02 O Pensamento Econômico Brasileiro. 1500-2000

O Pensamento Econômico Brasileiro. 1500-2000

O PENSAMENTO ECONÔMICO PORTUGUÊS, DAS SUAS ORIGENS MEDIEVAIS  ATÉ O SÉCULO XIX, É  REFERÊNCIA NECESSÁRIA PARA O ESTUDO DO PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO ATÉ O FINAL DO SÉCULO XIX . O PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO DO SÉCULO XX, PERÍODO HISTÓRICO RECENTE, CARACTERIZOU-SE NO INICIO DO SÉCULO POR FORTE TENDÊNCIA AGRARIANISTA, HERDADA DOS SÉCULOS ANTERIORES, A PARTIR DOS ANOS QUARENTA, FORTALECEM-SE AS TENTATIVAS DE INDUSTRIALIZAÇÃO, POR POLÍTICAS ECONÔMICAS KEYNESIANAS E NEO-MERCANTILISTAS, QUE PROPORCIONARAM AO BRASIL UM SALTO ECONÔMICO ESPETACULAR NO PROCESSO AINDA EM ANDAMENTO DE EQUIPARAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL (CATCHING-UP) COM OS PAÍSES MAIS DESENVOLVIDOS DO MUNDO. A TENTATIVA DE PERIODIZAR O ESTUDO DO PENSAMENTO ECONÔMICO LUSO-BRASILEIRO POR SÉCULOS É ARTIFICIAL, UMA VEZ QUE AS MUDANÇAS FUNDAMENTAIS NAS ORIENTAÇÕES ECONÔMICAS NÃO COINCIDEM COM A SUCESSÃO CRONOLÓGICA DOS SÉCULOS.

A questão econômica e social básica enfrentada pelos economistas e planejadores brasileiros na fase inicial da Republica foi a de encontrar formas de substituir rapidamente a estrutura escravocrata da força de trabalho por mão-de-obra livre. A economia era ainda essencialmente agrícola e extrativista, com muitos centros populacionais incipientes e isolados, basicamente auto-suficientes e em níveis profundamente diferentes de possibilidades econômicas e densidades demográficas. O problema da abolição da mão-de-obra escrava e a sua substituição por uma força de trabalho livre tinha sido tema perene e polêmico de discussão e grave preocupação pública, por todo o século XIX, da chegada da Corte Portuguesa em 1808 à proclamação do regime republicano em 1889. A questão e crise do café e os esforços pela industrialização do país ocorrem balizados por duas grandes guerras mundiais (1914-18/1939-45), que alterariam definitivamente o panorama geopolítico, econômico  e demográfico do mundo, determinando novas linhas condicionantes  para o desenvolvimento econômico do Brasil, nos cinquenta anos seguintes. A industrialização, a acentuada urbanização e a transformação étnica, ocorridas no país, nos últimos cem anos,  estão indissoluvelmente ligadas à forte entrada de imigrantes europeus e asiáticos e ás intensas correntes migratórias internas que, partindo do Nordeste se dirigiram à Amazônia, ao Sudeste e ao Centro-Oeste, depois de meados do século, impulsionadas em parte pela transferência da Capital Federal. A partir dos anos 70, a economia do Brasil conhece forte processo de modernização, caracterizado pela diversificação industrial, construção e consolidação de extensa infraestrutura viária e energética, integração educacional e melhoria da qualidade de vida que atingiu níveis comparáveis ao dos países medianamente desenvolvidos. Todas estas transformações se fizeram sob o comando de governos na maior parte do tempo ditatoriais. A fase recente de economia liberal e consolidação democrática coincide com a intensificação de um processo mundial de intensa liberalização dos fluxos externos e movimentos de capital que impedem a aplicação  eficiente das  políticas econômicas  keynesianas, que caracterizaram a intervenção governamental no setor econômico até os anos noventa. O Brasil foi o último país do mundo a abolir o uso de mão de obra escrava e o fizemos há pouco mais de um século. Em cem anos, passamos de uma população diminuta, analfabeta, dispersa e essencialmente agrícola a um conglomerado humano de quase 200 milhões de pessoas. Todas estas transformações não ocorreram ao acaso, o Brasil desde as suas mais remotas raízes portuguesas foi sempre um país planejado. Uma história do pensamento econômico e social do Brasil deve necessariamente identificar os personagens  atuantes e as obras determinantes e relevantes que balizaram nossa evolução econômica nos primeiros 500 anos da nossa existência como entidade geopolítica.

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Darcy Carvalho,
9 de dez de 2015 15:18
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Darcy Carvalho,
27 de dez de 2015 02:16
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Darcy Carvalho,
9 de dez de 2015 12:44
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Darcy Carvalho,
9 de dez de 2015 14:54
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