O Pensamento Econômico de Pombal

A FORMAÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO DO MARQUÊS DE POMBAL

A  literatura  sobre  o  Marquês  de  Pombal  é  vastíssima,  mas  referências  explícitas à formação do seu pensamento econômico são raras.  Do ponto  de  vista da  História do Pensamento Econômico devemos considerá-lo  como um grande economista da  escola mercantilista portuguesa , em  que  se  incluem  outros  nomes  ilustres tais como:  Duarte Gomes Solis (1562-?),  Luís  Mendes  de  Vasconcelos  (século XVI, século XVII)  autor dos  “Diálogos  do  sítio  de  Lisboa”  (1608) ; Manuel  Severim  de  Faria (15827-1655),  com sua  obra “Dos  remédios  para  a  falta  de  gente”  (1655); Duarte  Ribeiro de  Macedo  (1618-?) com o  seu “ Discurso sobre  a  introdução das  artes  em  Portugal “  (1675)  e  “Memória  sobre  a  transplantação  dos  frutos da  Índia  ao  Brasil”,  escrita  no  mesmo  ano,  em  Paris;  Antonio  Vieira (1608-1697),  cujo  pensamento  econômico  pode  ser  estudado em  seus  pareceres,  cartas  e  sermões,  escritos  de  1626  até  a  sua  morte;  D.  Luís  de Menezes  (1632-1690),  Terceiro  Conde  de  Erice ira,  vedor  da  Fazenda  no governo  de  D.  João  IV,  e  autor da  História de Portugal Restaurado  (1679 e 1698);  D.  Luís  da  Cunha  (1662-1749)  autor  do  “Testamento  político  ou máximas”. As Discretas sobre  a  forma  necessária da agricultura,  comércio,  milícia,  marinha,  tribunais,  fábricas.  etc”., representadas  e  dirigidas  ao sereníssimo  Senhor D. José;  Príncipe da Beira,  augusto filho do Senhor D. João V, por D. Luís  da  Cunha  (1747-1749);  Alexandre  de  Gusmão  (1695-1753),  autor do “Tratado  de  Madrid”  (1750),  da ‘ Pragmática  de  1749”,  e  do “Cálculo  sobre  a perda  do  dinheiro  do  Reino”  (1784)  e  ainda  o brasileiro   José Joaquim  de Azeredo  Coutinho  (1742-1821),  autor  posterior  a  Pombal e  que escreveu inúmeras  obras,  recentemente  coligidas  e  anotadas pelo  Prof.  Sérgio  Buarque  de  Holanda  (São  Paulo,  1966).  Entre  as  obras  de  Azeredo Coutinho  destacam-se  o  “Ensaio  econômico  sobre  o  comércio  de  Portugal  e  suas  colônias”  (1794), a “Memória sobre  o  preço  do açúcar” (1791),  o Discurso sobre o  estado atual  das minas do  Brasil (1804),  e  a  discutida  Análise  sobre  a  justiça  do comércio  do resgate dos  escravos  da  costa  da  África”  (1798),  que José da Silva Lisboa (1756-1835),   Visconde de Cairu,  abolicionista  moderado, abominava. O  pensamento  econômico  do Marquês  de  Pombal  encontrou,  assim,  uma  vasta  literatura  econômica nacional,  em  que  se alimentar acrescendo  ter sido contemporâneo  de  alguns  desses  nomes  mais  expressivos.  como D.  Luís da Cunha,  que  o  estimava,  Alexandre  de  Gusmão,  seu  grande  rival,  bem  como  de D.  João da Mota e Silva,   Cardeal  da  Mota,  seu  protetor  e  um  dos  nossos “economistas esquecidos",  principal  figura no  reinado  de  D.  João  V,  autor redescoberto por J. Borges de Macedo,  Sebastião José de Carvalho e Melo representa em Portugal a reação contra a preponderância inglesa  na  economia nacional,  consolidada através  de  um  século  por sucessivos  tratados de  aliança, amizade e comércio de  D.  João  IV  a D.  João V.

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