02 Readings on Brazilian Economic Thought, Arquivos e Links.

LEITURAS E BIBLIOGRAFIAS SOBRE O PENSAMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO ( 1822-2014)

This page will collect bibliography, articles, links  and excerpts of works by Brazilian and Foreign Authors  about Brazil´s Economic Thought , from the Independence of the Country to the presente. Authors who published before 1822 are studied as Lusobrazilians.

02.1  PRIMEIRA LEITURA. ALEXANDRE DE FREITAS BARBOSA:  O BOM E VELHO DESENVOLVIMENTISMO 

Alexandre de Freitas Barbosa é professor de História Econômica e Economia Brasileira Internacional do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP) [ 17/05/2013]

http://www.teoriaedebate.org.br/materias/economia/o-bom-e-velho-desenvolvimentismo?page=full

O BOM E VELHO DESENVOLVIMENTISMO . 

A palavra desenvolvimento voltou a ser proferida no Brasil. E mais: dizer-se desenvolvimentista deixou de soar pejorativo. Tudo indica que vivemos um importante momento de transição. Como assegurar que não se trata de mera onda? Pode-se falar de um “novo desenvolvimentismo”, ainda em gestação? E o que este teria de novo? Enfim, qual o sentido do desenvolvimentismo no Brasil de hoje e, ainda por cima, no atual contexto global?

DESENVOLVIMENTISMO ONTEM . Para esboçar algumas hipóteses às perguntas acima lançadas é preciso, antes, compreender o que foi o “bom e velho desenvolvimentismo”. Essa afirmação não remete a um passado nostálgico, mas a um conjunto de propostas concretas – muitas das quais jamais vieram à luz – para o desenvolvimento nacional, embasadas na interpretação da realidade brasileira e ancoradas num conjunto de forças sociais.

 Esqueçam a cantilena neoliberal: o desenvolvimentismo não foi inflacionista, autoritário, nem buscou isolar o Brasil do mundo. Seus expoentes viam o desenvolvimento como um processo de criação de novos alicerces para a Nação. Esta era a categoria central. A economia entrava na equação, pois se tratava de integrar o território, dotando-o de infraestrutura, emprego e tecnologia. Uma sociedade democrática e moderna daria novo sentido à “civilização brasileira”, como então se dizia.

Herdeiros dos positivistas, mas com a mente aberta para as várias correntes modernistas, os desenvolvimentistas faziam parte de uma contraelite dirigente aninhada no setor público ao longo dos anos 1950 e início dos 1960. Apesar de terem de conviver com as classes dominantes velhas e novas, nossos construtores de instituições revolucionaram a forma de pensar e praticar o desenvolvimento.

O novo termo deslocava a noção de progresso, que sugeria um raciocínio etapista. Admitiam-se, agora, várias vias para o desenvolvimento. Mas jamais seríamos iguais a “eles”, os desenvolvidos. Nesse sentido, a “teoria do subdesenvolvimento” funcionava como uma ferramenta metodológica essencial para a compreensão de nossa formação, da situação concreta daquele presente e das possibilidades futuras.

O desenvolvimento exigia, antes de tudo, autoestima nacional, fermento para qualquer ideologia transformadora. Mas não apenas. Partia de uma interpretação autônoma sobre os processos econômicos e sociais repletos de historicidade e de uma concepção acerca do papel do Brasil no mundo e de sua condição periférica. Encontrava respaldo numa nova liderança – o Estado, pilotado pela contra-elite de servidores públicos – capaz de acionar políticas e  eformas, canalizando os anseios do desenvolvimento nacional, apesar da sua relação por vezes contraditória com os atores sociais e econômicos. Se não compreendermos essas várias dimensões, corremos o risco de cair num anacronismo com resultados funestos para o período atual, a ponto de acharmos que “somos todos desenvolvimentistas agora”.

OS DESENVOLVIMENTISTAS

ROMULO ALMEIDA - Baiano, foi CHEFE DA ASSESSORIA ECONÔMICA  de VARGAS. Com sua equipe, cria A PETROBRAS, uma nova política para o setor energético, a CAPES E O BANCO DO NORDESTE DO BRASIL. Encarrega-se da elaboração de projetos que se ocupam da habitação popular, das cooperativas agrícolas e do desenvolvimento da Amazônia. É o “praxista” construtor de instituições. Depois volta a sua terra natal, para comandar uma experiência inovadora de planejamento regional. Participa da iniciativa frustrada de integração latino-americana, como primeiro secretário executivo da ALALC.

IGNÁCIO RANGEL -  Maranhense, funcionário de carreira do BNDES, filiado ao PCB e membro ativo do ISEB. Foi parceiro de Romulo na assessoria de VARGAS e interlocutor de CELSO FURTADO no debate intelectual, tendo optado pelos bastidores da vida pública. Propôs diagnósticos originais sobre o problema da inflação, do crédito e da tecnologia. As desigualdades sociais e regionais não aparecem como sintomas do atraso ou de uma modernização limitada, e sim como resultantes de um capitalismo dinâmico, mas sem controle estatal efetivo e infenso a reformas estruturais.

CELSO FURTADO -     http://pt.wikipedia.org/wiki/Celso_Furtado

 Paraibano, com doutorado em Economia pela Sorbonne, herda a interpretação cepalina de RAUL PREBISCH e a transforma na teoria do subdesenvolvimento. Cria e gere a SUDENE; depois assume o MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO num momento de radicalização política do país. Fornece um dos grandes afrescos para a interpretação do Brasil, com foco na dimensão econômica, mas integrada a uma proposta de afirmação nacional. Exilado, reconstrói seu percurso analítico, enriquecendo-o. Na volta ao país, sonha em prosseguir a construção interrompida.                

Nordestinos, servidores públicos e socializados na capital federal a partir dos anos 1940,  muitas das instituições por eles criadas – BNDES, CAPES, PETROBRAS, BNB, ELETROBRÁS, SUDENE – estão aí para quem quiser ver, algumas desvirtuadas, outras returbinadas. Não atuavam isolados, antes somavam forças com outros DESENVOLVIMENTISTAS NÃO ECONOMISTAS, como JOSUÉ DE CASTRO,  ANÍSIO TEIXEIRA,  DARCY RIBEIRO  e HELIO JAGUARIBE. A lista é extensa, com ramificações por vários setores da burocracia e da sociedade civil.

Pensaram o país para além da sua região – buscando integrar social e economicamente os vários territórios nacionais –, ao mesmo tempo em que procuraram alterar as relações de dependência com as potências dominantes.

A partir do Estado, tentaram ativar e direcionar as forças latentes da sociedade em ebulição. Jamais se entregaram, apesar de terem sido derrotados. Seus legados seguem atuais. As sementes que deixaram podem assumir novas configurações, não antevistas por seus modelos e utopias. [ END OF QUOTE] 

Alexandre de Freitas Barbosa é professor de História Econômica e Economia Brasileira/Internacional do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo  (IEB-USP) Darcy Carvalho, USP, São Paulo, SP, Brazil.


02.2 SEGUNDA LEITURA. CELSO FURTADO, ECONOMISTA E HISTORIADOR. PROF. DR. DARCY CARVALHO

Universidade de São Paulo. Subsídios para o Estudo do Pensamento Econômico Brasileiro, 27/01/2014

Celso Monteiro Furtado, insigne economista e historiador brasileiro , foi um dos mais destacados intelectuais do Ocidente, ao longo do século XX. Nasceu em 26 de julho de 1920, em Pombal, Paraíba , Brasil, e faleceu aos 20 de novembro de 2004, no Rio de Janeiro . Educado na Universidade de Paris, viveu e trabalhou na França a maior parte de sua vida, como professor e como pesquisador, além de assessorar continuamente orgãos internacionais ligados à problemática do desenvovimento e do subdesenvolvimento. Foi Ministro do Planejamento do Brasil, no Governo do Presidente João Goulart (1963-65), que assumiu pela renúncia do Presidente Jánio da Silva Quadros. Seu acervo bibliográfico conserva-se na cidade do Rio de Janeiro, no Centro Celso Furtado , que publicou sua bibliografia parcial abaixo reproduzida:

CELSO FURTADO BIBLIOGRAFIA SELECIONADA . CENTRO CELSO FURTADO © 2006 – 2013

Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social 1963-65 (Texto introdutório); Conferências (1957): 1. Grau de integração da economia brasileira; 2 - Os desequilíbrios fundamentais. Em O Brasil de João Goulart - um projeto de nação (2006). O. Munteal, J. Ventapane, A. de Freixo (org.), J. Goulart, A.V. Pinto, N.W. Sodré, San Tiago Dantas, I. Rangel, R. Corbisier, T. dos Santos, D. Ribeiro, C. Benjamin. Rio de Janeiro: Contraponto/ Puc-Rio.

The Political Factor in the Formation of Brazil. Em Brazil: Dilemmas and Challenges (2002). J. Marcovitch (org.), H. Jaguaribe, C. Furtado, L.C. Bresser-Pereira et alii. São Paulo: Edusp.

Reflexões sobre a crise brasileira. Em Razões e ficções do desenvolvimento (2001). G. Arbix, M. Zilbovicius & R. Abramovay (ed.), F. de Oliveira, R. Ricupero, C. Furtado, P. Streeten, S. Amin, et alii. São Paulo: Unesp/Edusp.

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Quando o futuro chegar. Em Brasil, um século de transformações (2001). I. Sachs, J. Wilheim & P.S. Pinheiro (ed.). A. Garcia, C. Furtado, C. Buarque, L.C. Bresser-Pereira, P. Singer et alii. São Paulo: Companhia das Letras.

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CELSO FURTADO BIBLIOGRAFIA. CENTRO CELSO FURTADO © 2006 – 2013

ARTIGOS EM PUBLICAÇÕES ACADÊMICAS (SELEÇÃO)

Os desafios da nova geração. Revista de Economia Política (2004). São Paulo, v. 24, 4 (96), pp. 483-86.

O golpe de 64 e o Nordeste. Tempo Brasileiro (2004). Rio de Janeiro, nº 158, pp. 27-30.

A responsabilidade dos cientistas. Revista Brasileira (2003). Rio de Janeiro: ABL, ano IX, 37, pp. 19-24.

A habitação. Estudos Avançados (2003). São Paulo, v. 17, 48, p.184.

Reflexões sobre a crise brasileira. Novos Estudos CEBRAP (2000). São Paulo, nº 57, pp. 3-8.

Metamorfoses do capitalismo. Boletim de Ciências Econômicas XVL (2003). Coimbra: Universidade de Coimbra.

La búsqueda de un nuevo horizonte utópico. Ciudadanos – Revista de crítica política y propuesta (2001). Buenos Aires, nº 2, pp. 21-29.

O fator político na formação nacional. Estudos Avançados (2000). São Paulo, v. 14, 40, pp. 7-12.

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A ‘invenção’ do subdesenvolvimento. Revista de Economia Política (1995). São Paulo, v. 15, 2, pp. 5-9. Em espanhol: Realidad Económica (1995). Buenos Aires, agosto, pp. 44-49.

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Transition vers la démocratie au Brésil. Cahiers du Brésil contemporain (1989). Paris, nº 6, pp. 3-8.

Entre inconformismo e reformismo. Revista de Economia Política (1989). São Paulo, v. 9, 4 (36), pp. 6-28; Estudos Avançados (1990). São Paulo, v. 4, 8, pp. 166-187.

A situação na União Soviética. Novos Estudos CEBRAP (1989). São Paulo, nº 24, pp. 59-61.

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Que somos? sete teses sobre a cultura brasileira. Revista do Brasil (1984). Rio de Janeiro, ano 1, 2, pp. 12-19. Em francês: IFDA Dossier (nov-dez. 1984). Paris. Em inglês: Culture and development: brazilian, what are we?, em Development and Peace (1985). Budapeste, v. 6, pp. 141-47.

Nordeste: reflexões sobre uma política alternativa de desenvolvimento. Revista de Economia Política (1984). São Paulo, v. 4, 3, pp. 5-14.

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L’ordre économique international: les nouvelles sources de pouvoir. Revue Tiers-monde (1980). Paris.

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Acumulación y creatividad. Revista de la CEPAL (1978). Santiago do Chile: CEPAL. 2º semestre.

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Le nouvel ordre économique mondial: un point de vue du Tiers-monde. Revue Tiers-monde (1976). Paris, julho-setembro.

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02.3 LEITURA. O SÉCULO  XIX, SEGUNDO FURTADO.  MARIA TERESA RIBEIRO DE OLIVEIRA.

Universidade de Brasília (UnB), Brasil.

SOURCE: ANPEC – Mesa Especial Celso Furtado. Revista Economia, Dezembro 2009, Maria Teresa Ribeiro de Oliveira. PDF ON LINE. 


ABSTRACT: Este artigo examina algumas das inovações introduzidas por Celso Furtado no estudo da evolução da economia brasileira do século XIX, em sua obra, Formação Econômica do Brasil, parte IV, intitulada: “Economia de transição para o trabalho assalariado”. Uma das principais inovações é, sem dúvida, a utilização de conceitos teóricos de Economia e modelos macroeconômicos que levam o autor a interpretações, em alguns casos, radicalmente opostas àquelas dos historiadores econômicos que o precederam.       This paper identifies some of the innovations introduced by Celso Furtado in the study of the evolution of the Brazilian economy in the Nineteenth Century in the IV part of his book, Formação Econômica do Brasil, entitled : “Economia de transição para o trabalho assalariado.” One of his major innovations was the use of theoretical concepts of Economics and macroeconomic models that led him to interpretations, sometimes radically opposed to those previously presented by historians. Keywords:  Celso Furtado, Formação Econômica do Brasil, Século XIX, D. João VI, Políticas Econômicas 

1. Introdução

Em “Economia de transição para o trabalho assalariado, século XIX”, quarta parte de sua obra Formação Econômica do Brasil, Celso Furtado analisa a evolução da economia brasileira do último quartel do século XVIII ao final do século XIX. Segundo o autor, os obstáculos ao crescimento da economia nas últimas décadas do século XVIII persistiram ao longo da primeira metade do século XIX,  caracterizando um período de estagnação econômica. Na segunda metade do século, alguns desses obstáculos foram eliminados, permitindo taxas mais altas de crescimento.

As histórias econômicas do Brasil de Roberto C. Simonsen e Caio Prado Júnior, ambas publicadas mais de dez anos antes da Formação Econômica do Brasil, são tomadas como base para a identificação das inovações introduzidas por Furtado ao estudo da primeira metade do século XIX. A História Econômica do Brasil de Roberto Simonsen foi publicada pela primeira vez em 1937 e sua A Evolução Industrial do Brasil, em 1939; a Formação do Brasil Contemporâneo de Caio Prado, em 1942, e sua História Econômica do Brasil, em 1945. No exame dos efeitos da política joanina de proteção à indústria foi também usada a obra de Nícia Luz Vilela, A Luta pela Industrialização do

Brasil (1808 a 1930). Embora a primeira edição desse livro tenha sido publicada em 1961, versões preliminares já haviam sido publicadas em quatro números da Revista de História nos anos 1957 e 1958.

Primeira história econômica brasileira produzida por um autor com formação em Ciências Econômicas, essa é, sem dúvida, a inovação básica de Formação Econômica do Brasil. Conceitos teóricos de economia e instrumentos de análise econômica foram introduzidos e modelos – tão a gosto dos economistas – construídos, pela primeira vez, para explicar a evolução histórica da economia brasileira. Celso Furtado insiste na singularidade de seu livro em relação à visão tradicional dos historiadores que o precederam. Sua obra seria o resultado de um longo trabalho de reflexão, realizado na Cepal entre 1949 e 1958, sobre as origens do subdesenvolvimento das economias latino-americanas e, em especial, da economia brasileira Assim sendo, como afirma o próprio autor se referindo especificamente à Formação Econômica do Brasil, o livro “pode ser lido como história, mas é fundamentalmente de análise econômica”. 1 E, em prefácio à edição de 2007 de Formação Econômica do Brasil : o seu objetivo “... é simplesmente a análise dos processos econômicos, e não reconstituição de eventos históricos que estão por trás desses processos”. 2

A Formação Econômica do Brasil tem sido vista por alguns autores como uma nova versão de uma obra anterior do autor. De fato, nos capítulos 28–32, segundo testemunho do próprio Furtado, “o autor seguiu de perto o texto de análise apresentado em trabalho anterior, A Economia Brasileira. 3 Tal afirmativa, contudo, não é válida apenas para os capítulos 28–32, já que todos os capítulos – do último quartel do século XVIII (capítulo 16), ao final do século XIX (capítulo 29) – se fundamentam também, em maior ou menor grau, nos modelos desenhados pelo autor naquele trabalho. Cabe, finalmente, chamar a atenção para o sentido dado por Furtado à expressão “sistema colonial”, bem diverso daquele usado pela maioria dos  historiadores econômicos, que utilizam a expressão para caracterizar o sistema de relações prevalecentes entre metrópoles e suas respectivas colônias no período de expansão comercial européia. 

Notas 1 Celso Furtado, O Longo Amanhecer, Reflexões sobre a Formação do Brasil, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999, p. 75. 2 Celso Furtado, “Introdução”, Formação Econômica do Brasil, São Paulo, 34a. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 22. 3 Celso Furtado, A Economia Brasileira. Rio de Janeiro: Editora A Noite, 1954. Economia, Selecta, Brasília (DF), v.10, n.4, p.887–904, dezembro 2009.

Para Furtado: “A qualificação de sistema de economia colonial ... aplica-se àquele que não pode crescer senão por indução do crescimento de um outro sistema, melhor ainda àquele que não é capaz de criar o seu próprio impulso de crescimento”. 4 Não obstante, para o autor, o período colonial, no caso do Brasil é o período que antecede a independência política do país. Ou seja, para ele, o sistema de economia colonial não necessariamente vigora apenas em período colonial. No caso brasileiro, este sistema vai além do período do Brasil-colônia. 5 A primeira seção deste trabalho reproduz o esquema analítico adotado por Celso Furtado para explicar a evolução da economia brasileira no século XIX. A periodização usada pelo autor é examinada na seção que se segue. A apreciação inovadora de Furtado sobre os resultados das medidas joaninas de política econômica é apresentada na terceira e quarta seções. A última seção mostra como, segundo o autor, os obstáculos ao crescimento da economia brasileira na primeira metade do século foram superadas na segunda metade desse mesmo século, permitindo taxas mais altas de crescimento. As conclusões do trabalho são apresentadas a seguir. [....]

http   ://www.anpec.org.br/revista/vol10/vol10n4p887_904.pdf







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Darcy Carvalho,
27 de mar de 2014 18:09
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