NEO-LATIN 2. LATINITAS BRASILIANA ET LUSITANA. Latinidade Brasileira e Lusitana

LATINITAS BRASILIANA LATINIDADE BRASILEIRA. PROF. DR. DR. DARCY CARVALHO, SÃO PAULO, BRAZIL
Contents: 01 02 03 04 05 06

01 INTRODUÇÃO. AS RAÍZES DO LATIM BRASILEIRO E LUSITANO

Através de Portugal e Espanha, o Brasil tem suas raízes históricas e linguísticas plantadas no Império Romano. A partir da conquista da Península Ibérica, há mais de 2000 anos, pelas legiões romanas, em consequência das guerras contra os fenícios de Cartago, que dominavam a região, o latim castrense dos romanos começou a substituir os idiomas regionais ibéricos, acabando por tornar-se a língua geral do território hoje ocupado pela Espanha e Portugal. O latim escrito e literário foi introduzido simultaneamente pela administraçao romana e seu sistema escolar. Bem saber o latim escrito e falado era condição sine qua non para ascender a altos cargos públicos e militares na época romana. Muitos generais romanos foram exímios escritores em latim e grego, até a conquista do Império Romano do Oriente pelo sultão otomano Mohammed II, em 29 de maio de 1453. Depois da queda do Império Romano do Ocidente, causada pelas invasões germânicas, por volta do ano 500 da era cristã, cessado o intercâmbio regular com Roma, o latim peninsular isolado começou a evoluir na direção dos diversos idiomas neolatinos peninsulares, ainda hoje existentes, um dos quais o português, cujos primeiros documentos escritos datam do século XII. A expansão do Islã, depois do ano 600, leva à conquista da Africa Romana, que se estendia do Egito ao Marrocos, e de parte considerável da Espanha meridional,  por árabes originários da Síria. A partir de então o árabe e o latim convivem como línguas cultas da Península, até o fim da reconquista em 1492, realizada pelos reis católicos Fernando e Isabel. A cristianização do Império Romano, consolidada, a partir do século III, foi o fator determinante da conservação do latim como língua escrita da Europa ocidental, por ser o idioma utilizado na catequização das hordas invasoras germánicas, da liturgia católico-romana e da administração dos papas.

Em 1500, quando o Brasil foi descoberto, era o latim língua viva na corte de el-Rei Dom Manuel, o Venturoso, utilizado normalmente na correspondência real e no registro dos imensos empreendimentos ultramarinos dos portugueses e espanhois. Foi imediatamente introduzido no Brasil pelos Jesuítas e em latim se escreveram os resultados das primeiras explorações da terra e do seu povo. Existem, portanto, uma Latinitas Lusitana e uma Latinitas Brasiliana, não desprezíveis e partes essenciais da vasta literatura novilatina. O Neo-Latin, neolatim, o latim renascentista e pós-renascentista, foi escrito de 1300 a 1800, e estudado por Joseph IJsewijn e Dirk Sacré, os primeiros a ressaltar a dignidade acadêmica desta importante e vasta parte do latim medieval. 

O Beato José de Anchieta com seu poema De Beata Virgine Matre Dei Maria e com sua epopeia De Gestis Mendi de Saa inaugura a Latinitas Brasiliana, continuada até os nossos dias, esparsa embora e timidamente confinada às universidades. Entretanto, voltar a ler latim e ser capaz de escrevê-lo como língua moderna e até falá-lo está ao alcance de todo universitário em país neolatino se o quiser. 
O poema De Beata Virgine Matre Dei Maria, talvez a primeira obra literária escrita em latim no Brasil, foi publicada pela primeira vez pelo Padre Simão de Vasconcellos SJ no final da obra:

CHRONICA DA COMPANHIA DE JESU DO ESTADO DO BRASIL E DO QUE OBRARAM SEUS FILHOS NESTA PARTE DO NOVO MUNDO. EM QUE SE TRATA DA ENTRADA DA COMPANHIA DE JESU NAS PARTES DO RRASIL,DOS FUNDAMENTOS QUE NELLAS LANÇARAM E CONTINUARAM SEUS RELIGIOSOS, E ALGUMAS NOTICIAS ANTECEDENTES,CURIOSAS E NECESSÁRIAS DAS COUSAS DAQUELLE ESTADO. PELO PADRE SIMÂO DE VASCONCELLOS, DA MESMA COMPANHIA. TOMO PRIMEIRO (E ÚNICO) SEGUNDA EDIÇÃO CORRECTA E AUGMENTADA. VOLUME II.EM CASA DO EDITOR A. J. FERNANDES LOPES, RUA ÁUREA, 132 — 134. MDCCCLXY.


Como exemplo inicial da Latinidade Lusitana ler Damião de Góis no texto original Descriptio Urbis Olisiponis e nas duas traduções portuguesas, uma recente por José da Felicidade Alves, Descrição da Cidade de Lisboa, e outra por Raul Machado, Lisboa de Quinhentos, de 1936, esta com os textos latino e português dispostos paralelamente:

DESCRIPTION OF THE CITY OF LISBON. A LATIN TEXT BY DAMIANUS A GOES (1502-1574): URBIS OLISIPONIS DESCRIPTIO (1554) WITH TWO PORTUGUESE TRANSLATIONS.DESCRIÇAO DE LISBOA.OU LISBOA DE QUINHENTOS POR DAMIAO DE GOIS COM DUAS TRADUCOES PORTUGUESAS. STUDIES IN MEDIEVAL AND MODERN LATIN.LATINITAS LUSITANA. PROF. DR. DARCY CARVALHO. SAO PAULO. BRAZIL, 2015.


Prof. Dr.Darcy Carvalho .FEAUSP, scripsit die 30/12/2015

02  A  GRAMÁTICA LATINA DE ANTONIO DE CASTRO LOPES. NOVO SYSTEMA PARA ESTUDAR A LINGUA LATINA



Esta gramática latina por Antonio de Castro Lopes está dividida em duas partes. Na primeira, o autor explica em dezesseis lições os princípios básicos do idioma latino, pelo Método de Robertson. Dispõe a matéria em em 26 quadros. Na segunda parte, aprofunda a teoria e chega às figuras de sintaxe e metrificação. O autor é eximio poeta latino. Esta preciosa gramatica difere de todas as que conhecemos. Prof. Dr. Darcy Carvalho.   FEAUSP.   Creative Commons license: CC0 1.0 Universal

03 ANTONIO DE CASTRO LOPES ( 1827- 1901): O ULTIMO LATINISTA.mPOR PAULO NOGUEIRA

A saga de Castro Lopes, o homem que tentou substituir a palavra futebol por ludopédio. Por Paulo Nogueira . O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

CITO: " Em 1989, a revista Veja fez um suplemento em comemoração aos 100 anos da República. A graça é que os textos foram escritos como se os jornalistas vivêssemos na época da proclamação.  Era como se estivéssemos cobrindo-a na semana mesma de 15 de novembro. Eu saíra fazia pouco tempo da Veja para ser editor-executivo da Exame. Mesmo assim, me encomendaram dois artigos: um perfil do Barão de Mauá, o maior empresário brasileiro de então, e um perfil de um latinista arrebatado, Castro Lopes. Lopes quis purificar a língua falada no Brasil de anglicismos e galicismos, e produziu neologismos como ludopédio para substituir o futebol. Quase nada vingou, como você poderá ver no quadro posto no pé deste artigo,  exceto por uma ou outra palavra como roupão, que ocupou o lugar do peignoir. Você pode apreciar o esforço titanicamente frustrado de Lopes nas linhas abaixo.
É possível que o leitor esteja lendo esta revista agora em sua cama, com a ajuda de seus nasóculos e à luz suave de um lucivelo.

Os artigos escritos pelos alvissareiros misturam-se, harmoniosamente, aos preconícios que louvam as virtudes de sortidos produtos. Faz calor neste final de primavera, e decerto o nosso leitor não retira há muito tempo de sua gaveta o focale que lhe aquece o pescoço no frio. E ele provavelmente terá reparado como é grande, nos últimos tempos, o número de ludâmbulos que, vindos de outros Estados e até de outros países, se abalam a conhecer os encantos da cidade.

Não te sintas o mais ignaro dos brasileiros se, no parágrafo anterior, tropeçaste em vocábulos como “nasóculos”, “Iucivelo”, “alvissareiro”, “preconício”, “focale” e “ludâmbulos”. Consultados sobre o significado de tais palavras, quase todos os jornalistas desta revista que ora tens em mãos tropeçaram exatamente onde foste ao chão. Um, mais curioso, tratou de correr ao Caldas Aulete, mas foi inútil. Cerrou as páginas do dicionário tão no ar quanto as abrira. É que todas aquelas palavras acabam de ser criadas pelo gramático carioca Antônio de Castro Lopes, 62 anos, um latinista de nomeada que é médico por profissão e decidiu investir contra os galicismos e anglicismos que, a seu ver, contaminaram atrozmente a língua pátria.

As palavras a que Castro Lopes tenta dar vida e aquelas que ele pretende suprimir estão arroladas no recém-lançado Neologismos Indispensáveis e Barbarismos Dispensáveis, livro que serviu de tema para conversas, e piadas, trocadas entre o ex-imperador Pedro II e o Visconde de Taunay.

Castro Lopes  “Não é de desenterrar palavras mortas e sepultadas que se trata”, explica o autor no prefácio do opúsculo. “Mas de limpar, de expurgar a linguagem vernácula de vozes bárbaras, de construções contrárias à índole daquela, e de criar com bons elementos termos que no idioma português faltem para traduzir os exóticos”. Castro Lopes não tenta promover reformas apenas na língua portuguesa. Sugere muitas outras. Tem, pronta, uma fórmula para acabar com a dívida interna e externa do país, ou, pelo menos, é o que garante.

Tal fórmula apóia-se numa moeda universal, o ponto alto da plataforma com a qual se lançou candidato a deputado provincial pelo Rio de Janeiro. Não se conhece nenhuma adesão de outros países à tal da moeda universal do latinista, mas o fato é que ele se elegeu deputado. Acusem-no, os que quiserem, de purista extremado, mas não o tomem por rabugento. Será um equívoco. Castro Lopes tem um surpreendente bom humor. Daria um excelente cômico se quisesse.

Observe-se sua investida contra a palavra peignoir. Não cria, no caso, um neologismo. Vai buscar o vocábulo português que julga correspondente: roupão. Dirigindo-se ao “belo sexo”, Castro Lopes pergunta: “Por que empregareis o termo francês peignoir quando esse traje não serve para o fim que o nome indica?” Logo depois, lança, às damas nacionais, um apelo que revela seu talento humorístico: “Despi, portanto, eu vos suplico, o peignoir francês, e vesti o vosso roupão”.

Se daqui a 100 anos os neologismos do senhor Castro Lopes estarão vivos ou mortos, ninguém pode saber. Alguém usará a expressão “protofonia” como abertura de um ensaio, uma ópera, uma peça? Haverá crianças que peçam aos pais que façam um convescote domingo no parque, em vez de piquenique? Em duas crônicas recentes, o escritor Machado de Assis referiu-se ao trabalho de Castro Lopes com sarcasmo reprovador. O latinista não se intimida. Diz-se à boca miúda que, a cada golpe desferido por um adversário, responde com um toast solitário à cruzada pelo vernáculo – perdão, onde se leu “toast”, leia-se brinde.

Pérolas do  latinista: Como é e como fica.   Abajur - Lucivelo ou lucivéu;  Avalanche - Runimol; Bijuteria - Joalheira; Boulevard - Calçada;  Cachecol - Focale;Chalé - Castelete;Champignons - Cogumelos;Claque - Venaplauso;Debut - Estréia;Engrenagem - Entrosagem;Feérico - Fatídico;Massagem - Premagem;Mise-en-scène - Encenação;Nuance - Ancenúbio;Pince-nez - Nasóculos;
Piquenique - Convescote;Reclame - Preconício;Repórter - Alvissareiro; Turista - Ludâmbul.  FINIS CITATIONIS.

04 ANTONIO DE CASTRO LOPES POR JOÃO BORTOLANZA



05  FRANCISCO DE FREITAS LEITE. O LATIM EM CARTAS DO CARIRI CEARENSE (Final do século XIX e início do século XX)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – UFPB. CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES – CCHLA. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LINGUÍSTICA – PROLING

O LATIM EM CARTAS DO CARIRI CEARENSE (Final do século XIX e início do século XX)

Dissertação de mestrado. Autor: Francisco de Freitas Leite. Orientadora: Profa. Dra. Maria Cristina de Assis

João Pessoa (PB)  2009. ABSTRACT:

This work is a study on the uses that had Latin in letters written in Cariri from Ceará in the period from the second half of the century XIX to the first half of the century XX. The research is based in the theoretical proposal of the Social History of the Language, in the molds of the works of Burke and Porter (1993 and 1997) and gives emphasis, mainly, to the interpretation in the dimensions of social meaning of the uses of the terms and Latin expressions, in letters written basically in Portuguese.

KEYWORDS: Latin; Social History of the Language; social meaning; Cariri from Ceará; centuries XIX and XX.


05. O LATIM DO PADRE ANTONIO VIEIRA.

P. ANTONII VIEYRA CLAVIS PROPHETARUM DE REGNO CHRISTI IN TERRIS CONSUMMATUM

Arnaldo do Espírito Santo. O Latim da Clavis Profetarum.

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Darcy Carvalho,
29 de mai de 2015 11:21
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Darcy Carvalho,
29 de set de 2015 17:24
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Darcy Carvalho,
11 de set de 2014 13:13
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Darcy Carvalho,
25 de mar de 2014 10:37
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Darcy Carvalho,
19 de ago de 2014 03:07
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