuasão e fundamentadas na moral positiva, que procura aperfeiçoar as ações práticas e intelectuais dos indivíduos, de forma a torná-los organismos mais bem preparados para a atuação em sociedade.

Na dinâmica social, o positivismo prega a divisão em classes, e preocupa-se em enfrentar o individualismo da sociedade liberal, através da ordem e do progresso, considerados os ideais básicos de todo sistema político. Os paradigmas positivistas tiveram ampla acolhida na Europa, e também em várias regiões fora do continente, como no Brasil. O país, que passava por profundas transformações no final do Oitocentos, utilizou-se do pensamento positivista para embasar movimentos políticos e sociais que fervilhavam na nação que se formava. O positivismo teve, principalmente, papel de destaque como referencial para a campanha pela abolição da escravatura e a para o desenvolvimento do republicanismo.

Do Império à República: o Brasil foi o único país da América que se tornou independente e manteve o regime monárquico, que se estendeu de 1822 a 1889. A partir de meados de 1850, com o fim do tráfico de cativos, acendia-se a polêmica acerca da escravidão, ao mesmo tempo em que começava a ganhar forma o movimento republicano. Nesse mesmo período, difundia-se, na Europa, o positivismo, com a fundação, em 1848, da Sociedade Positivista, instituída por Comte. Já no Brasil, antes mesmo da proclamação da República, criou-se, no ano de 1881, o Apostolado e a Igreja Positivista, instalada na cidade do Rio de Janeiro. A fachada da edificação foi inspirada no Pantheon, de Paris e, na entrada, uma rosa dos ventos, colocada na entrada do templo, indica a direção da capital francesa, país onde surgiu o pensamento positivista. Miguel de Lemos, fundador da instituição, chamada de Templo da Humanidade, foi um dos principais incentivadores do positivismo no Brasil, juntamente com Benjamin Constant e Raimundo Teixeira Mendes.

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Darcy Carvalho,
10 de dez de 2015 08:59
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Darcy Carvalho,
27 de dez de 2015 02:19
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