LATINITAS BRASILIANA ET LUSITANA LATINIDADE BRASILEIRA E LUSITANA

LATINITAS BRASILIANA ET LUSITANA.  LATINIDADE BRASILEIRA E LUSITANA . PROF. DR. DR. DARCY CARVALHO.  FEAUSP. SÃO PAULO. BRAZIL. 2019

O NEO-LATIN, OU O NOVOLATIM, EM PORTUGAL E NO BRASIL.  

Contents: 01 02 03 04 05 06

01 INTRODUÇÃO. AS RAÍZES DO LATIM BRASILEIRO E LUSITANO

Através de Portugal e Espanha, o Brasil tem suas raízes históricas e linguísticas plantadas no Império Romano. A partir da conquista da Península Ibérica, há mais de 2000 anos, pelas legiões romanas, em consequência das guerras contra os fenícios de Cartago, que dominavam a região, o latim castrense dos romanos começou a substituir os idiomas regionais ibéricos, acabando por tornar-se a língua geral do território hoje ocupado pela Espanha e Portugal. O latim escrito e literário foi introduzido simultaneamente pela administraçao romana e seu sistema escolar. Bem saber o latim escrito e falado era condição sine qua non para ascender a altos cargos públicos e militares na época romana. Muitos generais romanos foram exímios escritores em latim e grego, até a conquista do Império Romano do Oriente pelo sultão otomano Mohammed II, em 29 de maio de 1453. Depois da queda do Império Romano do Ocidente, causada pelas invasões germânicas, por volta do ano 500 da era cristã, cessado o intercâmbio regular com Roma, o latim peninsular isolado começou a evoluir na direção dos diversos idiomas neolatinos peninsulares, ainda hoje existentes, um dos quais o português, cujos primeiros documentos escritos datam do século XII. A expansão do Islã, depois do ano 600, leva à conquista da Africa Romana, que se estendia do Egito ao Marrocos, e de parte considerável da Espanha meridional,  por árabes originários da Síria. A partir de então o árabe e o latim convivem como línguas cultas da Península, até o fim da reconquista em 1492, realizada pelos reis católicos Fernando e Isabel. A cristianização do Império Romano, consolidada, a partir do século III, foi o fator determinante da conservação do latim como língua escrita da Europa ocidental, por ser o idioma utilizado na catequização das hordas invasoras germánicas, da liturgia católico-romana e da administração dos papas.

Em 1500, quando o Brasil foi descoberto, era o latim língua viva na corte de el-Rei Dom Manuel, o Venturoso, utilizado normalmente na correspondência real e no registro dos imensos empreendimentos ultramarinos dos portugueses e espanhois. Foi imediatamente introduzido no Brasil pelos Jesuítas e em latim se escreveram os resultados das primeiras explorações da terra e do seu povo. Existem, portanto, uma Latinitas Lusitana e uma Latinitas Brasiliana, não desprezíveis e partes essenciais da vasta literatura novilatina. O Neo-Latin, neolatim, o latim renascentista e pós-renascentista, foi escrito de 1300 a 1800, e estudado por Joseph IJsewijn e Dirk Sacré, os primeiros a ressaltar a dignidade acadêmica desta importante e vasta parte do latim medieval. 

A LITERATURA PORTUGUESA E BRASILEIRA EM LATIM

O NOVOLATIM DOS JESUITAS NO BRASIL RARAMENTE ESTUDADO

No Brasil, o fato de os Jesuitas  terem utilizado o latim como língua auxiliar internacional , ao lado do português, do italiano e do espanhol, raramente merece atenção. Somente os historiadores deles se ocupam.O texto abaixo é divulgado pela Biblioteca Nacional do Brasil.

AS CARTAS DOS MISSIONÁRIOS. LEITURAS MODERNAS DAS CARTAS DOS PRIMEIROS MISSIONÁRIOS JESUÍTAS NO BRASIL

O corpus das primeiras cartas, tratados e fragmentos históricos, redigidos no Brasil pelos missionários jesuítas, forma um conjunto essencial para a historiografia da Companhia de Jesus, assim como para o Brasil. Com efeito, constitui um elemento importante no relato das origens tanto para uma quanto para outra destas duas entidades. Isto explica seu ressurgimento e as interpretações polêmicas que suscitou, quando da elaboração dos mitos da Ordem e da nação. Se acrescentarmos a isto o aspecto fragmentário e informe deste continente de textos, vamos compreender que ele oferecia múltiplas possibilidades às manipulações. É aos primeiros historiadores da jovem nação brasileira que é dado o mérito da exumação do corpus jesuíta. As numerosas pesquisas efetuadas por Francisco Adolfo Varnhagen (1816-1878), e em seguida por João Capistrano de Abreu (1853-1927), a partir de 1835 nos arquivos europeus, notadamente em Évora e Coimbra, vão permitir uma nova avaliação do conjunto dos escritos jesuítas.

OS HISTORIADORES BRASILEIROS E AS ORIGENS DA NAÇÃO

F. A. Varnhagen, em sua História geral do Brasil, redigida entre 1854 e 1857, utiliza as cartas e os documentos que as acompanham como fontes históricas para nutrir sua reconstituição do nascimento do Brasil colonial. Contudo, sua intrínseca hostilidade à Ordem inaciana induz uma leitura muito dirigida, que minimiza sistematicamente a importância dos padres em benefício dos agentes da coroa portuguesa. Os colegas de F. A. Varnhagen, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (o IHGB foi fundado em 1838), vão também produzir um grande número de comentários dispersos destas cartas, gabando sistematicamente as origens cristãs do Brasil. J. Capistrano de Abreu completará o trabalho de arquivo e editará elementos fragmentários da memória jesuíta, mas adotando a perspectiva oposta : a de um Brasil indígena que emerge dos textos dos padres Anchieta e Cardim, que o historiador é o primeiro a ler e publicar no Brasil.

Compreendemos que nas três leituras confrontadas aqui os textos jesuítas do século XVI são utilizados como documentos históricos que sustentam posições ideológicas antagonistas, dando uma versão das origens do país em função de posturas singulares. Se Varnhagen se obstina em ler a visão de um Brasil como extensão da Europa, os membros do IHGB fazem a apologia dos jesuítas como agentes de um cristianismo que abrandava a brutalidade da colonização ibérica. Capistrano, por sua vez, procura encontrar as marcas de um Brasil formado no local a partir dos elementos indígenas cuja persistência os jesuítas do século XVI registram. Os jesuítas são, portanto, ou simples agentes da coroa ou um grupo que se opõe à coroa em defesa dos índios, ou ainda testemunhas privilegiadas graças a sua proximidade com os índios. Basta organizar os textos distintos para fazê-los contar histórias bastante diferentes umas das outras.

OS JESUÍTAS ENTRE HISTÓRIA E APOLOGIA

A composição da história da Ordem por ela mesma é um dos modos de expressão privilegiada da identidade espiritual e política jesuíta. Por isso a construção do relato histórico das missões começou desde a origem da Ordem. O Chronicon do secretário J. A. Polanco, redigido a partir de 1573, conta a história jesuíta das origens até a morte de Inácio em 1556, utilizando trechos de cartas de missão. Para o Brasil, a Chrônica da Companhia do estado do Brasil, do padre Simão de Vasconcelos em 1663 vai constituir uma primeira síntese, redigida contudo por um oponente de Roma que será censurado. Mas vai ser a monumental história do padre Serafim Leite que depois dará uma visão global da missão até o século XVIII. Sua História da Companhia de Jesus no Brasil, (1938-1950), em dez volumes, acompanhada da publicação da quase totalidade dos documentos, parece colocar fim a esta grande tarefa historiográfica.

No entanto, os três conjuntos que citamos contam, a partir dos mesmos documentos, histórias bem diferentes. Trata-se, exatamente como nos historiadores laicos, de dar uma versão das relações entre Roma, Lisboa e Bahia. Polanco faz da missão brasileira uma simples extensão da virtude do fundador, Vasconcelos, por sua vez, privilegia a singularidade de uma missão especificamente brasileira, e Serafim Leite dá a versão de uma missão que teria sido o braço católico da coroa portuguesa. Mais uma vez, a organização de um relato do período das origens, e ,portanto, a leitura das cartas que constituem sua base, obedeciam a uma preocupação ideológica, ilustrando os debates bastante violentos que agitaram a Companhia de Jesus.

OS ANTROPÓLOGOS FRANCESES E BRASILEIROS OU A ERA DA SUSPEITA

Fora do círculo jesuíta ou do valor que podia constituir esta correspondência para os primeiros historiadores brasileiros, o trabalho epistolar jesuíta só podia ser lido no interior de um corpus mais amplo, o dos relatos de viagem, documentos sobre a colonização ou o dos testemunhos sobre os índios. No campo da literatura, da história das missões católicas ou da antropologia, estes textos, ainda que potencialmente muito ricos, exigiam uma leitura prudente que devia primeiramente liberar os conteúdos do discurso apologético ou edificante que os enquadrava. Para a maior parte dos leitores, o substrato ideológico foi insransponível ; os historiadores católicos como o francês Robert Ricard ou os partidários da colonização só fizeram alargar a perspectiva inicial dos textos jesuítas.

Os antropólogos franceses e brasileiros foram igualmente leitores atentos das cartas, mas nem sempre satisfeitos com as informações que lá encontravam. Assim, os Clastres, Pierre e Hélène, apontam frequentemente a falta de objetividade, os silêncios e os vazios da informação sobre as práticas indígenas, especialmente no domínio religioso. Ao lado dos textos de A. Thevet, J. de Léry ou Gabriel Soares de Sousa, os textos jesuítas parecem efetivamente pobres, porque transmitem informações indiretas ou orientadas e não se interessam muito em construir um quadro ordenado da sociedade indígena. Não obstante, um dos grandes especialistas brasileiros da sociedade tupinambá, Florestan Fernandes, após o francês Alfred Métraux, reconhecia a incontestável utilidade destes fundos jesuítas para as análises das sociedades indígenas da costa.

O paradoxo reside no fato que a descrição das práticas religiosas indígenas pelos jesuítas é muito lacunar, tanto eles se obstinaram a ver um povo sem religião, ao passo que os dados antropológicos e históricos que estes documentos carregam são extremamente originais e pertinentes.

CONCLUSÃO: AS CARTAS JESUÍTAS HOJE

Assim, os documentos jesuítas foram muito frequentemente solicitados pelas leituras contemporâneas e permanecem ainda hoje como textos de primeira ordem, com a condição de que sejam reinseridos na lógica que foi a da sua redação. Constantemente instrumentados por discursos exteriores, constituem uma documentação incontornável para a reconstituição dos primeiros tempos da colonização mas igualmente para a apropriação de todas as causas ideológicas em jogo que atravessam a reescrita da história do Brasil. Utilizados de maneira menos maniqueísta pelos especialistas contemporâneos do Brasil, os textos saídos de uma experiência missionária sob vários aspectos inaugural continuam a alimentar a reflexão sobre o encontro entre o antigo e o novo mundo. SOURCE: BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL DO BRASIL


RATIO STUDIORUM SOCIETATIS JESU AB ANNO 1541 AD ANNUM 1599. MONUMENTA GERMANICA PAEDAGOGICA. TOMUS II. BERLIN 1887. PAGINAE 536. SOURCE GALLICA BnF. PROF. DR. DARCY CARVALHO. FEAUSP. SAO PAULO. BRAZIL. 2019. STUDIES IN MEDIEVAL AND MODERN LATIN. THE LATIN OF THE JESUITS. O LATIM JESUITICO.

The Societas Jesu was founded in 1540, by a Basque nobleman the soldier-turned-mystic, St. Ignatius of Loyola along with the First Companions. From the beginning, the Jesuit priests and brothers were ( and are) involved in educational, pastoral and spiritual ministries around the world. In the development of modern education the Jesuit Study Plan, drawn by the Founders, plays a role whose importance we cannot ignore or underestimate. On the Ratio Studiorum were based the organization and the activities of the colleges, that the Society of Jesus founded and directed for several centuries, all over the globe. Consecrated to teaching by its own constitution, the Society, where it was allowed to enter, instituted and multiplied educational establishments. In 1750, twenty three years before its suppression by Pope Clement XIV, the Order directed 578 colleges and 150 seminaries, all over the world, fully divided in Provinces and Assistencies. This immense pedagogical activity and the political influence of the Society of Jesus cannot fail to offer the historian of Education an interest of first importance. The Jesuit s didactic works and annual letters are therefore indispensable sources for the study of modern Latin. 

No desenvolvimento da educacao moderna o Plano de Estudos dos Jesuitas desempenhou um papel cuja importancia nao podemos desconhecer ou menosprezar. Pela Ratio Studiorum se pautaram a organizacao e as atividades dos colegios que a Companhia de Jesus fundou e dirigiu por mais de dois seculos, por todo o mundo. Consagrada ao ensino por constituicao, a Companhia, onde entrasse, instituia e multiplicava estabelecimentos de ensino. Em 1750, vinte e tres anos antes de sua supressao, pelo Papa Clemente XIV, a Ordem dirigia 578 colegios e 150 seminarios, por todo o mundo, dividido em provincias e assistencias jesuiticas. Esta imensa atividade pedagogica e a influencia politica da Companhia de Jesus nao podem deixar de oferecer aos historiadores um interesse de primeira importancia. As obras didaticas e a epistolografia dos Jesuitas são fontes indispensaveis para o estudo do latim moderno e da historia da colonizacao e educacao no Brasil. Cf. P. Leonel Franca S.J, o Metodo Pedagogico dos Jesuitas, a Ratio Studiorum.



The Jesuits, the Ratio studiorum, Societas Jesu, Ignatius de Loyola, modern latin, correspondencia dos jesuitas 



I. JOSÉ DE ANCHIETA

O Beato José de Anchieta com seu poema De Beata Virgine Matre Dei Maria e com sua epopeia De Gestis Mendi de Saa inaugura a Latinitas Brasiliana, continuada até os nossos dias, esparsa embora e timidamente confinada às universidades. Entretanto, voltar a ler latim e ser capaz de escrevê-lo como língua moderna e até falá-lo está ao alcance de todo universitário em país neolatino se o quiser. 
O poema De Beata Virgine Matre Dei Maria, talvez a primeira obra literária escrita em latim no Brasil, foi publicada pela primeira vez pelo Padre Simão de Vasconcellos SJ no final da obra:

CHRONICA DA COMPANHIA DE JESU DO ESTADO DO BRASIL E DO QUE OBRARAM SEUS FILHOS NESTA PARTE DO NOVO MUNDO. EM QUE SE TRATA DA ENTRADA DA COMPANHIA DE JESU NAS PARTES DO RRASIL,DOS FUNDAMENTOS QUE NELLAS LANÇARAM E CONTINUARAM SEUS RELIGIOSOS, E ALGUMAS NOTICIAS ANTECEDENTES,CURIOSAS E NECESSÁRIAS DAS COUSAS DAQUELLE ESTADO. PELO PADRE SIMÂO DE VASCONCELLOS, DA MESMA COMPANHIA. TOMO PRIMEIRO (E ÚNICO) SEGUNDA EDIÇÃO CORRECTA E AUGMENTADA. VOLUME II.EM CASA DO EDITOR A. J. FERNANDES LOPES, RUA ÁUREA, 132 — 134. MDCCCLXY.


II. DAMIÃO DE GOIS.

Damião de Góis (1502 - 1574) in Portuguese, Damianus a Goes in Latin. Occupation: humanist, philosopher and historian, an European diplomat in the Renaissance, who wrote mostly in Latin. Born in February 2, 1502, in Alencar, Kingdom of Portugal. Passed away, assassinated abroad, in January 30, 1574,  with 71 years of age. He served as a diplomat for the Portuguese court in Northern Europe countries. He was a friend of Erasmus and Bembo. His historical work describes the acts of several Portuguese kings during the Renaissance. He was persecuted by the Tribunal of the Inquisition. His writings are good examples of the Portuguese Neo-Latin in the XVI century.DA

Cf.  'DAMIAO DE GOES CONTACTS AMONG DIPLOMATS' by Elisabeth Feist Hirsch.  Bibliothèque d'Humanisme et Renaissance, T. 23, No. 2 (1961), pp. 233-251.  Librairie Droz

 https://www.jstor.org/stable/206742n1


DAMIANI A GOES EQUITIS LUSITANI ALIQUOT OPUSCULA ET NOTITIA

OPUSCULA: * Damianus a Goes eques Lusitanus Paulo Pontifici Romano Tertio S. P. D.; * Fides, religio, moresque aethiopum; * Deploratio lappianae gentis, Damiano a Goes autore; * Diensis nobilissimae Carmaniae seu Cambaiae urbis oppugnatio, Damiano a Goes autore; * Hispania Damiani a Goes equitis Lusitani; * Epistolae Sadoleti, Bembi, et aliorum clarissimorum virorum ad Damianum a Goes equitem Lusitanum; * Farrago : carminum clarissimorum virorum ad Damianum a Goes equitem Lusitanum


DESCRIPTION OF THE CITY OF LISBON. A LATIN TEXT BY DAMIANUS A GOES (1502-1574): URBIS OLISIPONIS DESCRIPTIO (1554) WITH TWO PORTUGUESE TRANSLATIONS.DESCRICAO DE LISBOA.OU LISBOA DE QUINHENTOS POR DAMIAO DE GOIS COM DUAS TRADUCOES PORTUGUESAS. STUDIES IN MEDIEVAL AND MODERN LATIN.LATINITAS LUSITANA. PROF. DR. DARCY CARVALHO. SAO PAULO. BRAZIL, 2015. by DARCY CARVALHO .ARCHIVE.ORG
The above document contains a short Latin text by the humanist Damião de Goes, a Portuguese Latin writer, who lived in the XVI century. He was born two years after the discovery of Brazil and he was educated and lived in the court of King Dom Emmanuel, the invincible and the venturous. The Latin language of Goes is that used in Portugal and Spain, for common oral intercourse, for international correspondence, science and literature. The edition of 1554 of the Urbis Olisiponis Descriptio is here reproduced with two Portuguese translations, one of 1937, published in transcribed Latin and translated by Professor Raul Machado as - A Lisboa de Quinhentos; and a more recent version by Prof. José da Felicidade Alves: - Descrição da Cidade de Lisboa pelo Cavaleiro Português Damião de Gois , Dedicada ao ínclito Principe D. Henrique, Infante de Portugal . 


A number of the works by Damianus a Goes is available for download in the Biblioteca Nacional Digital de Portugal and in the Bibliothèque nationale de France, BnF. 

O historiador Arlindo Correia published on line excelent studies on Damião de Gois




The Latin correspondence of Damião de Gois is available in the Portugaliae Monumenta Neolatina Vol IX, published on line by the Associação Portuguesa de Estudos Neolatinos, of the Universidade de Coimbra.
 


Como exemplo inicial da Latinidade Lusitana ler Damião de Góis no texto original Descriptio Urbis Olisiponis e nas duas traduções portuguesas, uma recente pelo sacerdote e historiador, Prof. José da Felicidade Alves, Descrição da Cidade de Lisboa, e outra pelo latinista Prof. Raul Machado, Lisboa de Quinhentos, de 1936, esta com os textos latino e português dispostos paralelamente:

DESCRIPTION OF THE CITY OF LISBON. A LATIN TEXT BY DAMIANUS A GOES (1502-1574): URBIS OLISIPONIS DESCRIPTIO (1554) WITH TWO PORTUGUESE TRANSLATIONS.DESCRIÇAO DE LISBOA.OU LISBOA DE QUINHENTOS POR DAMIAO DE GOIS COM DUAS TRADUCOES PORTUGUESAS. STUDIES IN MEDIEVAL AND MODERN LATIN.LATINITAS LUSITANA. PROF. DR. DARCY CARVALHO. SAO PAULO. BRAZIL, 2015.



Um sitio muito especial sobre Damião de Goes:

Damiani a Goes equitis Lusitani aliquot opuscula: Damianus a Goes eques Lusitanus Paulo Pontifici Romano Tertio S. P. D.; Fides, religio, moresque aethiopum; Deploratio lappianae gentis, Damiano a Goes autore; Diensis nobilissimae Carmaniae seu Cambaiae urbis oppugnatio, Damiano a Goes autore; Hispania Damiani a Goes equitis Lusitani; Epistolae Sadoleti, Bembi, et aliorum clarissimorum uirorum ad Damianum a Goes equitem Lusitanum; Farrago : carminum clarissimorum uirorum ad Damianum a Goes equitem Lusitanum

https://digitalis-dsp.uc.pt/bg5/UCBG-VT-20-8-19/UCBG-VT-20-8-19_item1/P60.html

DAMIÃO DE GÓIS E SUA OBRA LITERÁRIA.Source: Correspondência Latina de Damião de Goes. Portugalia Monumenta Neolatina, Vol IX.

Registam-se apenas as primeiras edições que d os textos latinos, ou versões do latim, se multiplicaram até cerca de 120 e honraram os prelos de muitas cidades, como  Antuérpia,  Lovaina,  Londres,  Veneza,  Augsburgo,  Genebra,  Paris,  Lyon,  Colónia,  Francfort,  Rostock,  Wittenberg,  Basileia,  Giessen,  Lisboa,  Évora; e bem assim dos textos em português, que orçam por 16 reedições, aproximadamente.

OBRAS LATINAS OU VERSÕES DO LATIM:

* Legatio  Magni  Indorum  Imperatoris  Presbyteri  Ioannis  ad  Emmanuelem Lusitaniae Regem, Antuérpia, João Grapheus, 1532.
 * Livro de Marco Tullio Ciçeram chamado Catam maior, ou da velhice, dedicado a Tito Pomponio Attico. Em Veneza, por Stevão Sabio, 1538.
* O  Livro  de  Ecclesiastes,  reprod.  em  fac-símile  da  edição  de  Stevão  Sabio (Veneza, 1538) por Thomas F. Earle, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2002.

* Commentarii  rerum  gestarum  in  India  citra  Gangem  a  Lusitanis  anno 1538, Lovaina, Rogério Réscio, 1539.
* Fides, religio moresque Aethiopum sub Imperio Preciosi Ioannis degentium, Lovaina, Rog. Réscio, 1540.
* Hispania, Lovaina, Rog. Réscio, 1542.


* Aliquot opuscula, Lovaina, Rog. Réscio, 1544: * Damianus a Goes eques Lusitanus Paulo Pontifici Romano Tertio S. P. D.; * Fides, religio, moresque aethiopum; * Deploratio Lappianae gentis, Damiano a Goes autore; * Diensis nobilissimae Carmaniae seu Cambaiae urbis oppugnatio, Damiano a Goes autore; * Hispania Damiani a Goes equitis Lusitani; * Epistolae Sadoleti, Bembi, et aliorum clarissimorum virorum ad Damianum a Goes equitem Lusitanum; * Farrago : carminum clarissimorum virorum ad Damianum a Goes equitem Lusitanum

* Urbis Lovaniensis obsidio, Lisboa, Luís Rodrigues, 1546.
* De  bello  Cambaio  ultimo  comentarii  tres,  Lovaina,  Servácio  Sasseno  de Diest, 1549.



* Correspondência Latina de Damião de Goes. Portugalia Monumenta Neolatina, Vol IX


OBRAS EM PORTUGUÊS:

* Chronica do Felicissimo Rei Dom Manuel, dividida em quatro partes, a primeira, publicada em Lisboa, por Francisco Correa, no ano de 1566; em 1566, 1567, 1567 saíram as restantes.
* Chronica do Principe Dom Joam, Lisboa, Francisco Correa, 1567.


Prof. Dr.Darcy Carvalho .FEAUSP, scripsit die 16/01/2019

02  A  GRAMÁTICA LATINA DE ANTONIO DE CASTRO LOPES. NOVO SYSTEMA PARA ESTUDAR A LINGUA LATINA



Esta gramática latina por Antonio de Castro Lopes está dividida em duas partes. Na primeira, o autor explica em dezesseis lições os princípios básicos do idioma latino, pelo Método de Robertson. Dispõe a matéria em em 26 quadros. Na segunda parte, aprofunda a teoria e chega às figuras de sintaxe e metrificação. O autor é eximio poeta latino. Esta preciosa gramatica difere de todas as que conhecemos. Prof. Dr. Darcy Carvalho.   FEAUSP.   Creative Commons license: CC0 1.0 Universal

03 ANTONIO DE CASTRO LOPES ( 1827- 1901): O ULTIMO LATINISTA.mPOR PAULO NOGUEIRA

A saga de Castro Lopes, o homem que tentou substituir a palavra futebol por ludopédio. Por Paulo Nogueira . O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

CITO: " Em 1989, a revista Veja fez um suplemento em comemoração aos 100 anos da República. A graça é que os textos foram escritos como se os jornalistas vivêssemos na época da proclamação.  Era como se estivéssemos cobrindo-a na semana mesma de 15 de novembro. Eu saíra fazia pouco tempo da Veja para ser editor-executivo da Exame. Mesmo assim, me encomendaram dois artigos: um perfil do Barão de Mauá, o maior empresário brasileiro de então, e um perfil de um latinista arrebatado, Castro Lopes. Lopes quis purificar a língua falada no Brasil de anglicismos e galicismos, e produziu neologismos como ludopédio para substituir o futebol. Quase nada vingou, como você poderá ver no quadro posto no pé deste artigo,  exceto por uma ou outra palavra como roupão, que ocupou o lugar do peignoir. Você pode apreciar o esforço titanicamente frustrado de Lopes nas linhas abaixo.
É possível que o leitor esteja lendo esta revista agora em sua cama, com a ajuda de seus nasóculos e à luz suave de um lucivelo.

Os artigos escritos pelos alvissareiros misturam-se, harmoniosamente, aos preconícios que louvam as virtudes de sortidos produtos. Faz calor neste final de primavera, e decerto o nosso leitor não retira há muito tempo de sua gaveta o focale que lhe aquece o pescoço no frio. E ele provavelmente terá reparado como é grande, nos últimos tempos, o número de ludâmbulos que, vindos de outros Estados e até de outros países, se abalam a conhecer os encantos da cidade.

Não te sintas o mais ignaro dos brasileiros se, no parágrafo anterior, tropeçaste em vocábulos como “nasóculos”, “Iucivelo”, “alvissareiro”, “preconício”, “focale” e “ludâmbulos”. Consultados sobre o significado de tais palavras, quase todos os jornalistas desta revista que ora tens em mãos tropeçaram exatamente onde foste ao chão. Um, mais curioso, tratou de correr ao Caldas Aulete, mas foi inútil. Cerrou as páginas do dicionário tão no ar quanto as abrira. É que todas aquelas palavras acabam de ser criadas pelo gramático carioca Antônio de Castro Lopes, 62 anos, um latinista de nomeada que é médico por profissão e decidiu investir contra os galicismos e anglicismos que, a seu ver, contaminaram atrozmente a língua pátria.

As palavras a que Castro Lopes tenta dar vida e aquelas que ele pretende suprimir estão arroladas no recém-lançado Neologismos Indispensáveis e Barbarismos Dispensáveis, livro que serviu de tema para conversas, e piadas, trocadas entre o ex-imperador Pedro II e o Visconde de Taunay.

Castro Lopes  “Não é de desenterrar palavras mortas e sepultadas que se trata”, explica o autor no prefácio do opúsculo. “Mas de limpar, de expurgar a linguagem vernácula de vozes bárbaras, de construções contrárias à índole daquela, e de criar com bons elementos termos que no idioma português faltem para traduzir os exóticos”. Castro Lopes não tenta promover reformas apenas na língua portuguesa. Sugere muitas outras. Tem, pronta, uma fórmula para acabar com a dívida interna e externa do país, ou, pelo menos, é o que garante.

Tal fórmula apóia-se numa moeda universal, o ponto alto da plataforma com a qual se lançou candidato a deputado provincial pelo Rio de Janeiro. Não se conhece nenhuma adesão de outros países à tal da moeda universal do latinista, mas o fato é que ele se elegeu deputado. Acusem-no, os que quiserem, de purista extremado, mas não o tomem por rabugento. Será um equívoco. Castro Lopes tem um surpreendente bom humor. Daria um excelente cômico se quisesse.

Observe-se sua investida contra a palavra peignoir. Não cria, no caso, um neologismo. Vai buscar o vocábulo português que julga correspondente: roupão. Dirigindo-se ao “belo sexo”, Castro Lopes pergunta: “Por que empregareis o termo francês peignoir quando esse traje não serve para o fim que o nome indica?” Logo depois, lança, às damas nacionais, um apelo que revela seu talento humorístico: “Despi, portanto, eu vos suplico, o peignoir francês, e vesti o vosso roupão”.

Se daqui a 100 anos os neologismos do senhor Castro Lopes estarão vivos ou mortos, ninguém pode saber. Alguém usará a expressão “protofonia” como abertura de um ensaio, uma ópera, uma peça? Haverá crianças que peçam aos pais que façam um convescote domingo no parque, em vez de piquenique? Em duas crônicas recentes, o escritor Machado de Assis referiu-se ao trabalho de Castro Lopes com sarcasmo reprovador. O latinista não se intimida. Diz-se à boca miúda que, a cada golpe desferido por um adversário, responde com um toast solitário à cruzada pelo vernáculo – perdão, onde se leu “toast”, leia-se brinde.

Pérolas do  latinista: Como é e como fica.   Abajur - Lucivelo ou lucivéu;  Avalanche - Runimol; Bijuteria - Joalheira; Boulevard - Calçada;  Cachecol - Focale;Chalé - Castelete;Champignons - Cogumelos;Claque - Venaplauso;Debut - Estréia;Engrenagem - Entrosagem;Feérico - Fatídico;Massagem - Premagem;Mise-en-scène - Encenação;Nuance - Ancenúbio;Pince-nez - Nasóculos;
Piquenique - Convescote;Reclame - Preconício;Repórter - Alvissareiro; Turista - Ludâmbul.  FINIS CITATIONIS.

04 ANTONIO DE CASTRO LOPES POR JOÃO BORTOLANZA



05  FRANCISCO DE FREITAS LEITE. O LATIM EM CARTAS DO CARIRI CEARENSE (Final do século XIX e início do século XX)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – UFPB. CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES – CCHLA. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LINGUÍSTICA – PROLING

O LATIM EM CARTAS DO CARIRI CEARENSE (Final do século XIX e início do século XX)

Dissertação de mestrado. Autor: Francisco de Freitas Leite. Orientadora: Profa. Dra. Maria Cristina de Assis

João Pessoa (PB)  2009. ABSTRACT:

This work is a study on the uses that had Latin in letters written in Cariri from Ceará in the period from the second half of the century XIX to the first half of the century XX. The research is based in the theoretical proposal of the Social History of the Language, in the molds of the works of Burke and Porter (1993 and 1997) and gives emphasis, mainly, to the interpretation in the dimensions of social meaning of the uses of the terms and Latin expressions, in letters written basically in Portuguese.

KEYWORDS: Latin; Social History of the Language; social meaning; Cariri from Ceará; centuries XIX and XX.


05. O LATIM DO PADRE ANTONIO VIEIRA.

P. ANTONII VIEYRA CLAVIS PROPHETARUM DE REGNO CHRISTI IN TERRIS CONSUMMATUM

Arnaldo do Espírito Santo. O Latim da Clavis Profetarum.

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Darcy Carvalho,
29 de mai de 2015 11:21
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Darcy Carvalho,
29 de set de 2015 17:24
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Darcy Carvalho,
17 de jan de 2019 13:33
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Darcy Carvalho,
17 de jan de 2019 10:09
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Darcy Carvalho,
21 de jan de 2019 10:52
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Darcy Carvalho,
11 de set de 2014 13:13
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Darcy Carvalho,
25 de mar de 2014 10:37
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Darcy Carvalho,
19 de ago de 2014 03:07
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Darcy Carvalho,
22 de mar de 2019 14:04
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Darcy Carvalho,
22 de mar de 2019 18:50
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Darcy Carvalho,
21 de jan de 2019 08:29
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